ONU lembra importância de defender direitos humanos frente a discursos de ódio

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lembrou a importância da defesa dos direitos humanos em um momento de múltiplos conflitos, crescentes necessidades humanitárias e aumento do discurso de ódio. As declarações foram feitas para o Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, data em que a Assembleia Geral adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948.

Neste sábado (10), às 12h (horário de Brasília), haverá uma sessão de perguntas e respostas ao vivo pela rede social Facebook com o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

Uma menina síria ainda assustada, após ter realizado a arriscada travessia pelo Mediterrâneo rumo a Lesbos, na Grécia. Foto: ACNUR/Giles Duley

Uma menina síria ainda assustada, após ter realizado a arriscada travessia pelo Mediterrâneo rumo a Lesbos, na Grécia. Foto: ACNUR/Giles Duley

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lembrou neste sábado (10) a importância da defesa dos direitos humanos em um momento de múltiplos conflitos, crescentes necessidades humanitárias e aumento do discurso de ódio.

“Como secretário-geral das Nações Unidas na última década, eu repetidamente enfatizei a interdependência dos três pilares das Nações Unidas — paz, desenvolvimento sustentável e direitos humanos”, declarou Ban em comunicado. “Juntos, elas formam a base de sociedades resilientes e coesas firmadas na inclusão, na justiça e no Estado de direito”, completou.

Segundo Ban, os direitos humanos estão no coração do trabalho e da identidade das Nações Unidas, enquanto esse entendimento está no centro da iniciativa “Direitos Humanos em Primeiro Lugar” da ONU.

“Em um momento de múltiplos conflitos, crescentes necessidades humanitárias e aumento do discurso de ódio, a Declaração Universal dos Direitos Humanos nos lembra que o reconhecimento dos ‘direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é a base da liberdade, da justiça e da paz no mundo'”, declarou.

Este também é o espírito da campanha da ONU lançada recentemente “Juntos — Respeito, Segurança e Dignidade para Todos”, cujo objetivo é lutar contra a xenofobia enfrentada por refugiados e migrantes.

“Também precisaremos deste espírito para combater o extremismo, interromper o desrespeito às leis humanitárias internacionais e defender grupos da sociedade civil que enfrentam medidas cada vez mais duras que os impedem de exercer seu papel vital.”

“Defender os direitos humanos é do interesse de todos. O respeito aos direitos humanos significa bem-estar para cada indivíduo, estabilidade para cada sociedade e harmonia para nosso mundo interconectado”, disse Ban.

Para Ban, todos podem e devem agir na vida cotidiana em defesa dos direitos humanos das pessoas à sua volta. Essa é a força propulsora por trás da nova campanha global que está sendo lançada pelo escritório de direitos humanos da ONU — “Manifeste-se pelo direito de alguém hoje”.

Neste sábado (10) às 12h (horário de Brasília), as Nações Unidas promovem uma sessão de perguntas e respostas ao vivo pela rede social Facebook (clique aqui) com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

“Onde quer que estejamos, cada um de nós pode fazer a diferença pelos direitos humanos — no nosso bairro, escola, trabalho, mídias sociais, em casa e mesmo em arenas esportivas no mundo todo. Juntos, vamos nos manifestar pelo direito de alguém. Hoje, amanhã e todos os dias”, concluiu Ban.

UNESCO: ideal comum a ser atingido por todo os povos

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, afirmou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 1948 como um “ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações”.

“Todos os anos, o Dia dos Direitos Humanos oferece uma oportunidade para que todos se renovem o espírito da longa luta da humanidade por direitos e dignidade, assim como para se mobilizar contra desafios antigos e novos, na forma de pobreza e desigualdade, violência, exclusão e discriminação”, declarou Bokova.

Ela lembrou que, atualmente, em todo o mundo, milhões de mulheres e homens abandonam seus lares e arriscam suas vidas e as de suas famílias na busca por um futuro melhor. “Em todas as regiões, as sociedades são afetadas por movimentos de pessoas sem precedentes. Em todas as partes, as pessoas mais pobres e mais marginalizadas continuam sendo as que mais sofrem”, disse.

“Isso é inaceitável — tal resposta pede a ação dos governos e da comunidade internacional. Acima de tudo, pede que cada um de nós se mobilize para defender os direitos de outras pessoas. Isso é essencial para fazer avançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, para realizar a promessa de não deixar ninguém para trás.”

UNAIDS pede fim da discriminação e dos estigmas

No Dia dos Direitos Humanos, o UNAIDS pediu que o mundo se manifeste pelos direitos das pessoas mais discriminadas e marginalizadas, e pelo fim do estigma e das violações aos direitos humanos.

Segundo o programa da ONU, as comunidades mais afetadas pelo HIV precisam estar significativamente envolvidas na resposta à AIDS se “quisermos superar o estigma, a discriminação e a negação de direitos humanos que continua colocando pessoas em risco de HIV e as nega acesso à prevenção e serviços de tratamento”.

“A resposta à AIDS demonstrou a importância e os resultados tangíveis de superar as violações aos direitos humanos que estão impulsionando a epidemia”, disse o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. “A voz e a liderança das pessoas vivendo com HIV e de populações-chave permanecem essenciais para o fim da epidemia de AIDS. O UNAIDS se manifesta por seus direitos e para uma participação significativa das comunidades afetadas”.

Direitos humanos criam a base das sociedades, diz UNODC

Os direitos humanos empoderam cada área de nossas vidas e, juntos, criam a base para cada nação e cada sociedade, disse por sua vez o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov.

“Dos governos às menores comunidades, os direitos humanos são os garantidores da paz, da segurança e do desenvolvimento”, declarou. Segundo ele, parte do DNA do UNODC, os direitos humanos estão visíveis nas convenções da ONU sobre drogas, corrupção e crime transnacional organizado, particularmente em seus protocolos sobre o tráfico de seres humanos e de migrantes, e nos diversos instrumentos sobre terrorismo.

“Nossos esforços globais estão desenhados para ajudar a proteger as pessoas do tráfico de drogas e defender os direitos dos usuários vulneráveis, das vítimas do tráfico de pessoas e dos prisioneiros isolados, entre muitos outros. Cada um desses indivíduos precisa saber que seus direitos fundamentais são mantidos e protegidos”, disse.

“No Dia dos Direitos Humanos, peço que continuemos o trabalho crucial de combater as drogas, o crime, a corrupção e o terrorismo, enquanto garantimos que os direitos humanos sejam mantidos, e a dignidade de todos respeitada.”


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