ONU marca 20 anos de proteção das crianças em conflitos armados

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Em Nova York, funcionários da ONU e a comunidade internacional comemoram as duas décadas de esforços para proteger as crianças dos conflitos armados em todo mundo. O encontro marcou o 20º aniversário da resolução 51/77 (1997) da Assembleia Geral sobre a proteção e os direitos das crianças que se encontram em meio a conflitos.

Muitas crianças que trabalharam para grupos armados precisam de ajuda para a reintegração na sociedade, de acordo com ONGs que tratam dos direitos dos menores. Foto: Naresh Newar / IRIN

Muitas crianças que trabalharam para grupos armados precisam de ajuda para a reintegração na sociedade, de acordo com ONGs que tratam dos direitos dos menores. Foto: Naresh Newar / IRIN

Em reunião informal em Nova York, funcionários do alto escalão da ONU e a comunidade internacional comemoram na quarta-feira (8) as duas décadas de esforços para proteger as crianças dos conflitos armados em todo mundo.

O encontro marcou o 20º aniversário da resolução 51/77 (1997) da Assembleia Geral sobre a proteção e os direitos das crianças que se encontram em meio a conflitos.

“A resolução é marco do desenvolvimento de nossos esforços globais para melhorar as situações das crianças em situações de guerra”, disse o presidente da Assembleia da ONU, Peter Thomson.

“Entre os horrores incompreensíveis que acontecem no caos de zonas de guerra, crimes abusivos, violações, exploração e abuso são perpetrados contra os membros mais vulneráveis da nossa sociedade – ou seja, os nossos filhos”, acrescentou Thomson.

Ele pediu medidas coordenadas para defender essa faixa etária da população, como parte dos compromissos da comunidade internacional com a paz, com a segurança, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos.

Além de reconhecer a importância do trabalho realizado pela atual representante especial da ONU para crianças e conflitos armados, Leila Zerrougui, o evento homenageou também os ex-titulares do mandato – Graça Machel, Olara Otunnu e Radhika Coomaraswamy.

Leila Zerrougui pediu aos Estados-membros que considerem as crianças como “zonas de paz” e disse que, ao focar nelas, “políticos, governos, forças armadas e entidades não estatais vão começar a perceber o quanto eles destroem através do conflito e o quão pouco eles ganham em troca”.

“A melhor maneira de proteger as crianças dos conflitos armados é prevenindo esses conflitos”, disse Graça Machel.

Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, uma educação de boa qualidade e um trabalho produtivo e decente para os jovens são pré-requisitos para a paz e para o desenvolvimento.

Mas quando a prevenção falha, o dirigente máximo da ONU afirmou que o Escritório do representante especial deve atuar monitorando e denunciando as violações para promover ações informadas e oportunas.

Recrutado ao 13 anos, este rapaz de 15 anos foi recentemente liberado de um grupo armado no Sudão do Sul. UNICEF estima 17 mil crianças foram recrutadas no país desde 2013.  Foto: UNICEF / Rich

Recrutado ao 13 anos, este rapaz de 15 anos foi recentemente liberado de um grupo armado no Sudão do Sul. UNICEF estima 17 mil crianças foram recrutadas no país desde 2013. Foto: UNICEF / Rich

“Também precisamos continuar fortalecendo o engajamento com autoridades locais e nacionais, parceiros regionais e a sociedade civil, a fim de prevenir e proteger as crianças de violações graves”, continuou Guterres.

Durante anos, o Escritório do representante especial trabalhou com outras agências da ONU, especialmente o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), para proteger as crianças da violência dos conflitos.

Entre os projetos realizados em conjunto, está a campanha “Crianças, Não Soldados”, que tem como objetivo acabar com o recrutamento de menores pelos exércitos governamentais. Desde 2000, o trabalho do escritório e dos parceiros contribuiu para a libertação de mais de 115 mil crianças-soldado.

“As crianças não pertencem ao campo de batalha, elas pertencem à escola. É nesse ambiente que elas podem construir um futuro”, frisou o diretor-executivo do UNICEF.

O secretário-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Miroslav Jenca, um dos principais parceiros do gabinete de Zerrougui, reiterou a importância da integração para a proteção das crianças.


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