ONU lança site para troca de experiências em transição pós-conflito

Plataforma é aberta a agências governamentais e instituições da sociedade civil e visa estabelecer uma pareceria igual entre países que já passaram ou estão passando por situações pós-conflito.

Capacetes azuis brasileiros no Haiti.Instituições nacionais que criam confiança entre os cidadãos e o Estado oferecendo inclusão política, segurança, justiça e emprego são a guarda mais eficaz contra conflitos. Muitos países têm experiência na construção e transformação dessas instituições após conflitos ou crises, seja em casa ou em seus programas de cooperação no exterior.

Com isso em mente, a ONU lançou na sexta-feira (21) uma plataforma on-line simples e prática para permitir a troca de experiências entre países que estão passando por transições agora e outros que já passaram por elas. Agências governamentais com experiência setorial especializada, ONGs pequenas e grandes e associações de diáspora são convidados a se cadastrar na plataforma CAPMATCH da Iniciativa das Nações Unidas para Capacidades Civis  no Pós-Conflito.

Especialista certo no lugar certo e na hora certa

“A Construção da Paz [Peacebuilding] exige uma grande flexibilidade, e abordagens sob medida para uma cada situação. Capacidades civis são extremamente importantes, e estamos tomando medidas para poder colocar os especialistas certos no lugar certo na hora certa”, disse o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.

A versão inicial do lançamento ilustra o tipo de pedidos e ofertas de experiência que a CAPMATCH visa proporcionar. O governo da Libéria, por exemplo, relata a necessidade de apoio na implementação de sua estratégia de desenvolvimento da capacidade nacional. Já o Departamento de Construção da Paz das Nações Unidas descreve a necessidade de consultores para apoiar reformas políticas e do judiciário de países com missões da ONU.

Há participantes que representam algumas das situações mais extremas de recuperação pós-conflito, onde as instituições nacionais necessitavam ser construídas a partir do zero em circunstâncias muito difíceis, como Ruanda ou Timor Leste, bem como experiências de processos de paz e transições democráticas onde as instituições eram fortes mas precisavam ser transformadas para servir os cidadãos de forma igualitária e proteger os direitos humanos, como no Chile e na República Tcheca.

Diversidade de experiências

O princípio subjacente da CAPMATCH é de parceria igual entre os países, reconhecendo que não existe um modelo único para a criação de instituições e que os países podem querer olhar para vários tipos diferentes de experiência e adaptá-los aos seus próprios contextos nacionais. Países podem ser tanto solicitantes e provedores de conhecimento; a Costa do Marfim, por exemplo, se oferece a compartilhar a experiência de seu processo na primeira eleição pós-conflito, mas também observa o seu desejo de fazer mais trocas externas em continuar a estabelecer as funções de sua Comissão Eleitoral Independente.

“Eu acredito que CAPMATCH fará uma diferença real”, afirmou a Assessora Especial e Assistente do Secretário-Geral para capacidades civis, Sarah Cliffe. “Estou muito contente de que uma gama tão ampla de Estados-Membros e ONGs, dois terços dos quais do Sul, já tenham se inscrito. Eu encorajo mais agências governamentais e organizações da sociedade civil a participar – quanto mais ampla a participação, mais útil será a CAPMATCH.”