ONU Meio Ambiente alerta para altos níveis de poluição do ar em Cabul

No inverno, a capital do Afeganistão, Cabul, não é para os fracos — temperaturas abaixo de zero não são incomuns, nevascas são freqüentes e, às vezes, pesadas. Com uma temperatura média de -1°C, janeiro é o mês mais frio, com quedas ocasionais de temperatura para até -25°C. Localizada em uma altitude elevada de aproximadamente 1.800 metros acima do nível do mar, em um vale estreito entre as montanhas Hindu Kush, Cabul é uma das capitais mais altas do mundo.

O Afeganistão suportou por muitos anos o impacto de um conflito armado prolongado e muito divulgado. Enquanto isso, longe da divulgação, os afegãos — e, em particular, os 6 milhões de habitantes de Cabul – estão lutando com outro assassino silencioso, mas mortal: a poluição do ar. O relato é da ONU Meio Ambiente.

Cabul, no Afeganistão. Foto: UNAMA/Fardin Waezi

Cabul, no Afeganistão. Foto: UNAMA/Fardin Waezi

No inverno, a capital do Afeganistão, Cabul, não é para os fracos — temperaturas abaixo de zero não são incomuns, nevascas são freqüentes e, às vezes, pesadas. Com uma temperatura média de -1°C, janeiro é o mês mais frio, com quedas ocasionais de temperatura para até -25°C. Localizada em uma altitude elevada de aproximadamente 1.800 metros acima do nível do mar, em um vale estreito entre as montanhas Hindu Kush, Cabul é uma das capitais mais altas do mundo.

O Afeganistão suportou por muitos anos o impacto de um conflito armado prolongado e muito divulgado. Enquanto isso, longe da divulgação, os afegãos — e, em particular, os 6 milhões de habitantes de Cabul – estão lutando com outro assassino silencioso, mas mortal: a poluição do ar.

“No passado, o ar era agradável e menos contaminado na cidade de Cabul”, diz Nadira Rashidi, residente da cidade há muito tempo. “Tínhamos uma população menor e mais chuvas. Antes dos conflitos em andamento no Afeganistão, as pessoas queriam plantar árvores em seus complexos residenciais e em espaços comuns. Também estavam dispostas a tomar medidas coletivas na limpeza de diferentes áreas. Isso é chamado de ‘hashar’ no Afeganistão”.

Como qualquer cidade grande, Cabul tem várias fontes de poluição do ar. Por semanas, na maioria das vezes durante os meses de inverno, a cidade é coberta por uma neblina tóxica formada por pequenas partículas, geralmente invisíveis, de poeira e fuligem.

Em circunstâncias normais, o ar quente perto do chão sobe gradualmente, transportando poluentes e dispersando-os. No entanto, quando o ar frio permanece próximo do solo — sob a chamada inversão térmica — a poluição se acumula no nível do chão.

Fontes de poluição do ar incluem carros velhos, combustível de má qualidade, pessoas queimando lixo, fornos de tijolos industriais, usinas de fundição de pequena escala e fundições. Soma-se a isso a poluição proveniente de padarias, restaurantes e salões de festas, além de usinas geradoras, geradores, fogões domésticos e aquecedores.

Uma análise abrangente da poluição do ar em Cabul ainda não foi realizada. No entanto, tem havido medições para avaliar os níveis de material particulado, óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre e monóxido de carbono.

O governo é responsável pelo monitoramento da qualidade do ar em Cabul e agora está monitorando a qualidade do ar ao redor da cidade usando equipamentos portáteis.

Muitas pessoas também estão usando o site AirVisual ou seu aplicativo móvel para obter informações sobre a qualidade do ar em Cabul. No entanto, essas informações podem nem sempre ser confiáveis ​​ou representativas da situação real, pois são provenientes de um único ponto de dados em uma das áreas mais congestionadas da cidade. Existe, portanto, a necessidade de um monitoramento mais abrangente e preciso da poluição do ar para fornecer dados mais confiáveis.

“Com o aumento da poluição do ar, estamos vendo uma nova geração cujo crescimento é atrofiado. A poluição também afeta negativamente as mulheres grávidas e seus fetos. O ar tóxico também causa doenças respiratórias e até câncer”, diz Nadira, que também é chefe de gênero da Agência Nacional de Proteção Ambiental.

De acordo com o relatório Estado do Ar Global 2019, os atuais níveis de poluição do ar reduziram a expectativa de vida mundial em um ano e oito meses. Isso significa que uma pessoa nascida hoje morrerá 20 meses mais cedo, em média, do que seria esperado na ausência de poluição do ar. O relatório também observa que o ar tóxico reduz a expectativa de vida média quase tanto quanto o uso de tabaco.

O problema colocado pela poluição do ar chamou a atenção dos legisladores afegãos. Em dezembro de 2018, o Wolesi Jirga, a Câmara Baixa do Parlamento do país, reuniu-se com funcionários do Ministério da Saúde Pública e da Agência Nacional de Proteção Ambiental para discutir o tema.

Em resposta a essas preocupações, e em consulta à Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), a equipe da ONU Meio Ambiente em Cabul realizou uma avaliação rápida da concentração de partículas inaláveis, de diâmetro inferior a 10 micrómetros (µm) no Complexo Operacional da ONU no Afeganistão e no Complexo Alfa da UNAMA.

A avaliação incluiu medições feitas a cada 15 minutos durante vários dias em janeiro e fevereiro de 2019 sob diferentes condições climáticas (céu claro e nublado, chuva, neve, etc.). As medições foram feitas usando os monitores Thermo Fischer Scientific PDR 1000, que medem a presença em tempo real do material particulado atmosférico.

No Complexo Operacional das Nações Unidas, as concentrações internas de PM10 foram 53,9% mais baixas do que as concentrações externas sem o uso de um purificador de ar. Com um purificador de ar, as concentrações de PM10 no interior eram 98,9% mais baixas do que no exterior e 97,3% mais baixas do que as concentrações no interior sem um purificador de ar.

No Composto Alfa, as comparações das leituras entre o ar livre e o interior revelaram uma diferença significativa, com concentrações internas de PM10 sendo 36,4% mais baixas do que as concentrações ao ar livre.

“As diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde para PM10 consideram uma média de 50 µg.m-3 por período de 24 horas como admissível. A avaliação mostrou que o uso de um purificador de ar pode ser muito eficaz na melhoria da qualidade do ar interno para estar em conformidade com as diretrizes da OMS”, diz Dirk Snyman, especialista em ação sobre clima da ONU Meio Ambiente no Afeganistão.

“No entanto, há necessidade de uma avaliação cientificamente robusta da qualidade do ar usando um número maior de dispositivos de monitoramento em vários locais e por períodos muito mais longos. Os resultados dessa rápida avaliação são, portanto, apenas indicativos e exploratórios e devem ser interpretados como tal”, diz Snyman.