ONU lamenta morte de Kofi Annan

A Organização das Nações Unidas lamentou neste sábado (18) a morte do ex-secretário-geral Kofi Annan. O reconhecido diplomata de Gana tinha 80 anos de idade.

O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que ele era “uma força motora para o bem” e “um orgulhoso filho da África que se tornou um defensor mundial da paz e de toda a humanidade”.

Ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan - Foto: Sergey Bermeniev/ONU

Ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan – Foto: Sergey Bermeniev/ONU

A Organização das Nações Unidas lamentou a morte do ex-secretário-geral Kofi Annan, que morreu após uma breve doença, segundo um comunicado publicado em sua conta oficial de Twitter neste sábado (18). O reconhecido diplomata de Gana tinha 80 anos de idade.

O atual secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou que ele era “uma força motora para o bem” e “um orgulhoso filho da África que se tornou um defensor mundial da paz e de toda a humanidade”.

“Como tantos outros, eu tinha orgulho de chamar Kofi Annan como um bom amigo e mentor. Fiquei profundamente honrado pela sua confiança ao me selecionar para servir, sob sua liderança, como alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados. Ele permaneceu alguém a quem sempre pude recorrer para aconselhamento e sabedoria — e sei que não estava sozinho”, afirmou Guterres em comunicado.

“Ele deu a muitas pessoas, em muitos lugares, um espaço para diálogo, um lugar para resolução de problemas e um caminho para um mundo melhor. Nestes tempos árduos e turbulentos, ele nunca parou de trabalhar para dar vida aos valores da Carta das Nações Unidas. Seu legado permanecerá como uma inspiração verdadeira para todos”, assinalou o secretário-geral.

Para Guterres, Kofi Annan era a ONU: “ele trilhou a carreira para liderar a Organização no novo milênio com inigualável dignidade e determinação”.

Nascido em Kamasi, Gana, em 8 de abril de 1938, Kofi Annan entrou no sistema ONU em 1962 como oficial administrativo e orçamentário na Organização Mundial da Saúde, em Genebra, avançando na carreira até postos mais altos em áreas como finanças, orçamento e manutenção da paz. Ele foi secretário-geral por dois períodos consecutivos de cinco anos, a partir de janeiro de 1997.

O presidente da 72ª Sessão da Assembleia Geral, Miroslav Lajčák, recordou que Kofi Annan era um dos mais respeitados diplomatas do mundo —  “um extraordinário estadista e um visionário defensor do multilateralismo”. “O vencedor do Prêmio Nobel da Paz tinha profunda convicção no diálogo, comprometido defensor da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos”, afirmou.

Em memória ao ex-secretário, todos os escritórios das Nações Unidas ao redor do mundo deverão manter a bandeira da ONU a meio-mastro por três dias (19 a 21 de agosto).

No Brasil, haverá um ato simbólico nesta segunda-feira (20), às 17h30, na Casa da ONU, em Brasília (DF), quando a bandeira das Nações Unidas será hasteada a meio mastro, e o livro de condolências ficará aberto até sexta-feira (24).

‘Amigo de milhares e líder de milhões’

O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, também lamentou a perda. “Estou angustiado com a morte de Kofi Annan. Kofi foi o melhor exemplo da humanidade, o epítome da decência e graça humanas. Em um mundo agora cheio de líderes que são tudo menos isso, nossa perda, a perda do mundo se torna ainda mais dolorosa.”

Zeid destacou que Annan era “amigo de milhares e líder de milhões”.

“Para mim – como para tantos na ONU, ele era meu chefe imediato quando eu tinha 31 anos de idade – e que chefe! Ele sempre foi corajoso, direto no discurso, mas nunca descortês – nunca descortês. Mais tarde, quando eu era embaixador na ONU, ele nos inspirou, sendo um líder dinâmico e carismático como secretário-geral. E, acima de tudo, ele era um amigo e conselheiro – para mim e para tantos outros. Sempre que – como alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, eu me sentia isolado e sozinho politicamente (o que, nos últimos quatro anos, muitas vezes era), eu ia fazer longas caminhadas com ele por Genebra – e ouvir.”

E acrescentou: “Quando lhe contei uma vez como todos estavam reclamando de mim, ele olhou para mim – como um pai olharia para um filho – e disse severamente: ‘você está fazendo a coisa certa, deixe-os resmungar”. Então ele sorriu! Existem alguns seres humanos que parecem insubstituíveis para nós, seres humanos raros. Kofi Annan é alto entre eles.”

Michel Sidibé: “uma luz brilhante da África faleceu”

O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), Michel Sidibé, afirmou que “uma luz brilhante da África faleceu”, lembrando que Annan era um africano “de coração e cidadão global” e “simbolizava o melhor da humanidade”.

“Ele era um revolucionário, um inovador e um solucionador de problemas. Na virada do século, o negacionismo da AIDS estava no auge. Kofi Annan ajudou a quebrá-lo”, lembrou Sidibé.

“Mais pessoas morreram por causas relacionadas à AIDS na África no ano passado do que em todas as guerras no continente. A AIDS é uma grande crise para o continente, os governos precisam tomar uma atitude. Devemos acabar com a conspiração do silêncio e a vergonha colocada sobre essa questão”, disse Annan, em citação lembrada pelo chefe do UNAIDS. (leia a mensagem na íntegra aqui)


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