‘ONU faz muito com muito pouco’, diz representante do Brasil nas Nações Unidas sobre as forças de paz

“As missões de paz estão destinadas a continuar sendo uma das principais ferramentas da comunidade internacional para abordar ameaças à paz e à segurança”, disse Patriota.

Forças de paz da ONU patrulhando região de Mali. Foto: MINUSMA/Blagoje Grujic

Em discurso perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta quarta-feira (11), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a comunidade internacional precisa investir em mecanismos de defesa e construção da paz “neste momento crucial”, citando novas tendências e procedimentos que afetam essas operações, cujo o orçamento anual se aproxima aos 8 bilhões de dólares.

“O contínuo uso das forças de paz da ONU pelo Conselho atesta sua relevância, legitimidade e universalidade. A demanda por estas ações continuará”, atestou o chefe da ONU. Mais de dois terços de todas as forças militares, policiais e civis da Organização se concentram na República Centro-Africana, Darfur (Sudão), República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Mali.

O ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil e atual representante permanente do País junto às Nações Unidas, Antonio Patriota, acredita que “as missões de paz estão destinadas a  continuar sendo uma das principais ferramentas da comunidade internacional para abordar ameaças à paz e à segurança”. “Não há dúvidas de que essas forças possuem excelente custo-benefício e que, apesar das limitações, a ONU faz muito com muito pouco.”

Atualmente os capacetes-azuis da ONU estão sendo enviados para lugares que vivem crises onde não há lados facilmente identificáveis ou soluções e acordos políticos em andamento. Muitas vezes, elas se encontram em lugares onde a autoridade governamental é muito frágil e até inexistente, lembrou Patriota.

Mais de 116 mil pessoas, provenientes de 120 países, servem em 16 forças de paz. Desde a sua implementação em 1948, mais de um milhão de capacetes-azuis participaram em mais de 70 operações em quatro continentes.