ONU expressa preocupação após relatos de uso excessivo de força na Venezuela

O escritório de direitos humanos das Nações Unidas expressou preocupação nesta quarta-feira (1) com relatos de uso excessivo de força, na Venezuela, por parte de forças da segurança leais ao presidente Nicolás Maduro, um dia após um levante malsucedido liderado pela oposição.

O líder da oposição, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino em janeiro, apareceu nas redes sociais cercado de membros das forças armadas na terça-feira (30), pedindo ação para retirar Maduro do poder. O presidente eleito acusou seu rival de uma “tentativa de golpe”.

Migrantes venezuelanos na Colômbia em abril de 2019; cerca de 5 mil pessoas têm cruzado a fronteira venezuelana todos os dias, segundo a ONU. Foto: ACNUR/Vincent Tremeau

Migrantes venezuelanos na Colômbia em abril de 2019; cerca de 5 mil pessoas têm cruzado a fronteira venezuelana todos os dias, segundo a ONU. Foto: ACNUR/Vincent Tremeau

O escritório de direitos humanos das Nações Unidas expressou preocupação nesta quarta-feira (1) com relatos de uso excessivo de força, na Venezuela, por parte de forças da segurança leais ao presidente Nicolás Maduro, um dia após um levante malsucedido liderado pela oposição.

O líder da oposição, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino em janeiro, apareceu nas redes sociais cercado de membros das forças armadas na terça-feira (30), pedindo ação para retirar Maduro do poder. O presidente eleito acusou seu rival de uma “tentativa de golpe”.

Em meio aos protestos planejados para esta semana, a porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Marta Hurtado, afirmou que a violência relatada contra manifestantes na terça-feira (30) por parte de forças pró-governo deixaram dezenas de feridos.

“Muitos também foram supostamente detidos”, acrescentou, pedindo para “todas as partes mostrarem máxima contenção e autoridades respeitarem o direito à reunião pacífica. Também alertamos contra o uso de linguagem incitando pessoas à violência.”

Ela afirmou que autoridades estatais possuem o dever de “garantir a proteção dos direitos humanos de todas as pessoas – independentemente de afiliações políticas. Todas as partes devem renunciar ao uso da violência.”

Manifestantes a favor do governo também foram às ruas na quarta-feira (1). De acordo com a imprensa, Guaidó também discursou para apoiadores na capital, Caracas, dizendo que as manifestações são “irreversíveis” e que “não há como voltar atrás”.

Hurtado pediu para líderes políticos “participarem de discussões significativas para trabalhar para resolver a crise atual”, acrescentando que o Alto Comissariado irá “continuar trabalhando para monitorar acontecimentos no país”.

O escritório de direitos humanos da ONU não tem presença na Venezuela, mas uma equipe de cinco pessoas foi enviada ao país em março para uma “missão técnica preliminar”. A missão foi enviada antes de uma possível visita da alta-comissária, Michelle Bachelet.

Na terça-feira (30), o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse por meio de seu porta-voz que está acompanhando de perto os eventos na Venezuela. Segundo ele, a ONU está em contato com ambas as partes.