ONU lança nova estratégia para jovens liderarem conquista da Agenda 2030

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta segunda-feira (24) uma nova estratégia de parceria com 1,8 bilhão de jovens do mundo com o objetivo de ajudar a colocar “suas ideias em ação”.

Notando que foi uma satisfação ver tantos rostos jovens na ONU para lançar a nova estratégia “Juventude 2030”, Guterres destacou uma lista de desafios que “a maior geração jovem da história” enfrenta hoje.

Ele observou que “globalização, novas tecnologias, deslocamento, encolhimento do espaço cívico, mudanças nos mercados de trabalho e impactos climáticos” pressionam a juventude em toda parte.

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta segunda-feira (24) uma nova estratégia de parceria com 1,8 bilhão de jovens do mundo com o objetivo de ajudar a colocar “suas ideias em ação”.

Notando que foi uma satisfação ver tantos rostos jovens na ONU para lançar a nova estratégia “Juventude 2030”, Guterres destacou uma lista de desafios que “a maior geração jovem da história” enfrenta hoje.

Ele observou que “globalização, novas tecnologias, deslocamento, encolhimento do espaço cívico, mudanças nos mercados de trabalho e impactos climáticos” pressionam a juventude em toda parte.

Segundo ele, mais de um quinto dos jovens não trabalha, estuda ou passa por treinamentos; um quarto é afetado por violência ou conflito armado; e os jovens permanecem excluídos dos programas de desenvolvimento, ignorados nas negociações de paz e ignorados na maioria das decisões internacionais.

Ao mesmo tempo, ele lembrou que os jovens são “uma vasta fonte de inovação, ideias e soluções”, que pressionam pelas mudanças necessárias em tecnologia, ação climática, inclusão e justiça social.

“Capacitar os jovens, apoiá-los e garantir que eles possam realizar seu potencial são fins importantes em si mesmos”, enfatizou. “Nós queremos isso para todas as pessoas, em todos os lugares.”

Além disso, para cumprir a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável para um mundo mais pacífico, sustentável e próspero, “precisamos que os jovens liderem”, acrescentou.

Ao apresentar a “Juventude 2030: A Estratégia das Nações Unidas para a Juventude”, ele disse que a iniciativa tinha como objetivo engajar a ONU com os jovens, mas, sobretudo, empoderá-los.

Lembrando que a Organização trabalhou durante décadas para a juventude, Guterres manifestou a esperança de que a nova estratégia torne a ONU “uma líder” ao trabalhar com eles, “compreendendo suas necessidades, ajudando a colocar suas ideias em prática, assegurando seus pontos de vista, informar nossos processos”.

“E, à medida que mudamos, trabalharemos com nossos parceiros para fazer o mesmo” e estimular novas parcerias, disse o chefe da ONU, identificando cinco áreas principais: abrir novas rotas para envolver os jovens e amplificar suas vozes; fortalecer o foco da ONU no acesso a serviços de educação e saúde.

Outras prioridades incluem colocar seu empoderamento econômico na frente das estratégias de desenvolvimento, com foco em treinamento e empregos; trabalhar para garantir seus direitos e engajamento cívico e político; priorizar o apoio a jovens em conflito e em crises humanitárias, incluindo a sua participação nos processos de paz.

“Hoje é o início de uma nova era para os jovens nas Nações Unidas”, disse ele, incentivando todos a ajudar a avançar.

Ele instou os Estados-membros a investir e capacitar os jovens no nível nacional; desafiou as empresas a fornecer aos jovens competências e oportunidades; e pediu que a sociedade civil mantenha a pressão.

E para todos os jovens, Guterres enfatizou: “inscreva-se, voluntarie-se, vote. Seja parte da solução”. “Precisamos de você como parceiros e líderes. Precisamos de você enquanto construímos um mundo pacífico e mais sustentável”, concluiu ele.

Por sua parte, Henrietta Fore, diretora-executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), contou que costumava sentar-se com os jovens para ouvir e compartilhar suas ideias, entusiasmo e visão para o futuro.

