ONU manifesta “profunda preocupação” com a crise no Haiti

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu na última sexta-feira (1), em Genebra, investigação independente sobre as violações cometidas no Haiti.

Pelo menos 42 pessoas morreram e 86 ficaram feridas desde 15 de setembro, quando começou uma nova onda de protestos no país. A grande maioria sofreu ferimentos à bala.

Porto Príncipe, capital do Haiti. Foto: Minujusth/Leonora Baumann

Porto Príncipe, capital do Haiti. Foto: Minujusth/Leonora Baumann

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) pediu na última sexta-feira (1) investigação independente sobre as violações cometidas no Haiti.

Pelo menos 42 pessoas morreram e 86 ficaram feridas desde 15 de setembro, quando começou uma nova onda de protestos no país. A grande maioria sofreu ferimentos À bala.

A nota divulgada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) revela “profunda preocupação” com a prolongada crise no Haiti e seu impacto na capacidade da população acessar seus direitos básicos – como a saúde, alimentação, educação e outras necessidades.

“É crucial que todos os atores tomem as medidas necessárias para apoiar e promover soluções pacíficas para as várias queixas que levaram os haitianos às ruas repetidamente nos últimos 16 meses. Estamos prontos para apoiar tentativas de resolução da situação atual, aliviando o sofrimento do povo do Haiti”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Acessos e serviços comprometidos

No Haiti, a maioria dos alunos não consegue ir à escola desde o início do ano letivo, em setembro. Foto: PMA Haiti.

No Haiti, a maioria dos alunos não consegue ir à escola desde o início do ano letivo, em setembro. Foto: PMA Haiti.

A maioria dos alunos não consegue ir à escola desde o início do ano letivo, em setembro. Com as barricadas e a violência, ficou mais difícil o acesso à comida, à água potável, a medicamentos e combustível, especialmente fora da capital. Além disso, profissionais de saúde enfrentam dificuldades para chegar ao seu local de trabalho.

“Pedimos que todas as partes evitem prejudicar o funcionamento dos hospitais e facilitem o acesso aos cuidados de saúde e de ajuda humanitária.”

Relatórios internos indicam que a maioria das vítimas foi ferida a balas e que forças de segurança teriam causado 19 das 42 mortes. Outros perderam suas vidas por ação de pessoas armadas.

Um jornalista foi morto, nove ficaram feridos e outros foram ameaçados. “Pedimos que todos os atores parem de atacar jornalistas e respeitem a liberdade de imprensa”, reforçou a porta-voz.

O comunicado destaca também que é preciso haver investigações completas, transparentes e independentes após o anúncio da Inspetoria Geral da Polícia Nacional do Haiti sobre as alegações de violações de direitos humanos cometidos pela corporação.