ONU faz apelo para melhorar proteção de refugiados e migrantes em travessias perigosas

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Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu 412 milhões de dólares para ajudar a melhorar a proteção de refugiados e migrantes que cruzam o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo, bem como para apoiar países europeus que prestam assistência a solicitantes de asilo.

Nos seis primeiros meses deste ano, mais de 2.171 refugiados e migrantes morreram ou estão desaparecidos no Mediterrâneo, enquanto comunicado do UNICEF criticou medidas na Itália que podem piorar ainda mais a situação de resgate.

Já a Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou que cerca de 80% das migrantes nigerianas que chegam à Europa pela costa da Itália são vítimas potenciais do tráfico sexual, destacando os níveis “chocantes” de abuso e violência enfrentados por meninas e mulheres da Nigéria.

Funcionária da OIM conversa com uma migrante em um centro de recepção. Foto: OIM

Funcionária da OIM conversa com uma migrante em um centro de recepção. Foto: OIM

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) pediu, em meados desse mês (18), cerca de 412 milhões de dólares para ajudar a melhorar a proteção de refugiados e migrantes que cruzam o Deserto do Saara e o Mar Mediterrâneo, bem como para apoiar países europeus que prestam assistência a solicitantes de asilo.

“Precisamos oferecer alternativas significativas e viáveis a esses movimentos, ou as mortes e o sofrimento continuarão”, afirmou o representante do ACNUR na região do Mediterrâneo Central, Vincent Cochetel.

Nos seis primeiros meses deste ano, mais de 2.171 refugiados e migrantes morreram ou estão desaparecidos no Mediterrâneo.

Os recursos serão usados para aumentar o alerta dos riscos da migração irregular, apoiar mecanismos de aplicação da lei, enfrentar o tráfico humano e garantir assistência humanitária àqueles que forem resgatados no mar.

O pedido foi elaborado levando em consideração apelos anteriores, como o Plano Regional de Resposta aos Refugiados e Migrantes para a Europa de 2017, e as necessidades relacionadas aos refugiados na Líbia e estimadas em 62,4 milhões de dólares, apresentadas no apelo específico pela Líbia em maio de 2017.

Ele também complementa atividades implementadas por outras organizações como a Organização Internacional para as Migrações (OIM), para migrantes que utilizam a mesma rota.

O pesadelo de uma travessia

Aos 15 anos, Omar está entre um número cada vez maior de iemenitas que, arrebatados pelo conflito dentro do país, não vê outra opção a não ser fugir para salvar sua vida.

Depois de uma viagem de sete dias pelo Mar Vermelho para chegar ao Sudão, ele teve todo seu dinheiro roubado e foi preso. Liberado pouco tempo depois, passou os três dias seguintes atravessando o Deserto do Saara em direção à Líbia.

“Foi um verdadeiro pesadelo, foram dias sem comida e, o pior, sem água”, ele conta. “Quando eu cheguei à Líbia, fiquei detido pois não tinha dinheiro para continuar a viagem.”

Apenas na semana passada ele conseguiu retomar sua jornada, embarcando em um bote superlotado comandado por contrabandistas para cruzar o Mediterrâneo. Depois de passar por alguns momentos difíceis, ele foi resgatado e levado para Porto Empedocle, comuna italiana localizada na costa sul da Sicília.

“Histórias como a de Omar nos faz compreender a importância da cooperação internacional para garantir proteção e tratamento humanitário para todas as pessoas em todos os pontos de suas rotas”, afirmou Volker Türk, alto-comissário assistente para Proteção do ACNUR.

Retrocesso em medidas protetivas na Itália

Com milhares de refugiados e migrantes sendo retirados – com ou sem vida – do Mar Mediterrâneo todas as semanas, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou, na última terça (18), que o código de conduta proposto pelo governo italiano para organizações não governamentais (ONGs) que realizam operações de busca e resgate poderia colocar muitas vidas em risco, especialmente de crianças.

De acordo com a agência da ONU, o código limitaria os movimentos e operações dos navios de resgate no Mediterrâneo Central, dando prioridade à aplicação da lei e aos objetivos de segurança e, assim, impedindo o trabalho de salvar crianças do afogamento.

Grupo de jovens da Gâmbia descansa na praia. Eles estão em um centro de recepção que acolhe menores desacompanhados em Pozzallo, na Sicília. Foto: UNICEF / Gilbertson VII Photo

Grupo de jovens da Gâmbia descansa na praia. Eles estão em um centro de recepção que acolhe menores desacompanhados em Pozzallo, na Sicília. Foto: UNICEF / Gilbertson VII Photo

O vice-diretor-executivo do UNICEF, Justin Forsyth, afirmou que, mesmo que a Itália deva ser aplaudida por seus esforços de salvar refugiados e migrantes, restrições a resgates no mar não é a solução.

“O resto da União Europeia e a comunidade internacional devem apoiar a Itália de maneira mais ampla, dando assistência a missões de resgate, permitindo que os barcos desembarquem e fazendo o que é certo para as crianças deslocadas.”

Jornada de abusos contra nigerianas

Cerca de 80% das migrantes nigerianas que chegam à Europa pela costa da Itália são vítimas potenciais do tráfico sexual. As informações são do último relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que destaca os níveis “chocantes” de abuso e violência que migrantes enfrentam em suas jornadas por um futuro melhor.

No documento, a OIM enfatiza a situação de pessoas assistidas pela agência e exige uma ação urgente contra o “mercado” onde estão inseridas essas vítimas, bem como o que se chama de uma “demanda crescente” para serviços sexuais pagos.

“O tráfico de pessoas é um crime transnacional que devasta as vidas de milhares e causa um sofrimento incalculável”, disse o diretor do escritório de coordenação da OIM para o Mediterrâneo, Federico Soda.

De acordo com a agência da ONU, nos últimos três anos seu escritório na Itália testemunhou um aumento de quase 600% no número de potenciais vítimas de tráfico sexual que chegam à Itália pelo mar. Esta crescente tendência continuou durante os primeiros seis meses deste ano, com a maioria das vítimas vindas da Nigéria.


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