ONU faz duras críticas a Israel por decisão de construir novos assentamentos na Cisjordânia

O secretário-geral da ONU criticou duramente a decisão das autoridades israelenses de avançar com seus planos de construir cerca de 560 casas no assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia, assim como 240 unidades residenciais em diversos assentamentos de Jerusalém Oriental.

As Nações Unidas também criticaram Israel pela demolição de casas palestinas na Cisjordânia na noite passada (3), enquanto as perspectivas para uma solução de dois Estados no conflito do Oriente Médio parecem estar cada vez mais distantes.

Crianças tornaram-se sem-teto em março depois que autoridades israelenses destruíram 53 estruturas na comunidade palestina de Khirbet Tana, localizada na Área C da Cisjordânia. Foto: OCHA

Crianças tornaram-se sem-teto em março depois que autoridades israelenses destruíram 53 estruturas na comunidade palestina de Khirbet Tana, localizada na Área C da Cisjordânia. Foto: OCHA

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou duramente nesta segunda-feira (4) a decisão das autoridades israelenses de avançar com seus planos de construir cerca de 560 casas no assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia, assim como 240 unidades residenciais em diversos assentamentos de Jerusalém Oriental.

A ação levanta questionamentos legítimos sobre as intenções de longo prazo de Israel, inclusive diante das frequentes declarações de alguns ministros israelenses pedindo a anexação da Cisjordânia, de acordo com comunicado emitido pelo porta-voz do secretário-geral da ONU.

Ban Ki-moon reiterou que os assentamentos são ilegais frente às leis internacionais e pediu que o governo de Israel interrompa e reverta tais decisões no interesse da paz e de um acordo final justo entre as partes.

O secretário-geral da ONU disse estar profundamente desapontado com o fato de o anúncio ter sido feito apenas quatro dias depois de o Quarteto para o Oriente Médio — formado por Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU — ter pedido que Israel cessasse sua política de construção de assentamentos e expansão.

Agência da ONU condena demolição de casas palestinas

As Nações Unidas também condenaram Israel nesta segunda-feira (4) pela demolição de casas palestinas na Cisjordânia na noite passada, enquanto as perspectivas para uma solução de dois Estados no conflito do Oriente Médio parecem estar cada vez mais distantes.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) confirmou que autoridades israelenses demoliram duas casas no campo de refugiados de Qalandia na Cisjordânia.

“Demolições punitivas de residências são uma forma de punição coletiva ilegal sob as leis internacionais”, disse o porta-voz do UNRWA, Chris Gunness. “Elas causam estresse e sofrimento naqueles que não cometeram as ações que levaram às demolições e frequentemente colocam pessoas e propriedades em perigo”, completou.

“A UNRWA condena demolições punitivas e lembra Israel, a potência ocupante, que sob as leis humanitárias internacionais o país tem a obrigação de proteger as pessoas no território ocupado e fornecer serviços”, acrescentou o porta-voz.

O incidente ocorreu após a divulgação de um relatório na semana passada pelo Quarteto para o Oriente Médio sobre importantes ameaças às negociações de paz.

O relatório fez recomendações para a resolução dos impedimentos a uma solução de dois Estados, entre eles a contínua violência, os ataques terroristas contra civis e a incitação à violência; a construção de assentamentos e expansão por parte de Israel; e a falta de controle da Autoridade Palestina sobre a Faixa de Gaza.

Em comentários enviados à imprensa no domingo (3), Nickolay Mladenov, coordenador especial da ONU para o Processo de Paz, lembrou que a frustração dos palestinos em relação a meio século de ocupação, dezenas de esforços de paz frustrados não vai desaparecer.

Segundo ele, esse sentimento não pode ser vencido por medidas de segurança agressivas, continuidade das atividades de assentamento ilegal na Cisjordânia ocupada, prisões ou demolições punitivas de residências.

“Palestinos e israelenses, compreensivelmente, chegaram a um ponto em que muitos em ambos os lados perderam a fé no compromisso da outra parte para um futuro de dois Estados lado a lado em paz, segurança e reconhecimento mútuo”, salientou.

“No final do dia, a triste realidade para os povos de ambos os lados do conflito é que as coisas que eles mais querem — um Estado [para os palestinos] e segurança [para os israelenses] — estão se esvaindo”, escreveu.