ONU faz ‘corrida contra o tempo’ para tentar evitar catástrofe humanitária no Sudão do Sul

Com a chegada da estação chuvosa, a ONU está extremamente preocupada com as condições dos 70 mil deslocados alojados em complexos da Organização, que estão superlotados.

Trabalhadores humanitários no Sudão do Sul descarregam ajuda de um helicóptero da ONU. Foto: UNICEF/2014/Elder

A representante especial do secretário-geral no Sudão do Sul e chefe da missão de paz da ONU no país (UNMISS), Hilde Johnson, disse nesta quinta-feira (3) que “com a estação das chuvas começando agora, as condições dos deslocados estão ficando piores”.

Lembrando que “os complexos da ONU não foram criados para acomodar tantas pessoas por tanto tempo”,  a representante das Nações Unidas informou que “as instalações  estão superlotadas e os serviços básicos não são mais do que rudimentares”.

Estima-se que 70 mil civis estão atualmente abrigados em prédios da ONU, que abriu suas portas para oferecer proteção quando os combates entre forças do governo e da oposição começaram, em meados de dezembro de 2013. Ao todo, cerca de 1 milhão de pessoas no Sudão do Sul foram forçadas a deixar suas casas devido ao conflito.

Johnson informou que há planos para a criação de abrigos alternativos onde possam ser alojados os milhares civis que estão agora em bases da ONU. Ainda assim, ela adiantou que particularmente os complexos de Tomping e Malakal estão em risco iminente de se tornarem “armadilhas da morte”, dadas as condições muito precárias.

O coordenador humanitário da ONU no Sudão do Sul, Toby Lanzer, disse que são necessários 232 milhões de dólares para cobrir os gastos de ajuda humanitária nos próximos 60 dias. Ele declarou que a situação no país é pior do que a verificada em Darfur. “Mas poderia ficar muito pior e precisamos nos preparar para isso.”