ONU e parceiros querem eliminar malária até 2030

A Parceria Roll Back Malaria lança novas estratégias para orientar os esforços globais para eliminar a malária até 2030. Apesar de ser completamente tratável e evitável, a OMS estimou que haverá 214 milhões de casos de infecção por malária em 2015, provocando a morte de aproximadamente 472 mil pessoas, em sua maioria crianças africanas menores de cinco anos.

O uso de redes é um método eficaz de proteção contra o mosquito da malária. Na foto, um bebê com sua mãe em Gana. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

O uso de redes é um método eficaz de proteção contra o mosquito da malária. Na foto, um bebê com sua mãe em Gana. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

No dia 13 de julho, líderes mundiais na Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, em Adis Abeba (Etiópia) vão discutir a aprovação da nova Estratégia Técnica Global para Malária 2016-2030 pela Assembleia Mundial da Saúde e a Ação e Investimento para Eliminar a Malária até 2030 – por um mundo livre da malária, da Parceria Roll Back Malaria (RBM).

Juntos, esses documentos fornecem orientação técnica e um quadro para ação e investimento para atingir a meta ambiciosa de eliminação da malária delineados nos futuros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Essa nova visão abrangente será lançada oficialmente durante um evento especial de financiamento para malária convocado pelo primeiro ministro da República Democrática Federal da Etiópia, Hailemariam Desalegn.

O progresso na luta contra a malária desde 2000 resultou na redução da mortalidade pela doença em 58% – com mais de 6,2 milhões de mortes por malária evitadas entre 2001 e 2015. No entanto, a malária continua sendo a principal causa e consequência da pobreza e da desigualdade mundial. Ela dificulta o desenvolvimento econômico, enfraquece a segurança alimentar, impede crianças de irem para escola, e retém a capacidade de resposta dos sistemas nacionais para responder efetivamente ameaças à segurança da saúde.

No lançamento dessa nova visão, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon observou: “Alcançar nossos objetivos globais para a malária em 2030 não vai apenas salvar milhões de vidas, vai reduzir a pobreza e criar sociedades mais saudáveis e igualitárias. Assegurar a redução contínua e a eliminação da malária vai gerar benefícios para comunidades inteiras, para empresas, agricultura, sistemas de saúde e famílias”, disse Ban. “Transformar a nossa compreensão sobre o retorno do investimento pelo fim das mortes por malária em ação dinâmica e eficaz será essencial para perceber o futuro que queremos, onde todas as pessoas desfrutem da igualdade e dignidade que merecem”.

O resultado de consultas mundiais a especialistas em regiões, países e comunidades afetadas, a complementação da Estratégia Técnica Global para Malária e os documentos da Ação e Investimento para Eliminar a Malária até 2030 compartilham o cronograma dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e fornecem etapas para medir o progresso. Juntos, os documentos expõem as estratégias técnicas necessárias para continuar diminuindo o peso da malária, enquanto mapeiam o investimento e ações coletivas necessárias para atingir a meta de redução global da incidência de casos e mortes por malária em 90% até 2030 – comparado a 2015 – e eliminando a doença em 35 países adicionais.

“As novas metas da malária para 2030 – e os marcos estabelecidos em 2020 e 2025 nas estratégias da OMS e RBM – são ambiciosos porém possíveis”, disse o diretor do Programa Mundial de Malária da Organização Mundial da Saúde (OMS), Pedro Alonso. “Devemos acelerar o progresso para a eliminação da malária para garantir que nem a resistência do parasita aos medicamentos, nem a resistência do mosquito a inseticidas, nem o ressurgimento da malária, desfaçam os enormes ganhos até o momento. Podemos e devemos alcançar um impacto ainda maior para proteger o investimento que a comunidade global fez”.

Apesar de ser completamente tratável e evitável, a OMS estimou que haverá 214 milhões de casos de infecção por malária em 2015, provocando a morte de aproximadamente 472 mil pessoas, em sua maioria crianças africanas menores de cinco anos. Mesmo com os progressos sem precedentes até então, mais da metade da população mundial mantém-se em risco de infecção por malária nos dias de hoje.

Financiamento e inovações adequadas e previsíveis para novas ferramentas serão fundamentais para expandir as intervenções e chegar no alvo da OMS/RBM de eliminação da malária. No documento de Ação e Investimento para Eliminar a Malária até 2030 da RBM, especialistas destacam que pouco mais de 100 bilhões de dólares são necessários para eliminar a doença até 2030, com um adicional de 10 bilhões de dólares necessários para financiar a pesquisa e o desenvolvimento de novas ferramentas, incluindo novas drogas e inseticidas. Para alcançar a primeira etapa de redução da taxa de incidência e mortalidade da malária em 40%, será necessário aumentar o investimento anual para malária em 6,4 bilhões de dólares até 2020.

Enquanto o financiamento internacional e nacional total atingiu um pico de 2,7 bilhões de dólares em 2013, declínios atuais no financiamento do desenvolvimento internacional estão impactando a capacidade mundial em manter o progresso contra a malária. A aceleração em direção a eliminação da malária exigirá um maior financiamento por parte da comunidade internacional de doadores, bem como o aumento do financiamento interno por países afetados.

“O investimento para alcançar as novas metas de malária para 2030 vai evitar aproximadamente 3 bilhões de casos de malária e salvar mais de 10 milhões de vidas. Se somos capazes de alcançar essas metas, o mundo vai gerar 4 trilhões de dólares em produção econômica adicional entre o período de 2016-2030”, disse a diretora executiva da Parceria Roll Back Malaria, Fatoumata Nafo-Traoré. “Agora, mais do que nunca, devemos focar novamente os nossos esforços e comprometer novamente nossos orçamentos para que possamos continuar salvando vidas e para desbloquear o potencial econômico em comunidades ao redor do mundo”.

A um custo de 5-8 dólares por caso evitado, a malária tem continuamente provado ser um dos investimentos mais rentáveis na saúde pública, com investimentos relativamente baixos produzindo resultados elevados, mesmo para além do setor da saúde. E especialistas estimam que o retorno só vai continuar crescendo com os países começando a focar em metas de eliminação.

Nova análise da Ação e Investimento para Eliminar a Malária revela que o retorno mundial sobre o investimento de alcançar as metas de malária para 2030 é de 40:1, subindo para um nível sem precedentes de 60:1 para a África subsaariana. Isso reforça a evidência de que esforços contínuos para reduzir o fardo da malária têm o potencial de estimular o crescimento transformador e inclusivo.

A redução e eliminação da malária será fundamental para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e vai ajudar no avanço dos esforços de desenvolvimento em todos os setores, reduzindo a evasão escolar, combatendo a pobreza, aumentando a igualdade de gênero e melhorando a saúde materna e infantil.

Vidas salvas a partir de intervenções eficazes contra a malária têm sido associadas a uma redução de 20% em todas as causas de mortalidade infantil na África subsaariana desde 2000, enquanto esforços para prevenir a malária na gravidez têm evitado cerca de 95 mil mortes de recém-nascidos entre 2009 e 2012. Estes números representam uma geração inteira com a oportunidade de viver uma vida saudável e crescer como fortes e contribuintes membros da sociedade.

O documento completo AIM está disponível para download em: http://bit.ly/1G5NvnI

Contatos para a imprensa:
Prudence Smith (inglês), Genebra
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