ONU encerra programas humanitários no Iêmen devido à falta de recursos

As Nações Unidas anunciaram na semana passada (21) que estão sendo forçadas a encerrar diversos programas humanitários no Iêmen, devido ao fato de o dinheiro prometido pelos Estados-membros não ter sido efetivamente pago à Organização.

“Estamos desesperados pelo financiamento prometido”, disse Lise Grande, a coordenadora humanitária das Nações Unidas para o Iêmen. “Quando o dinheiro não chega, pessoas morrem”, completou.

Criança iemenita sofre de desnutrição grave aos quatro meses de idade. Foto: Giles Clarke | OCHA.

Criança iemenita sofre de desnutrição grave aos quatro meses de idade. Foto: Giles Clarke | OCHA.

As Nações Unidas anunciaram na semana passada (21) que estão sendo forçadas a encerrar diversos programas humanitários no Iêmen, devido ao fato de o dinheiro prometido pelos Estados-membros não ter sido efetivamente pago à Organização.

“Estamos desesperados pelo financiamento prometido”, disse Lise Grande, a Coordenadora Humanitária das Nações Unidas para o Iêmen. “Quando o dinheiro não chega, pessoas morrem”, completou.

Em evento para angariar recursos para o Iêmen, realizado em fevereiro deste ano, a ONU e seus parceiros humanitários receberam a promessa de 2,6 bilhões de dólares para atender às necessidades urgentes de mais de 20 milhões de iemenitas. Até o momento, menos da metade deste valor foi recebido.

Dentre os 34 principais programas humanitários da ONU no Iêmen, apenas três têm recursos suficientes para funcionar até o fim do ano. Vários programas foram encerrados nas últimas semanas e muitos projetos de grande escala, pensados para ajudar famílias pobres e vítimas da fome, não puderam ser iniciados.

A previsão é de que outros 22 programas sejam encerrados, caso o financiamento não chegue nos próximos dois meses. “Temos vergonha desta situação”, disse Grande. “É muito difícil falar para uma família que não temos mais dinheiro para ajudá-la.”

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que a ONU foi obrigada a suspender grande parte das campanhas de vacinação no país em maio deste ano. A aquisição de medicamentos foi suspensa e milhares de trabalhadores da área da saúde não estão mais recebendo apoio financeiro.

Planos de construção de 30 novos centros de nutrição foram descartados, 14 abrigos e quatro instalações especializadas em saúde mental para mulheres também foram obrigados a encerrar suas atividades. Além disso, uma estação de tratamento de água, que era usada para irrigar áreas agrícolas, foi fechada no último mês de junho.

“Milhões de pessoas do Iêmen que não têm culpa de serem vítimas neste conflito dependem de nós para sobreviver”, lamentou a coordenadora humanitária da ONU no país.

Se os fundos prometidos na conferência de fevereiro não forem entregues nas próximas semanas, a distribuição de comida para 12 milhões de pessoas será reduzida, e pelo menos 2,5 milhões de crianças desnutridas serão retiradas de serviços essenciais.

Ainda, 19 milhões de pessoas irão perder a possibilidade de atendimento médico, incluindo 1 milhão de mulheres que dependem da ONU para ter acesso à saúde reprodutiva. Programas de água potável que atendem 5 milhões de pessoas serão encerrados até o fim de outubro, e dezenas de milhares de famílias deslocadas podem ficar desalojadas.

“Esta é a maior operação humanitária do mundo a lidar com a pior crise humanitária”, apontou Grande. “Quando recebemos investimento, fazemos uma enorme diferença.”

Ela também agradeceu os doadores que cumpriram suas promessas, dizendo que com o dinheiro “conseguimos dobrar e, em algumas áreas, triplicar a quantidade de ajuda que prestamos”.

“A diferença que fazemos quando temos recursos é imediata”, afirmou. “Em metade dos distritos onde pessoas não tinham o que comer, as condições melhoraram ao ponto dessas famílias não correrem mais o risco de passar fome”, concluiu.