ONU monitora retirada de forças rebeldes de principal porto do Iêmen

Menina de Hodeida, no Iêmen, vive com pais, três irmãos e seis irmãs. A família enfrenta risco de desnutrição devido à guerra e a falta de fontes de receita para comprar comida. Foto: UNICEF/Taha Almahbashi

Enquanto os iemenitas continuam a finalizar os procedimentos para a implementação do acordo de Hodeida, sob o qual a coalizão governamental e líderes rebeldes se comprometeram a retirar forças da cidade-porto de mesmo nome, o presidente do Comitê de Coordenação de Reorganização disse na sexta-feira (10) ter recebido uma oferta da oposição houthi para iniciar uma retirada unilateral.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o tenente general dinamarquês Michael Lollesgaard, que lidera a equipe de observadores e monitores da ONU, disse que a Missão da ONU para apoiar o Acordo de Hodeida (UNMHA) “monitorará e informará sobre a redistribuição unilateral”, cujo início estava previsto para sábado (11), e que deve ser concluído até terça-feira (14).

O tenente-general observou que este foi “um primeiro passo prático no terreno” desde que o acordo foi concluído após as históricas consultas lideradas pela ONU entre o governo e os líderes houthis em Estocolmo no final do ano passado, o que marcou um avanço nas negociações do conflito civil que engoliu o Iêmen nos últimos quatro anos.

No entanto, ele ressaltou que o acordo deve ser seguido pelas “ações comprometidas, transparentes e sustentadas das partes para cumprir integralmente suas obrigações”. Além do porto de Hodeida, que é fundamental para a importação de alimentos e medicamentos para os iemenitas, os houthis concordaram em se retirar dos demais portos regionais de Salif e Ras-Issa.

“Além disso, esta remobilização unilateral deve permitir o estabelecimento de um papel de liderança da ONU no apoio à Corporação dos Portos do Mar Vermelho na gestão dos mesmos”, bem como melhorar o Mecanismo de Verificação e Inspeção das Nações Unidas (UNVIM), em conformidade com o acordo.

Hodeida foi foco dos confrontos entre as forças do governo e os combatentes da oposição houthi. Como uma porta de entrada crucial da ajuda humanitária, a implementação completa do acordo continua a ser fundamental para garantir o acesso humanitário efetivo ao Iêmen, onde milhões permanecem dependentes de assistência vital.

“As partes no conflito iemenita devem continuar a trabalhar urgentemente em direção a esse objetivo e a todos os compromissos assumidos em Estocolmo em dezembro de 2018”, disse ele, acrescentando que a ONU “continuará apoiando as partes” a fim de cumprir suas obrigações e devolver a paz ao povo iemenita e a estabilidade à sua terra.

No domingo (12), a UNMHA divulgou um comunicado confirmando que o primeiro dia da retirada das forças houthis dos portos de Hodeida, Salif e Ras-Issa “seguiu os planos estabelecidos”.

Todos os três portos foram monitorados simultaneamente por equipes das Nações Unidas, enquanto as forças militares deixavam esses locais e a Guarda Costeira assumia a responsabilidade pela segurança.

Nos próximos dias, a expectativa é de que as atividades da UNMHA se concentrem na remoção de sinais da presença militar houthi, incluindo minas.