ONU inicia conversas informais para selecionar próxima(o) secretária(o)-geral

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Candidatos serão informalmente sabatinados por membros da ONU e receberão perguntas da sociedade civil enviadas pelas redes sociais. Entre os oito candidatos, quatro são mulheres indicadas por Bulgária, Croácia, Moldávia e Nova Zelândia.

Até quinta-feira (14), os oito candidatos oficiais responderão perguntas sobre desenvolvimento sustentável, esforços para criação de paz, proteção dos direitos humanos, catástrofes humanitárias e desafios definidos pela Agenda 2030. Os eventos podem ser seguidos ao vivo pela TV da ONU (http://webtv.un.org).

Delegados se reúnem na Assembleia Geral. Foto: ONU / Rick Bajornas

Foto: ONU / Rick Bajornas

Ao lançar o que chamou de “um processo novo e transparente”, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, abriu nesta terça-feira (12) diálogos informais com candidatos para o cargo de próxima(o) secretária(o)-geral das Nações Unidas, oferecendo pela primeira vez uma chance de engajamento entre postulantes, membros da organização e da sociedade civil.

“Estamos navegando em águas inexploradas”, disse Lykketoft, durante coletiva de imprensa antes do início dos diálogos informais. Tradicionalmente, o processo seletivo para o cargo era feito a portas fechadas por algumas potências globais.

Chamando o processo de um “potencial exercício de mudança”, o presidente da Assembleia Geral da ONU disse que as conversas são parte de uma discussão “transparente e interessante” sobre o futuro das Nações Unidas.

Nos próximos três dias, os oito candidatos oficiais responderão perguntas sobre desenvolvimento sustentável, esforços para criação de paz, proteção dos direitos humanos, catástrofes humanitárias e desafios definidos pela Agenda 2030.

No fim do processo, um dos candidatos poderá se destacar frente aos demais, tornando difícil para o Conselho de Segurança – que tem a tarefa da seleção oficial, como determinado pela Declaração da ONU – escolher outro postulante, disse Lykketoft.

Definindo algumas das qualidades de quem seria a “melhor pessoa” para o cargo, ele citou independência, autoridade moral, ótimas habilidades políticas e diplomáticas e alguma experiência em chefiar grandes organizações.

Como parte dos diálogos informais, cada candidato terá duas horas para realizar uma apresentação oral e responder a perguntas, sendo que o processo será televisionado e transmitido pela Internet.

Representantes dos Estados-membros farão perguntas, seguidos pelo presidente da Assembleia Geral, que fará algumas das mais de 1 mil questões enviadas pelo público em geral nas redes sociais com a hashtag #UNSGcandidates.

Os três candidatos que se apresentaram à Assembleia Geral nesta terça-feira estão listados abaixo, em ordem de apresentação. Eles mostraram suas visões sobre oportunidades e desafios a serem enfrentados pela ONU e pelo próximo(a) secretário(a)-geral, e responderam questões do público.

Igor Luksic é vice-premiê e ministro de Relações Exteriores e de Integração Europeia. Ele foi indicado pelo governo de Montenegro.

Igor Luksic, candidato de Montenegro para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Foto: ONU

Luksic também foi primeiro-ministro de Montenegro entre 2010 e 2012. Foto: ONU

 

Irina Bokova é atualmente diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Ela foi indicada pelo governo da Bulgária.

Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova. Foto: UNESCO/Ania Freindorf

Bokova foi a primeira mulher a comandar a UNESCO. Foto: ONU

 

António Guterres foi recentemente alto comissário das Nações Unidas para Refugiados. Ele foi indicado pelo governo de Portugal.

Antonio Gueterres foi primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002. Foto: ONU.

Antonio Gueterres foi primeiro-ministro de Portugal de 1995 a 2002. Foto: ONU.

 

Os demais candidatos que farão sua apresentação posteriormente são Srgjan Kerim, ex-chanceler da Macedônia e presidente da 62ª Sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York; Vesna Pusic, ex-ministra das Relações Exteriores e de Assuntos Europeus da Croácia.

Outros candidatos incluem Danilo Turk, ex-presidente da Eslovênia; Natalia Gherman, ex-ministra de Relações Exteriores e de Integração Europeia da Moldávia; e Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia e atual administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Após as sessões, cada candidato terá a oportunidade de falar com a imprensa. Os eventos podem ser seguidos ao vivo pela TV da ONU.

Abrindo os diálogos, Lykketoft declarou que enquanto a ONU enfrenta múltiplas crises em relação a “questões fundamentais sobre seu próprio papel e desempenho”, encontrar o melhor candidato para suceder o secretário-geral Ban Ki-moon é “absolutamente crucial”.

“Muito do que iniciamos hoje não tem precedentes na ONU”, declarou. “Pela primeira vez em 70 anos dessa organização, o processo para selecionar e indicar o próximo secretário-geral está sendo genuinamente dirigido por princípios de transparência e inclusão – e os diálogos que estão começando hoje são o centro dessa mudança”, acrescentou.

Um comitê da sociedade civil analisou mais de 1 mil questões enviadas de 70 países desde 26 de fevereiro, quando a chamada foi aberta à sociedade civil para a submissão de perguntas. O comitê concordou com uma lista de 30 questões, disse o presidente da Assembleia Geral.

“O nível de interesse nesses diálogos do público global e da sociedade civil é extraordinário”, disse.

Lykketoft declarou ainda que para o propósito de transparência e inclusão, cada candidato terá de responder uma ou duas questões da sociedade civil. Ele também planeja divulgar dez das questões remanescentes após os diálogos, e encorajar cada candidato a respondê-las por escrito.

A seleção será iniciada pelo Conselho de Segurança da ONU no fim de julho.


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