ONU: Em meio a progresso desigual, mortes maternas caíram 44% desde 1990

Segundo relatório que avaliou os progressos no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o número de mortes maternas foi reduzido de cerca de 532 mil em 1990 para aproximadamente 303 mil este ano. Até o final deste ano, cerca de 99% das mortes maternas no mundo ocorrerão nas regiões em desenvolvimento, com a África Subsaariana sendo responsável por 66% do total.

Foto: OPAS/OMS

Foto: OPAS/OMS

As mortes maternas caíram 44% em todo o mundo desde 1990, informaram agências das Nações Unidas na última semana. Segundo um novo relatório, o número de mortes maternas foi reduzido de cerca de 532 mil em 1990 para aproximadamente 303 mil este ano. Isso equivale a uma razão estimada de 216 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, ante 385 mil em 1990. O estudo é o último de uma série que avaliou os progressos no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

A morte materna é definida como a morte de uma mulher durante a gravidez, parto ou pós-parto, num prazo de até 6 semanas após o nascimento.

“Os ODMs desencadearam esforços sem precedentes de redução da mortalidade materna”, disse Flavia Bustreo, diretora-geral adjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Família, Saúde da Mulher e da Criança.

“Ao longo dos últimos 25 anos, o risco de uma mulher morrer por causas relacionadas à gravidez diminuiu quase pela metade. Isso é um progresso real, embora não seja suficiente. Sabemos que podemos praticamente acabar com essas mortes até 2030 e estamos nos comprometendo a trabalhar nesse sentido”, acrescentou

Alcançar esse objetivo vai exigir muito mais esforço, de acordo com Babatunde Osotimehin, diretor executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). “Muitos países com elevadas taxas de mortalidade materna vão fazer pouco progresso, ou mesmo ficar para trás nos próximos 15 anos se não melhorarmos o número disponível de parteiras e outros profissionais de saúde com habilidades obstétricas”, disse ele.

“Se não tomarmos um grande impulso agora, em 2030 seremos confrontados, mais uma vez, com uma meta perdida de redução da mortalidade materna.”

As análises contidas no documento “Tendências em Mortalidade Materna: 1990 a 2015 – Estimativas da OMS, UNICEF, UNFPA, Banco Mundial e Divisão de População das Nações Unidas” foram publicadas no dia 12 de novembro, na revista médica internacional “The Lancet”.

Garantir o acesso a serviços de saúde de alta qualidade durante a gravidez e o parto está ajudando a salvar vidas. As intervenções de saúde essenciais incluem: boas práticas de higiene para reduzir o risco de infecção; aplicar oxitocina imediatamente após o parto para reduzir o risco de hemorragias graves; identificar e tratar doenças potencialmente fatais, como pressão arterial alta induzida pela gravidez; e garantir o acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e de planejamento reprodutivo para as mulheres.

Ganhos desiguais

Apesar das melhorias globais, apenas nove países alcançaram a meta do ODM 5 de reduzir a razão de morte materna em pelo menos 75% entre 1990 e 2015: Butão, Cabo Verde, Camboja, Irã, Laos, Maldivas, Mongólia, Ruanda e Timor-Leste. Apesar desses avanços importantes, a razão de morte materna em alguns desses países continua a ser superior à média global.

“Como vimos com todos os ODMs relacionados à saúde, o fortalecimento dos sistemas de saúde precisa ser complementado com a atenção a outras questões, para que se possa reduzir a mortalidade materna”, afirmou a diretora executiva adjunta do UNICEF, Geeta Rao Gupta.

“A educação das mulheres e meninas, em particular das mais marginalizadas, é a chave para a sua sobrevivência e a de seus filhos e filhas. A educação pode lhes dar o conhecimento necessário para desafiar as práticas tradicionais as colocam, e a seus filhos e filhas, em perigo.”

Até o final deste ano, cerca de 99% das mortes maternas no mundo ocorrerão nas regiões em desenvolvimento, com a África Subsaariana sendo responsável por 66% do total – duas em cada três mortes. Por outro lado, houve uma grande melhoria na situação da África Subsaariana, que conseguiu reduzir em quase 45% a razão de morte materna – de 987 para 546 casos por 100 mil nascidos vivos – entre 1990 e 2015.

O maior avanço entre todas as regiões foi registrado na Ásia Oriental, onde a razão de de mortalidade materna caiu 72%, de cerca de 95 para 27 ocorrências por 100 mil nascidos vivos. Em regiões desenvolvidas, as mortes maternas caíram 48% entre 1990 e 2015, de 23 para 12 casos por 100 mil nascidos vivos.

Trabalhar para acabar com as mortes maternas evitáveis

A nova “Estratégia Global para a Saúde das Mulheres, Crianças e Adolescentes”, lançada pelo secretário-geral das Nações Unidas em setembro de 2015, tem como objetivo ajudar a alcançar a meta ambiciosa de reduzir a mortalidade materna para menos de 70 por 100 mil nascidos vivos no mundo, como previsto nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para alcançar esse objetivo, será necessário mais do que triplicar o atual ritmo de progresso – de uma redução anual de 2,3% na razão de morte materna, registrada entre 1990 e 2015, para uma redução de 7,5% ao ano, a começar já no início do próximo ano.

“O Objetivo Global de acabar com as mortes maternas em 2030 é ambicioso e exequível, desde que sejam redobrados os nossos esforços”, disse Tim Evans, diretor sênior de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial.

“O recente lançamento do Mecanismo de Financiamento Global em suporte à iniciativa ‘Every Woman Every Child’ (‘Cada Mulher, Cada Criança’), com foco em financiamentos inteligentes, dimensionados e sustentáveis, ajudará os países a fornecer serviços essenciais de saúde para mulheres e crianças.”

Necessidade de melhores dados

As estimativas de mortalidade materna de 2015 apresentam o enorme progresso alcançado em direção ao alcance do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio 5, de saúde materna. Elas mostram uma forte tendência de redução ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, vários países melhoraram o volume e a qualidade dos dados informados, aumentando a precisão dos números absolutos relatados.

Os esforços de fortalecimento da coleta de dados e da prestação de contas, especialmente ao longo dos últimos anos, têm ajudado a impulsionar essa melhoria. No entanto, muito mais precisa ser feito para o desenvolvimento de sistemas completos e precisos de registro civil que incluam nascimentos, óbitos e causas de morte.

Procedimentos de auditoria e revisão dos casos de morte materna também precisam ser implementados para melhorar o entendimento sobre por que, onde e quando as mulheres morrem e o que pode ser feito para evitar óbitos similares.

Desde 2012, a OMS, o UNFPA e seus parceiros desenvolvem o sistema de Vigilância e Resposta em Morte Materna, para a identificação e notificação em prazo adequado de todas as mortes maternas, incluindo a análise de suas causas e a indicação dos melhores métodos de prevenção. Um número crescente de países de baixa e média renda estão agora no processo de implementação desta abordagem (saiba mais em www.who.int/mdsr).

O relatório, com uma descrição detalhada da metodologia e dos dados utilizados para elaborar as estimativas, está disponível clicando aqui.