ONU elogia punição a policiais militares envolvidos no massacre do Carandiru

“Também encorajamos as autoridades brasileiras a resolver urgentemente a terrível situação das prisões, onde aproximadamente meio milhão de pessoas estão detidas”, disse a porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU em Genebra.

Movimentos sociais e a Pastoral Carcerária em ato na Praça da Sé, no centro da capital paulista em 2012, para relembrar o Massacre do Carandiru. Foto: ABr/Marcelo Camargo

Movimentos sociais e a Pastoral Carcerária em ato na Praça da Sé, no centro da capital paulista em 2012, para relembrar o Massacre do Carandiru. Foto: ABr/Marcelo Camargo

O escritório de direitos humanos da ONU elogiou nesta terça-feira (23) a punição de 23 policiais militares sentenciados a 156 anos de prisão cada pelo episódio conhecido como massacre do Carandiru.

O incidente ocorreu em um complexo penitenciário em São Paulo no dia 2 de outubro de 1992, quando policiais militares receberam ordens para encerrar uma rebelião e assassinaram pelo menos 111 detentos — número que pode ser muito maior, de acordo com algumas das testemunhas ouvidas pelo Judiciário local.

“Parabenizamos as autoridades brasileiras, depois de mais de duas décadas de impunidade em um dos incidentes de violência mais brutais em uma prisão, por fazer justiça a algumas das vítimas do Carandiru e seguiremos de perto a continuação dos julgamentos dos outros acusados”, afirmou nesta terça-feira a porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Cécile Pouilly, durante coletiva de imprensa em Genebra.

No último domingo (21), o Tribunal do Júri de São Paulo condenou 23 policiais militares pela responsabilidade na morte de 13 dos detentos. Investigações revelaram que muitos prisioneiros foram baleados à queima-roupa.

“Antes desta condenação, a única pessoa que tinha sido julgada pelas mortes no Carandiru foi o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães, que em 2001 foi condenado por uso excessivo da força, mas absolvido em segunda instância em 2006. Outros 53 policiais militares devem ir a julgamento nos próximos meses por ligação com as mortes de outros detentos no Carandiru”, informou o escritório da ONU.

“Também encorajamos as autoridades brasileiras a resolver urgentemente a terrível situação das prisões, onde aproximadamente meio milhão de pessoas estão detidas”, adicionou Pouilly, acrescentando que nenhum oficial de alta patente foi condenado neste julgamento. Os 23 policiais eram membros da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) – grupo de elite da Polícia Militar de São Paulo.