ONU encontra mais de 200 valas com restos mortais de vítimas do Estado Islâmico no Iraque

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Mais de 200 valas comuns contendo os restos mortais de milhares de vítimas foram descobertas em áreas anteriormente controladas pelo Estado Islâmico no Iraque, de acordo com um relatório das Nações Unidas divulgado na terça-feira (6). O documento mostra as consequências da implacável campanha de terror e violência da organização terrorista e destaca os pedidos das vítimas por verdade e justiça.

Alice Walpole, vice-representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, visita uma das valas comuns encontradas em Sinjar, província de Nineveh, norte do Iraque. Foto: UNAMI/Celia Thompson

Alice Walpole, vice-representante especial do secretário-geral da ONU para o Iraque, visita uma das valas comuns encontradas em Sinjar, província de Nineveh, norte do Iraque. Foto: UNAMI/Celia Thompson

Mais de 200 valas comuns contendo os restos mortais de milhares de vítimas foram descobertas em áreas anteriormente controladas pelo Estado Islâmico no Iraque, de acordo com um relatório das Nações Unidas divulgado na terça-feira (6). O documento mostra as consequências da implacável campanha de terror e violência da organização terrorista e destaca os pedidos das vítimas por verdade e justiça.

A Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque (UNAMI) e o escritório de direitos humanos da ONU documentaram a existência de 202 valas comuns nas províncias de Ninewa, Kirkuk, Salah al-Din e Anbar, no norte e no oeste do país. Embora seja difícil determinar o número total de pessoas nestas valas, a menor delas, no oeste de Mosul, tinha oito corpos, enquanto a maior está em Khasfa, no sul de Mosul, e pode conter milhares de vítimas.

De acordo com o relatório, as valas podem conter materiais forenses essenciais para auxiliar na identificação das vítimas e construir um entendimento da escala dos crimes que ocorreram.

“Evidências coletadas nesses locais serão centrais para garantir investigações confiáveis, acusações e condenações de acordo com padrões internacionais de processo devido”, segundo o relatório.

“Justiça verdadeira e significativa exige a preservação apropriada, escavação e exumação de locais de valas comuns e a identificação dos restos de muitas vítimas e retornos às famílias.”

Entre junho de 2014 e dezembro de 2017, o Estado Islâmico tomou grandes áreas do Iraque e liderou “uma campanha de ampla violência e violações sistemáticas de direitos humanos e de leis humanitárias internacionais – atos que podem ser considerados crimes de guerra, crimes contra a humanidade e possivelmente genocídio”, afirma o relatório.

“As valas comuns documentadas em nosso relatório são um testamento de angustiante perda humana, profundo sofrimento e crueldade chocante”, disse o representante especial para o Iraque do secretário-geral da ONU, Ján Kubiš.

“Determinar as circunstâncias envolvendo a perda significativa de vida será um passo importante no processo de luto para famílias e em suas jornadas para assegurar seus direitos à verdade e à justiça.”

O relatório também documenta como famílias de desaparecidos enfrentam desafios significativos para estabelecer o destino de seus entes queridos. Atualmente, eles precisam fornecer relatos para mais de cinco entidades estatais diferentes, um processo que consome tempo e gera frustrações para famílias, que ainda estão traumatizadas pela perda. O documento também pede a criação de um registro público centralizado e de um escritório federal de pessoas desaparecidas.

“Os crimes horríveis do Estado Islâmico no Iraque não estão mais nas manchetes, mas os traumas das famílias das vítimas continuam, com milhares de mulheres, homens e crianças ainda desaparecidos”, disse a alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

“Estas valas contêm os restos daqueles que foram mortos sem piedade por não se curvarem à ideologia corrompida e ao regime do Estado Islâmico, incluindo minorias étnicas e religiosas. Suas famílias têm o direito de saber o que aconteceu. Verdade, justiça e reparações são essenciais para garantir um reconhecimento completo das atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico.”

Kubiš disse que o relatório tem objetivo de apoiar o governo do Iraque na proteção e escavação destas valas comuns, através do trabalho do governo iraquiano e de parceiros internacionais. Bachelet e Kubiš reiteraram apoio ao governo do Iraque na realização desta tarefa significativa.

Entre suas recomendações, o relatório pede uma abordagem multidisciplinar para as operações de recuperação, com participação de especialistas experientes, como especialistas em contaminação e explosivos e investigadores de cenas criminais. O documento pede uma abordagem centrada nas vítimas e um processo de justiça transicional, estabelecido em consulta e aceito por iraquianos, especialmente membros de comunidades afetadas.

O relatório também pede para a comunidade internacional fornecer recursos e apoio técnico nos esforços relacionados a exumação, coleta, transporte, armazenamento e devolução de restos humanos às famílias, assim como identificação dos mesmos.


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