ONU e Ruanda usam a sala de aula para integrar jovens do país e refugiados

No leste de Ruanda, adolescentes do país e do Burundi estão aprendendo a compartilhar muito mais do que a mesma sala de aula. Na Escola Paysannat L, localizada dentro do campo de refugiados de Mahama, alunos de diferentes nacionalidades trocam cultura e laços de amizade. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Anethe Cyuzuzo e Irikungoma Bellaca são melhores amigas na escola Paysannat L, no campo de refugiados de Mahama, no leste de Ruanda. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin
Anethe Cyuzuzo e Irikungoma Bellaca são melhores amigas na escola Paysannat L, no campo de refugiados de Mahama, no leste de Ruanda. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

No leste de Ruanda, adolescentes do país e do Burundi estão aprendendo a compartilhar muito mais do que a mesma sala de aula. Na Escola Paysannat L, localizada dentro do campo de refugiados de Mahama, alunos de diferentes nacionalidades trocam cultura e laços de amizade. O relato é da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

De manhã, as turmas aguardam ansiosos por mais um dia de estudos. Entre os alunos, estão as melhores amigas Bellaca e Anethe, de mãos dadas e sempre rindo.

Bellaca, de 16 anos, fugiu do Burundi há mais de um ano, quando a violência chegou ao seu vilarejo. Procurando um lugar seguro em Ruanda, ela admite que ficou com receio de se mudar para uma nova cidade. A jovem conta que não esperava ser recebida tão abertamente. Para a adolescente, frequentar a escola local foi muito importante para que sua vida retornasse à normalidade.

“A melhor parte da escola é poder assistir às aulas – e ver minha melhor amiga também”, ela diz, virando-se para apontar para Anethe.

O ACNUR tem apoiado o governo de Ruanda a integrar refugiados ao sistema de educação do país de acolhimento. A agência auxilia as autoridades na criação e manutenção de centros de ensino em acampamentos. As instituições recebem alunos não apenas de outros países, mas também ruandeses.

Anethe Cyuzuzo e Irikungoma Bellaca caminham pela escola Paysannat L, no campo de refugiados de Mahama, no leste de Ruanda. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin
Anethe Cyuzuzo e Irikungoma Bellaca caminham pela escola Paysannat L, no campo de refugiados de Mahama, no leste de Ruanda. Foto: ACNUR/Georgina Goodwin

A escola Pysannat L, que acolhe todo o fluxo de crianças do Burundi, deixou de ser um pequeno colégio de ensino primário para se tornar uma escola que atende a 20 mil crianças em 230 salas de aula, empregando mais de 300 professores.

“Quando refugiados e estudantes locais frequentam a mesma escola, isso promove um entrosamento maior e um senso de comunidade”, diz Monica, oficial de Proteção do ACNUR.

Para Anethe, uma adolescente ruandesa que vive na comunidade próxima ao campo de refugiados de Mahama, ter uma escola bem perto de sua casa foi uma grande alegria.

A jovem de 15 anos conheceu Bellaca no primeiro dia de aula da estrangeira. Os medos e incertezas por acreditarem que suas nacionalidades e culturas diferentes impediriam a amizade logo se mostraram infundados.

“Ela é uma ótima amiga”, diz Bellaca a respeito de Anethe. “Antes de sermos tão próximas, ela me chamava para estudar com ela. E me ajudava com as lições da escola.”

“Na escola, sempre que dão material escolar aos refugiados, também distribuem para alunos ruandeses, sem discriminação”, explica Anethe. “É por isso que nós sentimos que os alunos refugiados são nossos amigos.”