ONU manifesta preocupação com gravidade da crise humanitária na RD Congo

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Apesar da grande oferta de recursos naturais e de consideráveis transformações socioeconômicas após iniciativas lideradas pelo governo, os anos de violência por grupos armados, conflitos étnicos e instabilidade política criaram grande insegurança alimentar, segundo o escritório humanitário das Nações Unidas.

UNICEF estima que cerca de 800 mil crianças foram deslocadas por conflitos interétnicos nas províncias de Tanganyika e Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Alguns, como esta jovem e sua irmã, buscaram refúgio em acampamentos improvisados que foram criados em torno da cidade de Kalemie. Foto: UNICEF/Vockel

UNICEF estima que cerca de 800 mil crianças foram deslocadas por conflitos interétnicos nas províncias de Tanganyika e Kivu do Sul, na República Democrática do Congo. Alguns, como esta jovem e sua irmã, buscaram refúgio em acampamentos improvisados que foram criados em torno da cidade de Kalemie. Foto: UNICEF/Vockel

Apesar da grande oferta de recursos naturais e de consideráveis transformações socioeconômicas após iniciativas lideradas pelo governo, os anos de violência por grupos armados, conflitos étnicos no leste do país e instabilidade política criaram grande insegurança alimentar, segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A primeira conferência internacional para auxílio à República Democrática do Congo (RDC), ocorrida no Escritório das Nações Unidas em Genebra em abril, deu alertas pessimistas sobre a crescente crise humanitária que aflige o país africano.

De acordo com Mark Lowcock, chefe humanitário da ONU, mais de 2 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda severa, e 13 milhões de habitantes precisam de assistência urgente, o dobro do número dos necessitados no ano anterior.

De acordo com ele, o país enfrenta o “pior surto de cólera em quinze anos”, e uma “epidemia de violência sexual”, cometida majoritariamente contra crianças.

Além disso, milhares de agricultores na província de Kasai sofreram com a perda de temporadas de cultivo sucessivamente, resultando em uma queda de produção.

A necessidade de garantia de fundos para prestar auxílio à RDC foi reforçada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em seu discurso de abertura à conferência.

Guterres também apelou aos Estados-membros por meio de uma mensagem em vídeo sobre a importância de mostrar solidariedade a “milhões de pessoas que estão sofrendo” em uma das maiores crises humanitárias do mundo, enquanto a ONU e o governo da RDC continuam a colaborar para responder às necessidades.

Segundo a ONU, o país precisa de um auxílio de 1,7 bilhão de dólares, quase quatro vezes mais do que o montante garantido no ano passado.

Além disso, são necessários mais 500 milhões de dólares para apoiar 807 mil refugiados congoleses em países vizinhos e mais de 540 mil refugiados de outros países que buscaram asilo na RDC.

Sigrid Kaag, a ministra do Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, descreveu a RDC como palco de um conflito “esquecido” que precisa desesperadamente de apoio da comunidade internacional.

Ela enfatizou o impacto da violência de gênero contra meninas e mulheres jovens que conheceu em uma recente visita ao país, descrevendo como algumas pediram ajuda na forma de kits de estupro, enquanto outras perguntaram como cuidar dos bebês que haviam dado à luz após abuso sexual.

Durante a conferência, Jean-Philippe Chauzy, da Organização Internacional para as Migrações (OIM), reforçou a importância da cooperação internacional para prestar ajuda ao país: “Confrontada com o aumento das tensões intercomunitárias, a instabilidade política e um ambiente cada vez mais inseguro, a comunidade humanitária internacional precisa fortalecer seu apoio e compromisso com o povo congolês”.

Ele acrescentou: “Nós simplesmente não podemos ignorar a velocidade e a magnitude dessa crise”.


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