ONU e Rio firmam parceria para prevenir violência entre jovens por meio do esporte

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O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) assinou nesta sexta-feira (1) durante evento na capital fluminense um memorando de entendimento com a Subsecretaria de Esportes e Lazer da cidade do Rio de Janeiro para formalizar a cooperação no âmbito do programa “Vamos Nessa”, iniciativa global do escritório da ONU que utiliza a prática esportiva como meio para prevenir a violência e a criminalidade entre jovens.

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O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) assinou nesta sexta-feira (1) durante evento na capital fluminense um memorando de entendimento com a Subsecretaria de Esportes e Lazer da cidade do Rio de Janeiro para formalizar a cooperação no âmbito do programa “Vamos Nessa”, iniciativa global do escritório da ONU que utiliza a prática esportiva como meio para prevenir a violência e a criminalidade entre jovens.

A assinatura do documento foi feita pelo representante regional do UNODC, Rafael Franzini, e pelo subsecretário da SUBEL, Julio Carlos Morandi, durante evento realizado no Palácio do Itamaraty, centro do Rio.

“É natural envolver a juventude com o esporte. Acredito que o esporte esteja no sangue dos brasileiros. Mas é claro, não é só porque os jovens têm gosto pelos esportes, é também pelo fato de que esse programa foi pensado para desenvolver habilidades para a vida, que é a mesma abordagem que utilizamos para prevenção do uso de drogas”, disse Franzini.

A assinatura marcou o encerramento de uma missão de intercâmbio de experiências ocorrida esta semana no Rio com a participação de profissionais de Educação Física, gestores esportivos e especialistas de países como África do Sul, Bangladesh, Bélgica, Colômbia, Índia, Quirguistão, Palestina, Peru, República Dominicana e Uganda. Foram organizados workshops e visitas a Vilas Olímpicas e projetos esportivos no Rio.

“O balanço desta semana é positivo. Tivemos a capacidade de trazer para o Brasil dez países para trocarem experiências (…). Se der certo aqui no Brasil, ele (o programa) será exportado para outros países, não só da região sul-americana, mas também da África”, disse o porta-voz da agência da ONU.

A iniciativa foi financiada pelo governo do Qatar com base na Declaração de Doha, documento acordado pelos Estados-membros da agência que estabelece sistemas de prevenção ao crime e de impulso a uma justiça criminal justa, eficaz e responsável.

Durante o evento, o subsecretário da SUBEL ressaltou a importância do acordo que atende jovens em situação de vulnerabilidade. “O tráfico de drogas é extremamente danoso para as crianças e adolescentes. No Rio de Janeiro, já temos informações de que o tráfico está recrutando jovens com menos de dez anos”, declarou.

Abrir o jogo

Também presente no encontro, a professora de Educação Física Alexandra Resende disse que inicialmente não acreditava que seus alunos fossem abrir o jogo em relação às drogas. Ela implementou a metologia do “Vamos Nessa” nas turmas da Vila Olímpica Clara Nunes, em Fazenda Botafogo, zona norte do Rio.

“Não imaginei que eles iriam conversar sobre isso de maneira tão aberta, trazendo relatos sobre colegas e até mesmo familiares que se envolveram (com drogas), discordando sobre esses atos e afirmando esperar algo melhor para a vida deles, de seus amigos e de suas famílias”, disse a educadora.

Ela explicou que o projeto do UNODC acabou integrando as Vilas Olímpicas e estruturando suas abordagens para a prevenção do crime entre os jovens. “Cada uma tem as suas dificuldades, mas em geral todas passam pelo mesmo problema das drogas”, disse.

Durante a cerimônia, a agência da ONU homenageou três organizações que receberão financiamento para treinamentos e atividades do projeto “Vamos Nessa”.

As entidades escolhidas foram o Instituto Rumo Náutico, que oferece educação e socialização por meio de esportes náuticos, como vela, remo e canoagem; o Instituto Companheiros das Américas – ICA, que utiliza o futebol como ferramenta para o desenvolvimento social, especialmente da juventude de baixa renda; e a Fundação Assis Chateubriand, organização empresarial que atua com responsabilidade social, incluindo a gestão pedagógica de sete Centros Olímpicos e Paralímpicos.

As organizações, que já utilizam o esporte como ferramenta transformadora para a vida de crianças e adolescentes, adotarão também metodologias do projeto do UNODC.

André Alcântara Martins, coordenador de desenvolvimento esportivo do Instituto Rumo Náutico, do Projeto Grael, afirma que a iniciativa é “reconhecida todos os dias pelas crianças”. “Temos 350 alunos cada semestre, mas é muito importante para nós o reconhecimento de uma instituição tão consolidada, como a ONU”, declarou.


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