ONU: Guerra na Síria continua provocando um custo humano e humanitário devastador na região

Os números de pessoas afetadas revelam a dimensão da tragédia, com cerca de 200 mil pessoas mortas e 10,8 milhões que necessitam de assistência humanitária.

“A crise na Síria é um desastre que infelizmente só fica pior a cada dia”, afirma o diretor de operações do OCHA. Foto: PMA/Abeer Etefa

“A crise na Síria é um desastre que infelizmente só fica pior a cada dia”, afirma o diretor de operações do OCHA. Foto: PMA/Abeer Etefa

“A guerra civil em curso na Síria e seus efeitos colaterais continuam a infligir um custo humano e humanitário devastador sobre os vizinhos Iraque, Líbano e Jordânia”, declarou nesta quarta-feira (29) o diretor de operações do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), John Ging. Ele alertou que o aumento do número de deslocados provoca grande pressão nos países que recebem os refugiados, deixando a ONU “correndo contra o tempo” para atender as necessidades locais.

Classificando a crise síria e suas consequências como “a maior crise humanitária que enfrentamos atualmente”, o diretor de operações do OCHA, que acabou de chegar da região, contou aos repórteres na sede da ONU em Nova York que “na realidade, é um desastre para milhões e milhões de pessoas que, infeliz e tragicamente, só piora a cada dia”.

Ging disse que os números sem precedentes de pessoas afetadas revelam a dimensão da tragédia que se desenrola, com um número estimado de 200 mil pessoas mortas e 10,8 milhões que necessitam de assistência humanitária. Além disso, cerca de 3,2 milhões fugiram para os países vizinhos e 6,4 milhões se deslocaram internamente. Ele disse, ainda, que 2,8 milhões de crianças estão fora da escola, colocando toda uma geração em risco.

“Como todos sabemos, a crise na Síria tem se expandido para o Iraque, e aqui novamente os números demonstram o sofrimento terrível e a miséria que estão sendo enfrentados por tantos”, disse Ging, destacando que no Iraque existem 5,2 milhões de pessoas precisando de assistência humanitária, “e este número ainda está crescendo”, alertou.

“O desafio é enorme e o impacto da escassez de financiamento é devastador, especialmente agora que entraremos no inverno”, explicou o diretor da OCHA, alertando que as crianças, os idosos e os mais vulneráveis são os que mais devem sofrer nos próximos meses.

“Estamos correndo contra o tempo. Há obviamente consequências humanitárias devastadoras, e isto requer a solidariedade internacional perante tudo o que foi visto até agora”, concluiu.