ONU elogia coragem política de países latino-americanos para enfrentar e acabar com o feminicídio

Um investimento de 50 milhões de euros destinado a ajudar a acabar com o flagelo do feminicídio — em que mulheres e meninas são mortas devido a seu gênero — foi anunciado na sede das Nações Unidas nesta quinta-feira (27), graças à “coragem política” de um grupo de países latino-americanos, disse a vice-chefe da ONU.

Amina Mohammed falava em um evento de alto nível para lançar a Iniciativa Spotlight em Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e México.

Ela descreveu a iniciativa conjunta ONU-União Europeia como “uma resposta ousada e abrangente às tragédias que vemos em todo o mundo, todos os dias”, visando acabar com a violência contra mulheres e meninas.

Na Cidade do México, uma instalação artística representa mulheres mortas por crimes de feminicídio. Foto: ONU Mulheres/Dzilam Mendez

Na Cidade do México, uma instalação artística representa mulheres mortas por crimes de feminicídio. Foto: ONU Mulheres/Dzilam Mendez

Um investimento de 50 milhões de euros destinado a ajudar a acabar com o flagelo do feminicídio — em que mulheres e meninas são mortas devido a seu gênero — foi anunciado na sede das Nações Unidas nesta quinta-feira (27), graças à “coragem política” de um grupo de países latino-americanos, disse a vice-chefe da ONU.

Amina Mohammed falava em um evento de alto nível para lançar a Iniciativa Spotlight em Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e México.

Ela descreveu a iniciativa conjunta ONU-União Europeia como “uma resposta ousada e abrangente às tragédias que vemos em todo o mundo, todos os dias”, visando acabar com a violência contra mulheres e meninas.

“Esses cinco países mostraram a coragem política de enfrentar e acabar com o femicídio — um crime que tira a vida de 12 mulheres por dia na América Latina”, disse a vice-secretária-geral.

“Dada a natureza difundida, universal e entrincheirada da violência contra mulheres e meninas, sabíamos que precisaríamos combinar nossos esforços individuais se tivéssemos sucesso”, acrescentou ela.

A América Latina é o lar de 14 dos 25 países com as maiores taxas de feminicídio do mundo e surpreendentes 98% dos assassinatos relacionados a gênero, que não são solucionados.

Mohammed disse que o investimento de 50 milhões de euros ajudará a reforçar as leis e iniciativas políticas para conter a violência sem controle contra mulheres e meninas, fortalecer as instituições e promover a igualdade de gênero em geral.

Também “fornecerá serviços de qualidade para sobreviventes e reparações para vítimas de violência e suas famílias, produzindo dados desagregados para que não possamos deixar ninguém para trás e capacitar os movimentos de mulheres nos cinco países prioritários”.

“Enfrentar o femicídio de forma abrangente a partir de cada um desses ângulos é essencial para resultados bem-sucedidos e duradouros”, acrescentou ela.

A vice-diretora da ONU prestou homenagem a Mariana Lima — morta por seu marido policial em 2010 — e sua mãe, Irinea Buendía, que desafiou o sistema legal mexicano por seis anos até que o assassino de sua filha fosse levado à Justiça. Ela também prestou homenagem a uma sobrevivente de um ataque brutal que estava na reunião na sede da ONU, Natalia Ponce de León. Agradeceu por sua coragem, ao “vir aqui para estar conosco para nos lembrar que não ficaremos em silêncio até acabarmos com a violência contra as mulheres”.

“Precisamos acabar com a impunidade dos criminosos e garantir que nenhuma mulher ou menina sofra violência em casa, de um parceiro ou em qualquer espaço público, incluindo gangues, traficantes ou outros”, disse Mohammed.

A vice-secretária-geral foi seguida por Federica Mogherini, alta representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

Mogherini insistiu que a Iniciativa Spotlight tem a chance de fazer uma diferença real, não apenas para as vidas das mulheres, mas também para as vidas de homens e sociedades inteiras.

“As mulheres são mortas por seu desejo de desfrutar das mesmas liberdades que os homens. E quando a metade da sociedade não desfruta da mesma liberdade — trabalhar, aprender, contribuir, tudo mundo fica pior não apenas elas — é um problema para os homens e para as sociedades.”


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