Ela também escutou suas preocupações, como falta de emprego, falta de educação e violência em casa e on-line, bem como na escola e nos bairros onde moram.

“E as meninas estão preocupadas com a discriminação e a violência que enfrentam apenas porque são meninas”, lamentou.

Ao iniciar a iniciativa Generation Unlimited, ou Gen-U, de múltiplas parcerias para garantir que todos os jovens estejam na escola ou empregados até 2030, Fore pediu a governos, empresas, fundações, instituições acadêmicas, organizações sem fins lucrativos e inovadores que ajudem com “soluções de ponta e novas ideias”.

“Nosso tempo. Nossa vez. Nosso futuro ilimitado”, declarou ela a uma multidão receptiva na sede da ONU.

Observando que uma “enorme geração está prestes a herdar nosso mundo”, a chefe do UNICEF concluiu pedindo “um legado de esperança e oportunidades para eles e, mais importante, com eles”.

Abrindo a sessão, a enviada da ONU para a juventude, Jayathma Wickramanayake, admitiu que dar início à estratégia de juventude e à parceria Gen-U “não tem sido uma tarefa fácil”, mas imediatamente quebrou o protocolo e convidou jovens e ativistas na sala a falar diante dos funcionários de alto nível.

Batool Alwahdani, oradora que representa a Federação Internacional da Associação de Estudantes de Medicina, disse que a cada dia ela reflete sobre seu futuro e pensa fora da caixa para resolver problemas, consciente da necessidade de agir sempre.

“Somos voluntários em organizações de jovens, criamos uma confusão em torno de nós e reivindicamos nossas plataformas de engajamento”, disse ela. “Temos esperanças, sonhos, determinação e energia”, completou, sinalizando que isso já foi “mais do que suficiente para resolver importantes problemas lá fora”.

Falando em nome daqueles que não puderam comparecer à reunião — por exemplo, os que foram forçados ao trabalho sexual, marginalizados, estão passando fome, não têm instrução ou estão desempregados —, Alwahdani pediu aos próprios jovens que usem novas tecnologias para inovar, criar empregos, fechar lacunas na educação, defender os direitos humanos e criar revoluções pacíficas para se ajudarem.

“Sabemos que temos o direito de liderar. Não só hoje. Não só amanhã, mas em todos os momentos”, enfatizou, lembrando a todos na sala que a juventude estará vivendo com as consequências.

Investir em saúde, educação

Ao mesmo tempo, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, expressou sua preocupação pessoal com o mundo que seus dois filhos jovens herdarão, com bilhões de outros.

Referindo-se ao caminho de sucesso de sua terra natal, a Coreia do Sul, nas últimas décadas, Kim disse: “quando as aspirações são recebidas com oportunidade, você obtém um crescimento econômico dinâmico”.

Ele explicou que, como a Coreia investiu em “saúde, educação e tudo o que é necessário”, ele teve a oportunidade de se tornar presidente do Banco Mundial, enquanto a banda pop coreana BTS, também no evento, conseguiu forjar uma carreira de sucesso na música e no entretenimento.

“A natureza do trabalho está mudando muito rapidamente e muitos, muitos países não estão preparados”, disse Kim, completando que os empregos serão mais exigentes digitalmente e exigirão mais perseverança e determinação do que nunca.

Apontando que existem 1,8 bilhão de pessoas entre 15 e 30 anos, com os países em desenvolvimento abrigando meio bilhão de jovens com condições precárias de trabalho, e que 300 milhões não têm emprego ou educação, ele ressaltou que “estamos em uma mudança demográfica de proporções extraordinárias”.

Observando que, durante os anos 1960 e 1970, os jovens norte-americanos costumavam dizer que “não confiam em ninguém com mais de 30 anos”, ele aconselhou os jovens a “não confiar em ninguém com mais de 30 anos para tomar as decisões mais importantes que afetarão seu futuro”.

“Não nos deixe decidir quanto gastamos em saúde e educação”, afirmou, instruindo os jovens a insistir que o suficiente seja gasto para que todos possam se tornar o que quiserem.