ONU: Ebola provoca perdas econômicas de 3,6 bilhões de dólares para países da África Ocidental

Surto prejudicou também países que não foram diretamente afetados pela doença. Fechamento de fronteiras, cancelamento de voos e redução de investimentos são as principais causas do declínio econômico na região.

O vírus do ebola infectou quase 24 mil pessoas e matou aproximadamente 10.000, principalmente em Serra Leoa, Libéria e Guiné. Foto: UNICEF/Serra Leoa/John James

O vírus do ebola infectou quase 24 mil pessoas e matou aproximadamente 10.000, principalmente em Serra Leoa, Libéria e Guiné. Foto: UNICEF/Serra Leoa/John James

Os efeitos do ebola, que infectou quase 24 mil pessoas e matou aproximadamente 10 mil, vão além das pessoas que sofrem com o vírus e até mesmo ultrapassam as fronteiras dos países mais afetados – Libéria, Serra Leoa e Guiné -, destaca o relatório da ONU produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e divulgado na última quinta feira (12).

Mesmo em países da África Ocidental que tiveram incidência baixa ou nula de casos de ebola, os “efeitos do surto são enormes”, afirmou o diretor do escritório regional para a África do PNUD, Abdoulaye Mar Dieye, devido ao forte vínculo entre os países da região.

O Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas indicou que a África Ocidental como um todo pode perder uma média de pelo menos 3,6 bilhões de dólares por ano entre 2014 e 2017, por causa de fechamento de fronteiras, cancelamentos de voos e redução de investimento direto de estrangeiros e atividade turística. Também se espera que a renda per capita para os moradores da região caía em média 18 dólares por ano entre 2015 e 2017.  

O relatório apela para um maior envolvimento dos governos da África Ocidental e instituições regionais para deter a epidemia e impulsionar a recuperação, e parabeniza os esforços por parte da União Africana para enviar médicos da Nigéria e Etiópia, assim como a coordenação da ajuda da União do Rio Mano e a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Também olha para a prevenção de futuros surtos, pedindo uma combinação de intervenções regionais e nacionais, como esforços para fortalecer os setores de saúde em toda a região, a criação imediata de um centro regional para o controle da doença e prevenção, o controle coordenado das fronteiras e criação de um alerta precoce e sistemas de gestão de desastres.