ONU faz apelo de US$ 9,5 mi para atender refugiados nigerianos em processo de repatriação

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De janeiro a junho de 2017, cerca de 135 mil nigerianos regressaram ao seu país de origem. A maioria deixou os assentamentos para deslocados forçados em Minawao e Kolofata, no norte de Camarões. Número representa aumento inesperado e deslocamento em massa gerou uma nova crise humanitária na Nigéria, como ex-refugiados vivendo em condições de indigência.

Magdelena, 35 anos, repatriada nigeriana, e sua filha de duas semanas, Musa, voltaram de Camarões em meados de maio de 2017. Foto: ACNUR/Rahima Gambo

Magdelena, 35 anos, repatriada nigeriana, e sua filha de duas semanas, Musa, voltaram de Camarões em meados de maio de 2017. Foto: ACNUR/Rahima Gambo

Para levar assistência a refugiados da Nigéria que estão deixando o vizinho Camarões e voltando ao seu país de origem, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) fez nesta semana (26) um apelo humanitário por mais 9,5 milhões de dólares. De janeiro a junho, cerca de 135 mil nigerianos regressaram ao seu território nacional. A maioria deixou os assentamentos para deslocados forçados em Minawao e Kolofata, no norte de Camarões.

Os números representam um aumento inesperado, segundo a avaliação do organismo internacional. “Essa é uma nova emergência que requer atenção imediata. Muitos desses repatriados não podem voltar para suas casas devido a preocupações com a segurança, e acabam sendo forçados a se deslocar novamente em péssimas condições humanitárias”, afirmou o alto-comissário adjunto de proteção do ACNUR, Volker Türk.

Muitos repatriados ficam em campos e estabelecimentos para deslocados forçados que estão superlotados e oferecem condições precárias de habitação. A situação é particularmente difícil na cidade de Banki, nordeste da Nigéria, onde milhares são forçados a viver na rua, com acesso limitado a água, comida e remédios.

Türk defendeu que, mesmo que a agência não promova ou facilite os processos de repatriação, é preciso “fazer tudo ao nosso alcance para ajudar essas pessoas em vulnerabilidade”. Até o momento, o ACNUR recebeu apenas 41,1 milhões de dólares dos 179,5 milhões solicitados a doadores internacionais. Orçamento é destinado ao atendimento de deslocados forçados na Nigéria, Camarões, Níger e Chade.

“Durante minha recente visita à região, não fiquei apenas horrorizado com a escala das necessidades humanitárias, mas também profundamente chocado com o nível do trauma, da divisão social e da desconfiança”, diz Türk, que visitou localidades em território nigeriano e camaronense nas últimas três semanas.

Com mais verba, o ACNUR conseguiria aumentar sua presença nas zonas fronteiriças, fortalecendo ações de monitoramento e proteção. A agência das Nações Unidas também planeja expandir suas instalações de recepção e iniciar campanhas de informação em massa, garantindo que os refugiados nigerianos no extremo norte de Camarõe, tenham informações precisas e atualizadas sobre a situação das áreas para onde buscam retornar.

Türk também alertou para os riscos de repatriação involuntária. “O primeiro encontro da Comissão Tripartite, esperado para o início de agosto, será um passo positivo em frente à questão”, acrescentou. A Comissão foi formada após a assinatura em março último de um acordo entre o ACNUR, a Nigéria e Camarões. Documento aborda os termos em que deve ocorrer o retorno de refugiados à Nigéria, tendo em vista os problemas de violência.

O ACNUR está ajudando a responder às necessidades de mais de 2,5 milhões de pessoas que se tornaram refugiadas, deslocadas internas ou repatriadas em toda a região do Lago do Chade, devido a conflitos armados.


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