ONU-Habitat pede investimento na juventude para impulsionar economia das cidades

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A crise econômica mundial, iniciada em 2008, contribuiu para criar um fenômeno global: a geração “nem nem”. Um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos na América Latina não estuda nem trabalha, uma condição que afeta mais de 30 milhões de jovens na região e mais de 260 milhões no mundo.

Segundo o ONU-Habitat, em 2030, cerca de 60% da população urbana nas cidades terá menos de 18 anos. Com tantos jovens nas cidades, são necessárias medidas urgentes para reverter o efeito “nem nem” e garantir a igualdade de oportunidades, inclusão e desenvolvimento.

Com tantos jovens nas cidades, são necessárias medidas urgentes para reverter o efeito “nem nem” e garantir a igualdade de oportunidades, inclusão e desenvolvimento. Foto: Flickr/Ricardo Flores (CC)

Com tantos jovens nas cidades, são necessárias medidas urgentes para reverter o efeito “nem nem” e garantir a igualdade de oportunidades, inclusão e desenvolvimento. Foto: Flickr/Ricardo Flores (CC)

A crise econômica mundial, iniciada em 2008, contribuiu para criar um fenômeno global: a geração “nem nem”. Um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos na América Latina não estuda nem trabalha, uma condição que afeta mais de 30 milhões de jovens na região e mais de 260 milhões no mundo.

A esse panorama, soma-se outro grande desafio: segundo o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), em 2030, cerca de 60% da população urbana nas cidades terá menos de 18 anos.

Com tantos jovens nas cidades, são necessárias medidas urgentes para reverter o efeito “nem nem” e garantir a igualdade de oportunidades, inclusão e desenvolvimento.

O ONU-Habitat acredita que esse marcado aumento da população jovem representa uma oportunidade para as cidades. Aproveitar esse dividendo demográfico significa dar um impulso à produtividade econômica gerada por esse aumento da população ativa frente àqueles que não trabalham.

As cidades contribuem com cerca de 70% do PIB global, e fomentar a incorporação ativa dos jovens ao mercado de trabalho permite alimentar a economia e favorecer o crescimento.

Atualmente, quase 40% dos jovens na América Latina estão na informalidade, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). No caso das mulheres, o percentual sobe para 60%, de acordo com informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O ONU-Habitat estima que, caso a taxa de desemprego caísse pela metade, haveria uma injeção de até 4 trilhões de dólares na economia global.

Marco Kamiya, coordenador de economia urbana do ONU-Habitat, considera que os jovens têm um potencial produtivo e que o tema deve ser enfrentado por meio do impulso de suas capacidades produtivas.

“Precisamos fomentar a capacidade vocacional, os empreendimentos, o ajuste de sistemas educativos à economia local, e núcleos de participação no desenvolvimento urbano e regional”, disse.

Em vista dos rápidos avanços tecnológicos, os jovens da região possuem uma vantagem competitiva para liderar as transformações que ocorrerão nas cidades. O investimento nos jovens agora trará benefícios futuros, e cabe às políticas públicas antecipar essas mudanças e capacitar e preparar a juventude para se beneficiar das oportunidades que ainda surgirão, de acordo com o ONU-Habitat.

Nesse sentido, a agência da ONU desenvolve uma série de atividades para promover o dividendo demográfico como fonte de desenvolvimento. Especialistas da agência oferecem assessoria técnica a prefeituras e governos para que incluam a participação dos jovens no desenho das políticas públicas, e que estas absorvam o potencial oferecido pelos jovens na promoção de um crescimento econômico mais equitativo e no alcance do desenvolvimento urbano sustentável.

Por essa razão, a Nova Agenda Urbana, aprovada em outubro de 2016, trata a juventude como um tema transversal, considerando que todas as políticas e medidas devem se incorporar nesse tema de maneira integrada.

“As meninas e os meninos, as jovens e os jovens são fundamentais para conseguir a mudança e criar um futuro melhor e, quando são empoderados, têm um grande potencial para tomar a palavra em nome próprio e em nome de suas comunidades”, segundo o documento.

A unidade de economia urbana e do ONU-Habitat apoia projetos em todo o mundo para fomentar a incorporação dos jovens e aumentar sua empregabilidade. Em uma iniciativa-piloto, a Convocatório Cidade+Mais busca identificar projetos que necessitem fortalecer suas capacidades econômicas e financeiras em cidades médias na Argentina e na Colômbia.

Entre os requisitos para a seleção, está a capacidade de o projeto promover uma economia circular que gere retorno ao município e ofereça, principalmente, oportunidades para todos.

O prazo para inscrever os projetos encerrou 10 de junho para a Colômbia e 20 de junho para a Argentina.

Acesse aqui o link para a inscrição: http://bit.ly/ciudadmas.


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