ONU Mulheres debate racismo e empoderamento de meninas e mulheres com jovens do Complexo do Alemão

No Rio de Janeiro (RJ), a ONU Mulheres reuniu em Bonsucesso, zona norte da cidade, cerca de 20 jovens moradores do Complexo do Alemão para discutir o impacto da discriminação e do racismo no seu dia a dia.

Encontro neste mês (6) fez parte da campanha Vidas Negras das Nações Unidas, que visa conscientizar a população e o governo brasileiros sobre a violência contra a juventude afrodescendente. Evento também debateu meios de superar o preconceito e vulnerabilidades por meio do esporte e da cultura.

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No Rio de Janeiro (RJ), a ONU Mulheres reuniu em Bonsucesso, zona norte da cidade, cerca de 20 jovens moradores do Complexo do Alemão para discutir o impacto da discriminação e do racismo no seu dia a dia.

Encontro neste mês (6) fez parte da campanha Vidas Negras das Nações Unidas, que visa conscientizar a população e o governo brasileiros sobre a violência contra a juventude afrodescendente. Evento também debateu meios de superar o preconceito e vulnerabilidades por meio do esporte e da cultura.

As crianças e adolescentes convidados pelo ONU Mulheres frequentam a ONG Abraço Campeão, que oferece aulas de boxe, karatê, luta livre, cidadania e desenvolvimento pessoal, além de oferecer reforço escolar e excursões culturais. Criada em 2015, a instituição atende atualmente em torno de 80 jovens, de sete a 29 anos.

“O esporte é uma oportunidade que muitas pessoas não têm. Já escutei de muitos que o boxe não ia me levar a nada, mas hoje eu estou aqui firme e forte e fazendo diferença”, destacou Mhenadhy Esperança, de 18 anos, aluno do ‘Abraço Campeão’.

O encontro dos jovens foi fruto de uma parceria da ONG com a campanha Vidas Negras e também com o projeto Uma Vitória Leva à Outra, implementado pela ONU Mulheres e pelo Comitê Olímpico Internacional para empoderar meninas usando o esporte.

A atividade em Bonsucesso foi desenvolvida por jovens negros facilitadores do Abraço Campeão e da inciativa da ONU, com a realização de oficinas, compartilhamento de histórias, debates e confecção de cartazes.

“Na metodologia que adotamos, foram tratadas as dores, enquanto juventude negra, moradora de favela e que tem direitos violados, e os sonhos deles, na perspectiva de que é importante que eles tenham sonhos e de que é possível vencermos as barreiras do racismo estrutural no Brasil”, explicou Michele Seixas, assessora da sociedade civil para a ONU Mulheres e ex-professora de cidadania do Abraço Campeão.

“Ações como essa me ajudaram a descobrir minha própria identidade como negra e me aceitar do jeito que eu sou”, acrescenta Joyce Rodrigues, ex-participante do Uma Vitória Leva à Outra. Hoje com 17 anos, a jovem é uma das facilitadoras do programa da ONU.

Segundo a adolescente, iniciativas como o encontro dos jovens são importantes porque permitem a troca de experiências com outras pessoas, fazendo “com que elas sejam sementes, que brotam em todos os corações”.

O evento foi promovido em 6 de abril, data lembrada pela ONU como o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e pela Paz.

“A mensagem que eu deixo é que temos que resistir. Todo dia é uma luta e a gente tem que ser a mudança que a gente quer porque eu acredito muito que a alma não tem cor, então a gente pode mudar isso”, completa Joyce.

Debate e empoderamento

A assessora de Comunicação da ONU Mulheres, Isabel Clavelin, explicou que a atividade no Rio foi fundamental para a campanha Vidas Negras “porque é o primeiro momento em que ela chega junto com a juventude negra”.

“Estamos num local de vida, onde o racismo, a discriminação racial e a violência letal contra a juventude negra acontecem na sua expressão mais contínua, como ouvido nos relatos dos adolescentes”, explicou a profissional das Nações Unidas após um momento de diálogo em que cada um dos jovens presentes falou sobre casos de violação de direitos.

“Escutar as histórias de jovens negros e negras pelas suas próprias vozes é um valor fundamental para a campanha porque ela precisa ter a vivacidade dessa juventude”, acrescentou Isabel.

Para Michele Seixas, o evento trará consequências positivas para os participantes. “Todos vão levar essa experiência para o resto da vida. E o impacto que teremos a curto, médio e longo prazo será de cada vez mais relatos de aprendizados e o poder de transformar vidas e empoderar meninas e mulheres no esporte, (para afirmar) que elas podem estar onde elas quiserem, quando elas quiserem.”


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