ONU manifesta preocupação com prisão de defensores de direitos humanos na Turquia

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) manifestou grande preocupação com a prisão de dez ativistas de direitos humanos da Turquia – incluindo a diretora da ONG Anistia Internacional no país. As prisões seguem uma onda de detenções de outros ativistas. Para o ACNUDH, “defensores de direitos humanos não podem ser silenciados”.

Mustafa, que era repórter fotográfico do jornal Yeni Safak, foi baleado em Istambul, na Turquia. Foto: EBC

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O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) manifestou grande preocupação com a prisão de dez ativistas de direitos humanos da Turquia – incluindo dois estrangeiros e a diretora da ONG Anistia Internacional no país, Idil Eser – pelo governo local durante um workshop na última quarta (5).

Em um comunicado à imprensa nesta sexta (7), o ACNUDH alertou para o considerável risco de tortura e outras formas de tratamento ‘cruéis, desumanas e degradantes’ que os ativistas podem sofrer na prisão. Segundo a agência da ONU, eles estão sendo interrogados sobre alegações de “pertencerem a organizações terroristas armadas”.

“Isso ressalta nossa preocupação de que a legislação antiterrorista esteja sendo usada de forma abusiva para oprimir indivíduos tentando exercer pacificamente seus direitos civis e políticos”, afirmou o ACNUDH. “É particularmente preocupante que tenham sido detidos durante um workshop sobre segurança digital e proteção para defensores de direitos humanos.”

Além de Idil Eser, outros sete ativistas foram presos: İlknur Üstün, da Women’s Coalition; o advogado Günal Kurşun, da Human Rights Agenda Association; Nalan Erkem, também advogada, da Citizens Assembly; Nejat Taştan, da Equal Rights Watch Association; Özlem Dalkıran, da Citizens’ Assembly; e Şeyhmuz Özbekli e Veli Acu, ambos da Human Rights Agenda Association. Também foram detidos dois especialistas estrangeiros – um alemão e um sueco – e o dono do hotel onde o workshop era realizado.

A nova onda de detenções ocorre pouco mais de um mês depois que o presidente do conselho da Anistia Internacional na Turquia, Taner Kiliç, foi preso junto com outros 22 advogados. Eles continuam sob custódia. Em maio deste ano, outros dois defensores de direitos humanos, os professores Nuriye Gülmen e Semih Özakça, foram detidos depois de protestarem contra suas demissões. Segundo informações da imprensa internacional, eles estão há quatro meses em greve de fome, tão fracos que encontram dificuldades de locomoção.

“Estamos seriamente preocupados com todas as prisões arbitrárias e detenções de defensores dos direitos humanos no país. Em um contexto de emergência, o governo parece ter criminalizado o exercício legítimo dos direitos à liberdade de reunião e associação pacíficas e à liberdade de opinião e expressão, utilizando decretos de emergência que não atendem aos padrões internacionais de direitos humanos”, declarou o ACNUDH.

O comunicado encerra com um forte apelo: “Defensores de direitos humanos não podem ser silenciados. Pedimos que o governo turco garanta que eles possam continuar com seu trabalho legítimo num ambiente seguro, favorável e sem medo”.


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