ONU e parceiros instalam pontos de água potável em campos de refugiados em Bangladesh

Durante meses, após fugir da violência em Mianmar tendo como destino Bangladesh, o refugiado rohingya Nurul Salam e sua esposa, Lalu Begum, tinham de consumir água que frequentemente deixava toda a família doente, com dores de garganta e diarreia.

Agora, graças a um sistema de água recentemente instalado movido a energia solar, eles estão entre as milhares de pessoas no assentamento de refugiados de Kutupalong, em Cox’s Bazar, que podem caminhar até um estande, abrir a torneira e encher um balde com água potável.

O sistema é uma das oito iniciativas instaladas no último semestre por Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), OXFAM, Médicos Sem Fronteiras e a agência não governamental de Bangladesh BRAC, atendendo um total de 40 mil pessoas. Existem planos para instalar outras dez redes no próximo ano, o que beneficiará mais de 80 mil refugiados.

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Durante meses, após fugir da violência em Mianmar tendo como destino Bangladesh, o refugiado rohingya Nurul Salam e sua esposa, Lalu Begum, tinham de consumir água que frequentemente deixava toda a família doente, com dores de garganta e diarreia.

“O ponto de água estava perto de um dreno. Nós nunca soubemos se era água pura ou não. A área estava muito suja e ficávamos doentes com muita frequência”, diz Nurul, de 35 anos.

Agora, graças a um sistema de água recentemente instalado movido a energia solar, eles estão entre as milhares de pessoas no assentamento de refugiados de Kutupalong, em Cox’s Bazar, que podem caminhar até um estande, abrir a torneira e encher um balde com água potável.

“Minha esposa tinha diarreia e, às vezes, febre. Agora as coisas mudaram. Ela não ficou mais doente nos últimos meses”, diz Nurul, que utiliza água limpa para fazer chás que serão vendidos na barraca que administra no assentamento.

O casal está entre os cerca de 745 mil refugiados forçados a fugir para Bangladesh depois que uma ofensiva do governo de Mianmar, em agosto de 2017, os expulsou de suas casas no norte do estado de Rakhine.

A família originalmente se estabeleceu em um local que alagava facilmente, mas foi transferida para uma nova área onde 3,5 mil crianças, mulheres e homens se beneficiam de água limpa.

“Onde vivíamos antes, se houvesse uma tempestade forte, os níveis de água subiam e entravam em nossa barraca”, lembra Nurul. “Água era uma maldição. Agora, é uma bênção. As crianças não estão mais doentes.”

De acordo com relatório sobre o Desenvolvimento Mundial da Água 2019, apesar de a água potável e o saneamento serem reconhecidos como direitos humanos básicos, indispensáveis ​​à saúde e à dignidade humana, três em cada dez pessoas em todo o mundo não têm acesso a esses serviços.

O sistema de água movido a energia solar é uma das oito iniciativas instaladas no último semestre por Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), OXFAM, Médicos Sem Fronteiras e a agência não governamental de Bangladesh BRAC, atendendo um total de 40 mil pessoas. Existem planos para instalar outras dez redes no próximo ano, o que beneficiará mais de 80 mil refugiados.

Os sistemas funcionam inteiramente com eletricidade gerada por painéis solares. Bombas motorizadas extraem água de poços profundos para tanques de 70 mil litros recém-instalados, onde o cloro mata bactérias e outros micróbios nocivos. Em seguida, a água limpa é canalizada para pontos coletivos estrategicamente instalados em Kutupalong-Balukhali.

“É muito menos difícil e mais conveniente do que antes”, diz Lalu, que também ajuda como voluntária na BRAC, parceira do ACNUR, ao coletar água nas torneiras. “Nós costumávamos ter longas filas e dedicar muita energia para obter água. Mas agora posso pegar toda a água sozinha”.

Entre os refugiados beneficiados, está o voluntário Mohammed Baser, de 20 anos, e sua família. “Nós morávamos em uma área onde muito lixo era acumulado. O cheiro era muito ruim. Minha filha costumava ficar doente o tempo todo. Ela tinha febre, diarreia e infecções na garganta. A água fedia e os arredores não eram bons”.

“A água aqui é boa… Antes, não percebíamos que estávamos ficando doentes por causa da água.”

Mais de 90 mil refugiados rohingya estão vivendo em 94 diferentes pontos em Cox’s Bazar, em Bangladesh. Esforços para fornecer água potável suficiente para refugiados em todos os locais têm apresentado um enorme desafio para as agências humanitárias, exigindo a perfuração de poços profundos, construção de redes de água incluindo a instalação de tubulações, barragens, canais, mecanismos de filtragem e sistemas de cloração.

Além disso, o ACNUR e a Oxfam colocaram em operação, no início deste ano, a maior instalação de tratamento de resíduos humanos já construída em um assentamento de refugiados. A fábrica é capaz de processar o desperdício de 150 mil pessoas.

Na maioria dos locais, a água é escassa. Na estação seca, especialmente em áreas como Nayapara, muitas vezes a única solução é o transporte de água, o que é muito caro. Tem sido um desafio garantir fontes de água adequadas para toda a população de refugiados.

Em resposta, ACNUR e parceiros, trabalhando em estreita colaboração com o governo de Bangladesh, intensificaram seus esforços no ano passado para buscar soluções duradouras para água e saneamento.

“As novas redes de água movidas a energia solar reduzem os custos de energia e as emissões de combustível”, diz Murray Wilson, chefe dos programas de água, saneamento e higiene (WASH) do ACNUR em Cox’s Bazar.

O ACNUR e seus parceiros visam fornecer 20 litros de água clorada por dia a cada refugiado – garantindo água potável para todos.

“Cloração de água ajuda a manter a água segura e elimina qualquer risco de propagação da doença”, diz Wilson. “As fontes de água anteriores, principalmente as bombas manuais, eram muitas vezes contaminadas pelas águas residuais que penetravam o aquífero de onde os poços puxavam água.”

“Esta é uma mudança fundamental na forma como abordamos a prestação de serviços para os refugiados”.