ONU e União Europeia viabilizam poços de água em cidade afetada por conflito no Mali

Depois do conflito deslocar moradores de Gao, cidade do Mali de pouco mais de 100 mil habitantes, associações comunitárias passaram a ajudar pessoas a retornar à cidade e recomeçar suas vidas com o apoio de um financiamento da União Europeia.

No sol quente de uma manhã de março, risadas ecoam enquanto 20 mulheres se juntam para coletar água para preparar o almoço. O poço foi instalado em 2018 com financiamento do Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para a África e por meio da gestão da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O investimento faz parte de um dos dois dutos que custaram 21,5 mil euros e foram instalados no ano passado.

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Depois do conflito deslocar moradores de Gao, cidade do Mali de pouco mais de 100 mil habitantes, associações comunitárias passaram a ajudar pessoas a retornar à cidade e recomeçar suas vidas com o apoio de um financiamento da União Europeia.

No sol quente de uma manhã de março, risadas ecoam enquanto 20 mulheres se juntam para coletar água para preparar o almoço. O poço foi instalado em 2018 com financiamento do Fundo Fiduciário de Emergência da União Europeia para a África e por meio da gestão da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). O investimento faz parte de um dos dois dutos que custaram 21,5 mil euros e foram instalados no ano passado.

Para os moradores de Gao, a vida mudou no dia em que grupos armados extremistas invadiram a cidade em 2012, levando cerca de 80 mil pessoas a fugir com suas famílias. Alguns foram para outras partes do Mali, outros se refugiaram em países vizinhos. Para aqueles que retornam, o poço tem sido vital.

“A bomba de água fez uma grande diferença”, disse Mariam Souleye Maiga. Ela fugiu com seus quatro filhos para o Níger e só voltou 16 meses depois, quando os grupos armados foram expulsos.

“Antes, as pessoas sem torneira tinham que se levantar no meio da noite para buscar o que precisavam. Era exaustivo, particularmente no verão, quando a água é preciosa”.

Mariam Abu Bakr fugiu com sua família em 2012 para um campo de refugiados no Níger. Ela passou 20 meses lá, até que decidiu voltar para casa depois que os combatentes foram forçados a sair da cidade.

“Não havia dúvidas, esta é a minha casa. Eu tive que voltar”, disse ela. Seu desejo – e determinação – de voltar para casa é compartilhada por outros retornados.

No final da rua onde se encontra a bomba de água comunitária, existe uma associação chamada Um Fim à Corrida (Em inglês, An End to Running). Sua existência é uma prova da mudança do estado de espírito entre seus moradores.

Liderada por Mariam Souleye Maiga, a organização foi criada em 2016 e conta hoje com 47 mulheres, todos ex-refugiadas, deslocadas internas e migrantes econômicas. Com a ajuda do ACNUR e de parceiros como a Terre Sans Frontières (Terra Sem Fronteiras), elas começaram a trabalhar.

Cada participante contribui semanalmente para comprar ingredientes para cozinhar pratos com cuscuz e trigo. Em seguida, elas vendem seus produtos e dividem os lucros a cada nove meses.

“Nós nos reunimos e decidimos que não queríamos continuar pedindo”, contou, “e essa associação nos ajudaria a viver por conta própria”.

Fundada em 2007 por meio da concessão de um terreno pelo município, a horta às margens do rio Níger é cultivada e administrada por 18 mulheres locais. Elas capinam e regam seus produtos diariamente – cenouras, tomares, alface e outros vegetais – para depois comercializá-los.

A associação prosperava, até a cidade ser invadida em 2012. Na ocasião, seis das mulheres fugiram com suas famílias, mas outras permaneceram, determinadas a não desistir do empreendimento.

“Foi muito difícil sob o domínio dos islamistas”, disse Boshira Touré, presidente da associação. “Fomos mal tratadas, tivemos que nos cobrir completamente. Mas nunca desistimos da nossa horta. Continuamos”.

Os combatentes foram expulsos, as mulheres que fugiram retornaram mais uma vez e, em 2018, a associação recebeu um subsídio de 1 milhão de euros para comprar sementes, ferramentas e um motor mais potente para operar a bomba de água.

Nas ruas, gado e cabras pastam, indiferentes às paredes atrás deles, cheias de buracos de bala. A Praça da Independência, sete anos atrás era um teatro onde execuções públicas aconteciam em frente a multidões forçadas a comparecer.

A violência ainda espreita. Desde novembro de 2018, houve pelo menos 15 confrontos mortais em Gao, em subúrbios e nas cidades próximas.

Enquanto as gangues armadas continuam a dominar e causar estragos em cidades e vilarejos da região, a própria cidade de Gao hospeda uma grande base militar internacional. Há cerca de 13 mil soldados de 56 países que compõem a força de paz da ONU que trabalha para estabilizar o país.

Apesar das ameaças constantes, para muitos, há esperança. Mais de 71 mil pessoas que fugiram retornaram. Moradoras como Mariam Abu Bakr ainda falam do medo, mas, segundo ela, “agora, pouco a pouco, temos menos. As coisas estão melhorando”.

Em Aljanabandia, a água flui a partir da nova bomba de água e, na associação Um Fim à Corrida, os negócios são rápidos para atender a eventos. “Se nós recebemos um evento de casamento”, disse Mariam, “nossas participantes devem vir e trabalhar a semana toda”.

O próximo passo é expandir a produção. Elas querem começar a vender para outras cidades além de Gao. Sua corrida, elas esperam, acabou.