ONU: Estado Islâmico perde espaço no Iraque, mas ameaça não deve ser subestimada

Libertação de Beiji, Sinjar e, sobretudo, Ramadi, entre outras áreas com a presença de combatentes do ISIL, tem levado a população do Iraque a retomar a esperança de que o país pode e será libertado do grupo terrorista.

Crianças no campo de Khanke, perto da cidade de Dohuk, no Iraque, que abriga principalmente yazidis que fogem do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Foto: UNAMI

Crianças no campo de Khanke, perto da cidade de Dohuk, no Iraque, que abriga principalmente yazidis que fogem do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). Foto: UNAMI

O Iraque tem ganhado terreno contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, também conhecido como Da’esh), que está gradualmente perdendo seu apelo à população marginalizada, disse na terça-feira (16) o enviado das Nações Unidas no país ao Conselho de Segurança da Organização. Ele advertiu, no entanto, que a ameaça “não deve ser subestimada”.

Informando sobre o país durante uma reunião no organismo composto por 15 Estados-membros, o representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jan Kubis, disse que a libertação de Beiji, Sinjar e, sobretudo, Ramadi, entre outras áreas com a presença de combatentes do ISIL, tem levado a população do Iraque a retomar a esperança de que o país pode e será libertado do grupo terrorista.

Os sucessos recentes, disse Kubis, também demonstram o apoio cada vez mais eficaz ao Iraque por parte da aliança global para combater o ISIL e é um aprendizado para os preparativos para libertar os demais territórios, principalmente Mosul.

Observando uma ausência de consenso político, Kubiš afirmou que a estabilidade, a segurança e a unidade do Iraque dependerão de um sistema político eficaz e inclusivo, bem como igualitário na tomada de decisão nos níveis federal e local.

Um dos desafios, destacou o enviado da ONU, é a participação plena e igualitária do componente sunita, e seu copropriedade, no programa de reconciliação nacional. “A ausência de um quadro ou visão únicos para a reconciliação nacional no Iraque é um tanto sintomática dos problemas de longa data existentes e acaba por impedir os esforços para fazer avançar o diálogo nacional”, disse Kubis.

Ele destacou que esforços das forças políticas sunitas e de seus líderes para unificar sua posição sobre a reconciliação nacional, sobre a federalização descentralização eficazes e sobre como combater com mais sucesso o ISIL são igualmente necessários.

A Missão das Nações Unidas no país (UNAMI), também chefiada por Kubis, organizou uma série de eventos no início deste mês para marcar a Semana Global de Harmonia Inter-religiosa em Najaf, Bagdá e Erbil. Os eventos promoveram o diálogo e destacaram as medidas preventivas para lidar com os envolvidos no extremismo violento. A iniciativa faz parte do Plano de Ação das Nações Unidas para Prevenir o Extremismo Violento, lançado recentemente.