ONU expressa alarme com recente escalada de violência na República Centro-Africana

Vários incidentes ocorreram na capital Bangui desde o dia 7 de outubro, provocando mortes e ferimentos em civis e prejudicando o trabalho humanitário.

Uma família deslocada pela violência na República Centro-Africana vive dentro de uma aeronave abondonada no aeroporto de Bangui. Foto: ACNUR / S. Phelps

Uma família deslocada pela violência na República Centro-Africana vive dentro de uma aeronave abondonada no aeroporto de Bangui. Foto: ACNUR / S. Phelps

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) expressou alarme nesta terça-feira (14) após a recente escalada de violência em algumas partes de Bangui, capital da República Centro-Africana. Dentre os alvos que sofreram ataques estavam civis, trabalhadores humanitários e soldados da ONU.

A porta-voz do ACNUR, Melissa Fleming, disse que a última onda de ataques na República Centro-Africana tem prejudicado seriamente as atividades humanitárias na região.

Desde 7 de outubro, uma série de incidentes violentos ocorreram na capital de Bangui e a Missão de Estabilização Multidimensional Integrada da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) também foi alvo de protestos e ataques. No último sábado (11), membros da Força de Paz da ONU intervieram e reprimiram um ataque de 100 combatentes armados perto da residência da chefe de Estado em transição, Catherine Samba-Panza.

Segundo o ACNUR, os recentes tumultos foram provocados por um ataque com granadas em Gobongo, no 4º distrito da capital, no dia 7 de outubro deixando quatro mortos. O suposto agressor, aparentemente membro da milícia rebelde Séléka, foi capturado por uma multidão enfurecida e teria morrido durante o incidente. Esses eventos foram seguidos por ataques a civis que deixaram cerca de nove mortos e 55 pessoas feridas.

Novos deslocamentos

A mais recente onda de violência deslocou cerca de 6,5 mil pessoas, mas esse número pode ser muito maior, relata o ACNUR. Ao todo, aproximadamente 410 mil pessoas estão deslocadas internamente na República Centro-Africana, incluindo mais de 60 mil em 34 locais em Bangui. O número de refugiados que fugiram para países vizinhos chega a 420 mil pessoas.

A porta-voz do ACNUR reiterou nesta terça-feira (14) o apelo feito pela Agência para que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o trabalho humanitário e permitiam o acesso sem obstáculos para agências humanitárias que trabalham para apoiar milhares de pessoas deslocadas.

Na frente política, o enviado especial do secretário-geral no país, Babacar Gaye, imediatamente se encontrou com a presidente Samba-Panza e parceiros internacionais, a fim de conter a violência convocando todas as partes envolvidas a retornarem ao diálogo.

A missão, que permanece em estado de alerta, disse que intensificou suas patrulhas em toda a capital e continua trabalhando junto com a força de Bangui para resolver a situação de segurança.