ONU Mulheres destaca legado da feminista Rose Marie Muraro

Rose Marie Muraro foi uma das principais feministas brasileiras. Foto: Divulgação/Instituto Cultural Rose Marie Muraro

Uma mulher fundamental para o movimento feminista no Brasil e no mundo. Essa pode ser a síntese da trajetória política e intelectual de Rose Marie Muraro, falecida em 21 de junho, na cidade do Rio de Janeiro, aos 83 anos.

“Rose Marie Muraro foi uma mulher aguerrida e inspiradora pelas barreiras que quebrou. Permitiu-se viver com os propósitos feministas, assumindo as rédeas da própria vida e enfrentando o patriarcado em todas as suas formas: na vida pessoal, na política com novas propostas de relações sociais e na intelectualidade, desenvolvendo e expandindo o pensamento livre”, afirmou a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman.

Ela dedicou-se à reflexão teórica sobre os direitos das mulheres, abrindo frentes de discussão sobre as relações de mulheres, homens e sociedade no Brasil. Escreveu mais de 40 livros, entre eles a arrojada obra “Sexualidade da mulher brasileira: corpo e classe social no Brasil”.

“Foram qualidades brilhantes para a formação de gerações de feministas e para o empoderamento das mulheres brasileiras”, completa Gasman.

Rose Marie editou uma série de publicações, pelas editoras Vozes e Rosa dos Tempos, voltadas para a difusão do pensamento feminista. Contrapôs-se aos valores conservadores de submissão das mulheres brasileiras e disseminou os ideais feministas de diferentes partes do mundo. Tinha formação em Física e em Economia. Teve cinco filhos, 12 netos e quatro bisnetos.

Por ser figura central na luta pela emancipação das mulheres, Rose Marie Muraro foi reconhecida em 2005 pelo Congresso Nacional e pelo governo brasileiro como Patrona do Feminismo Nacional. Recebeu diversos títulos e distinções, entre elas os Prêmios Bertha Lutz, em 2008, e Teotônio Vilela (2009), ambos do Senado Federal, e as honrarias Cidadã Honorária de Brasília, em 2001, e de São Paulo, em 2004.

Em 2009, inaugurou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro, onde trabalhava, desafiando o câncer na medula óssea que a acometia há dez anos. O corpo da feminista foi cremado no domingo (22), no Rio de Janeiro, em cerimônia para familiares.