ONU Mulheres apoia projeto que leva artes plásticas a venezuelanas em Roraima

O escritório da ONU Mulheres no Brasil apoiou o projeto “Amazônia das Artes”, do qual faz parte a exposição “Percepções”, do artista plástico piauiense Gabriel Archanjo, que ficou em cartaz no SESC Roraima, em Boa Vista (RR), de julho a agosto. A exposição foi viabilizada em parceria com a Operação Acolhida — resposta humanitária a refugiados e migrantes venezuelanos implementada por governo federal, agências da ONU e organizações da sociedade civil.

Mais de 20 mulheres refugiadas e migrantes dos abrigos Rondon I e São Vicente, convidadas pela ONU Mulheres, e mulheres trans do abrigo Latife Salomão, convidadas pelo Exército, conferiram em julho a abertura da exposição no SESC Roraima, que reuniu cerca de 50 pessoas. Para muitas venezuelanas, o evento foi o primeiro contato com a cultura brasileira.

Obra da exposição “Percepções”, do artista Gabriel Archanjo (PI). Foto: Acervo Pessoal

Obra da exposição “Percepções”, do artista Gabriel Archanjo (PI). Foto: Acervo Pessoal

O escritório da ONU Mulheres no Brasil apoiou o projeto “Amazônia das Artes”, do qual faz parte a exposição “Percepções”, do artista plástico piauiense Gabriel Archanjo, que ficou em cartaz no SESC Roraima, em Boa Vista (RR), de julho a agosto. A exposição foi viabilizada em parceria com a Operação Acolhida — resposta humanitária a refugiados e migrantes venezuelanos implementada por governo federal, agências da ONU e organizações da sociedade civil.

Mais de 20 mulheres refugiadas e migrantes dos abrigos Rondon I e São Vicente, convidadas pela ONU Mulheres, e mulheres trans do abrigo Latife Salomão, convidadas pelo Exército, conferiram em julho a abertura da exposição no SESC Roraima, que reuniu cerca de 50 pessoas. Para muitas venezuelanas, o evento foi o primeiro contato com a cultura brasileira.

“O que chamou mais atenção no bate-papo e muito impressionou as venezuelanas foi o quanto a população negra ainda sofre racismo no Brasil e como isso não ocorre no país de origem delas”, comentou Tamara Jurberg, da ONU Mulheres, que participou da roda de conversa sobre migração e etnicidade, com a participação da migrante venezuelana Genova Alvarado e do artista plástico Archanjo.

Para a ONU Mulheres, modos de vida diferentes são compreendidos por meio da convivência, viabilizada com a adoção de medidas de integração. A venezuelana Doryit Starlin, que vive há um ano no Brasil, disse acreditar que rodas de conversa proporcionam amparo às mulheres migrantes, duplamente vulneráveis pela situação em que vivem. “É importante que a gente dê as mãos e que estejamos juntas. É um trabalho de formiga, mas conhecimento é poder e isso faz uma grande diferença”, declarou.

A venezuelana saiu do abrigo Rondon I para prestigiar uma exposição pela primeira vez desde que chegou ao Brasil, o que a ajudou a ter mais compreensão e consciência sobre os dramas humanos locais, afirmou. “Conseguimos nos identificar como humanos, não só pela cor de pele ou pela nacionalidade, como brasileiros ou venezuelanos, mas com uma história de sofrimento dos povos e das massas — temos muito mais em comum do que a gente pensa”, completou.

O papel da mulher também foi um dos temas abordados na abertura da exposição, já que as refugiadas e migrantes venezuelanas estão em uma situação de maior vulnerabilidade na comparação com os homens. Isso ocorre porque elas ainda são em grande parte responsáveis pelo papel de cuidado da casa, dos filhos e das filhas, o que acaba se tornando um obstáculo para a busca de emprego no Brasil.

Este debate também foi levado para os abrigos de Roraima nos quais a ONU Mulheres realiza rodas de conversa sobre o fluxo migratório venezuelano ao Brasil e sobre as diferentes situações de homens e mulheres nesse processo.

Nos eventos, espaços seguros são criados para que mulheres migrantes exponham vivências — tais como discriminação no Brasil —, superando obstáculos como vergonha ou medo de falar. Os espaços permitem empoderamento das mulheres, pois neles elas podem identificar como a resposta humanitária se encaixa em suas necessidades.

Arte, cultura e qualificação profissional

As expressões artístico-culturais têm proporcionado debates e integração para venezuelanas e brasileiras em atividades promovidas por SESC, Operação Acolhida e ONU Mulheres.

Em julho, a peça “Aquelas”, apresentada pela companhia Manada Teatro, retratou feminicídios a partir da história da cearense Maria de Bil, assassinada pelo marido em 1926 e que se imortalizou pela devoção popular.

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) também é parceira na resposta humanitária da ONU Mulheres a venezuelanas e brasileiras. O curso de extensão “Ateliê Mulheres em Movimento”, que terá início este mês, colaborará para a formação e o aperfeiçoamento das mulheres e sua integração na comunidade local.

Em setembro e outubro, SESI, ONU Mulheres e parceiros promoverão oficinas do projeto “Cozinha Brasil” para grupos de venezuelanas e brasileiras, destinada ao aproveitamento alimentar e a cuidados nutricionais. Novas turmas serão atendidas por formação que vem acontecendo desde o início deste ano.

Segundo a ONU Mulheres, tais iniciativas visam o desenvolvimento da sociedade como um todo. “A gente percebe que, infelizmente, há um crescente processo de discriminação e xenofobia. Assim, é preciso trabalhar não apenas com refugiadas e migrantes, mas com toda a população local para facilitar o processo de inclusão dessas mulheres na comunidade ou em qualquer outro lugar para o qual elas forem no Brasil”, concluiu Tamara Jurberg.