ONU mapeia oportunidades para contratação de migrantes por empresas no Brasil

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Rede Brasil do Pacto Global lançaram nesta sexta-feira (26) um relatório de diagnóstico mapeando os desafios e as oportunidades para a contratação de migrantes internacionais por empresas que operam no Brasil, com ênfase nas necessidades específicas de mulheres e migrantes vulneráveis.

O relatório aponta os principais obstáculos enfrentados pelos atores do setor privado para a integração dos migrantes no mercado de trabalho, focando especialmente na gestão de recursos humanos e no desenvolvimento de políticas de responsabilidade social pelas empresas.

Planejamento da carreira e empreendedorismo são alguns dos temas abordados no projeto Empoderando Refugiadas. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

Planejamento da carreira e empreendedorismo são alguns dos temas abordados no projeto Empoderando Refugiadas. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Rede Brasil do Pacto Global lançaram nesta sexta-feira (26) um relatório de diagnóstico mapeando os desafios e as oportunidades para a contratação de migrantes internacionais por empresas que operam no Brasil, com ênfase nas necessidades específicas de mulheres e migrantes vulneráveis.

Em 2015, mais de 700 mil migrantes viviam no Brasil, mas poucas empresas tinham políticas específicas para este contingente populacional.

A publicação apresenta os resultados de consulta realizada com 79 executivos de companhias que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, sistematizadas uma equipe de especialistas liderados pela OIM.

O relatório aponta os principais obstáculos enfrentados pelos atores do setor privado para a integração dos migrantes no mercado de trabalho, focando especialmente na gestão de recursos humanos e no desenvolvimento de políticas de responsabilidade social pelas empresas.

Entre os principais obstáculos identificados estão a disponibilidade de informação, dificuldades para divulgar as vagas entre as comunidades migrantes, a pouca familiaridade de alguns migrantes com a língua portuguesa e problemas documentais.

São destacadas cinco áreas-chave de oportunidade para as empresas: aprimoramento dos sistemas de recrutamento; incentivo para a contratação de migrantes entre os terceirizados e fornecedores (especialmente das empresas públicas); estabelecimento de práticas de intercâmbio entre unidades da empresa em distintos países; estruturação de políticas de diversidade que incluam os migrantes, fortalecendo a marca e a reputação das companhias; inclusão de migrantes nas políticas de diversidade e responsabilidade social já existentes.

De acordo com o chefe da missão da OIM no Brasil, Stéphane Rostiaux, o projeto demonstrou que já existe uma grande disposição das empresas brasileiras para a inclusão de migrantes vulneráveis, porém, “o problema é que muitas vezes faltam informações e ferramentas para transformar essas intenções em ações práticas”.

Para auxiliar na disseminação da informação e na construção de alternativas, a próxima etapa do projeto inclui a realização de oficinas com executivos e gestores das áreas de responsabilidade social e recursos humanos de diversas empresas. As oficinas trabalharão a sensibilização para o tema das migrações internacionais e o treinamento em questões específicas para o desenvolvimento de capacidades de ação.

Refletindo sobre a iniciativa, o secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, destacou que “o levantamento mostra que a diversidade e a inclusão estão cada vez mais presentes no dia a dia das empresas brasileiras, o que significa que melhoramos muito nos últimos anos”.

Ele destaca que o tema da diversidade “hoje faz parte da estratégia de negócios de diversas organizações, as quais possuem comitês e até áreas voltadas para esses assuntos”. Porém “ainda precisamos evoluir em relação aos migrantes internacionais”.

O Pacto Global já vem trabalhando nesse cenário por meio de programas específicos para a capacitação de mulheres refugiadas e a sensibilização de atores corporativos, projeto que já se encontra na terceira edição.

A pesquisa e as oficinas com empresas promovidas pela OIM e pelo Pacto Global fazem parte do projeto “Fortalecendo a assistência jurídica dos migrantes no Brasil e promovendo seu acesso ao mercado de trabalho”, realizado desde 2016 com financiamento do Fundo da OIM para o Desenvolvimento (IDF, na sigla em inglês).

Clique aqui para acessar a pesquisa completa.