ONU mantém apoio a civis em Fallujah, Iraque; 50 mil pessoas, sendo 20 mil crianças, estão sitiadas

“Nós e nossos parceiros continuamos a ouvir relatos alarmantes de mortes de civis em Fallujah devido ao pesado bombardeio, com várias centenas de famílias sendo usadas como escudos humanos pelo ISIL, e crianças em risco de recrutamento forçado pelas partes em conflito ou em risco de serem separadas de suas famílias”, alertou o chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien.

No último dia 30 de maio, na província de Anbar, no Iraque, pessoas deslocadas de Fallujah esperam por ajuda no Al Iraq Camp, um dos vários subcampos dentro de campo de Ameriyat al-Fallujah. Foto: OCHA/Sheri Ritsema-Anderson

No último dia 30 de maio, na província de Anbar, no Iraque, pessoas deslocadas de Fallujah esperam por ajuda no Al Iraq Camp, um dos vários subcampos dentro de campo de Ameriyat al-Fallujah. Foto: OCHA/Sheri Ritsema-Anderson

Expressando “profunda preocupação” com a situação dos civis encurralados na cidade sitiada de Fallujah, no Iraque, o chefe humanitário das Nações Unidas destacou nesta quinta-feira (2) que a Organização e seus parceiros estão fazendo “tudo ao seu alcance” para ampliar a assistência humanitária.

“Nas últimas duas semanas, cerca de 5 mil pessoas conseguiram sair, centenas delas por meio de duradouras, arriscadas e angustiantes fugas a pé, em altas temperaturas, para alcançar a segurança”, disse Stephen O’Brien, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador da ajuda de emergência da Organização, em um comunicado.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), chefiado por O’Brien, um número estimado de 50 mil civis, incluindo pelo menos 20mil crianças, estão impossibilitados de deixar Fallujah, onde uma grande operação militar contra o grupo terrorista ISIL está em curso.

Relatos indicam que estes civis estejam em condições precárias, enfrentando a escassez de alimentos, água potável e medicamentos.

“Nós e nossos parceiros continuamos a ouvir relatos alarmantes de mortes de civis em Fallujah devido ao pesado bombardeio, com várias centenas de famílias sendo usadas como escudos humanos pelo ISIL, e crianças em risco de recrutamento forçado pelas partes em conflito ou em risco de serem separadas de suas famílias”, alertou.

“Os civis devem ser autorizados a circular livremente para áreas mais seguras, e todos os que fogem devem ter acesso a ajuda e proteção. As pessoas detidas por uma triagem de segurança devem ser tratadas de forma lícita, e seus direitos garantidos. Todas as partes envolvidas neste conflito são obrigadas a respeitar o direito internacional humanitário e dos direitos humanos e fazer todo o possível para proteger os civis”, acrescentou.

O’Brien indicou que o governo do Iraque e parceiros humanitários criaram campos no distrito de Ameriyat al-Falluja, onde as autoridades estão ajudando a transportar as famílias que escapam da cidade e fornecendo informações para pessoas que querem sair. Ao mesmo tempo, a comunidade humanitária continua fornecendo água, cuidados de saúde, comida, abrigo e outros tipos de assistência de emergência às pessoas que fogem da cidade.

Em todo o Iraque, 10 milhões de pessoas precisam de alguma forma de assistência humanitária, e estima-se que mais de 3 milhões vivam em áreas sob controle do ISIL.

“À medida que o mundo muçulmano se prepara para marcar o mês sagrado do Ramadã, devemos mostrar às crianças, mulheres e homens do Iraque que o mundo está empenhado em ajudá-los em seu momento mais desesperador” acrescentou O’Brien.

Centenas de mortos em maio

Um total de 867 iraquianos foram mortos e outros 1.459 ficaram feridos em atos de terrorismo, violência e conflito armado no Iraque em maio, de acordo com o registro da Missão das Nações Unidas de Assistência para o Iraque (UNAMI).

“Civis iraquianos têm sido diariamente alvo de ataques terroristas suicidas e com carros-bomba. Em alguns desses ataques, os peregrinos têm virado um alvo particular. Bairros residenciais sofreram danos pesados. Confrontos armados não poupam ninguém”, disse o representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, Jan Kubis.

“Mas a vontade do povo iraquiano, apesar de toda a carnificina, permanece inabalável e isso dá esperança para o futuro”, acrescentou, exortando o governo do Iraque a “fazer todos os esforços para evitar a ocorrência de tais atrocidades”.

Em abril, os registros da ONU contabilizaram um total de 741 pessoas mortas e 1.374 feridas.

Os números de maio, no entanto, são provavelmente maiores, pois não contabilizam as vítimas de Anbar, local com pesados conflitos nos últimos dias, tornando qualquer tipo de verificação muito difícil. A província de Bagdá é a mais afetada pela violência, com 1.007 incidentes envolvendo civis, incluindo 267 mortos e 740 feridos.

A UNAMI observou que, em geral, tem sido impedida de verificar de forma eficaz baixas em áreas de conflito. Em alguns casos, só foi possível parcialmente a verificação dos dados.