ONU e parceiros financiam atendimento médico para mais de 10 milhões de refugiados

Em meio aos níveis recordes de deslocamento forçado no mundo, cerca de 10,5 milhões de refugiados receberam tratamento médico em programas de saúde pública financiados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros no ano passado, de acordo com dados do Relatório Anual de Saúde Pública Global do ACNUR, publicado na semana passada (18).

“Com a maioria dos refugiados (84%) abrigada em regiões em desenvolvimento, onde serviços básicos estão sobrecarregados, sistemas nacionais de saúde precisam de maior apoio para garantir que refugiados e comunidades anfitriãs possam ter acesso a atendimentos de saúde essenciais que salvam vidas”, disse o alto-comissário assistente de operações do ACNUR, George Okoth-Obbo.

Menina síria refugiada é atendida em centro de saúde para refugiados apoiado pelo ACNUR no Egito. Foto: ACNUR/Scott Nelson

Menina síria refugiada é atendida em centro de saúde para refugiados apoiado pelo ACNUR no Egito. Foto: ACNUR/Scott Nelson

Em meio aos níveis recordes de deslocamento forçado no mundo, cerca de 10,5 milhões de refugiados receberam tratamento médico em programas de saúde pública financiados pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e outros parceiros no ano passado, de acordo com dados do Relatório Anual de Saúde Pública Global do ACNUR, publicado na semana passada (18).

O relatório destacou o estado de saúde, nutrição, serviços de água, saneamento e higiene para refugiados, solicitantes de refúgio e comunidades anfitriãs de 51 países.

“Com a maioria dos refugiados (84%) abrigada em regiões em desenvolvimento, onde serviços básicos estão sobrecarregados, sistemas nacionais de saúde precisam de maior apoio para garantir que refugiados e comunidades anfitriãs possam ter acesso a atendimentos de saúde essenciais que salvam vidas”, disse o alto-comissário assistente de operações do ACNUR, George Okoth-Obbo.

O relatório mostrou que entre os progressos realizados em 2018, as taxas de mortalidade entre crianças refugiadas menores de 5 anos, um importante indicador de saúde em emergências, continuam caindo.

As taxas de mortalidade de crianças refugiadas menores de 5 anos melhoraram, em média, de 0,4 para cada 1 mil crianças por mês em 2017 para 0,3 a cada 1 mil em 2018. Isso ocorreu apesar dos contínuos influxos de refugiados, inclusive de Mianmar, Sudão do Sul e República Democrática do Congo para os países vizinhos no ano passado.

O relatório também destacou os progressos significativos realizados na inclusão de refugiados nos sistemas nacionais de saúde, com alguns países também realizando esforços notáveis ​​para expandir as oportunidades de incluir os refugiados nos planos de saúde e outros pilares da proteção social.

Em 37 países anfitriões, a maioria dos refugiados podem ser vacinada e receber tratamento para tuberculose, HIV e malária em taxas igualitárias com as nacionais.

Os esforços também continuaram em 2018 para promover e facilitar o acesso abrangente a serviços de saúde reprodutiva, incluindo saúde materna e neonatal e planejamento familiar.

Em 80% dos países onde o ACNUR apoia atividades de saúde, 90% das mulheres refugiadas deram à luz em instalações de saúde com assistência profissional – a medida mais eficaz para reduzir a mortalidade neonatal e materna assim como da natimortalidade.

As principais áreas de preocupação para a saúde dos refugiados, no entanto, incluem surtos de doenças em contextos de refúgio. Ao longo do ano, as equipes e parceiros de saúde pública do ACNUR responderam a vários surtos, desde difteria e suspeita de sarampo em Bangladesh, até cólera e febre hemorrágica viral no Quênia e em Uganda.

A desnutrição também continua sendo um preocupante problema de saúde para os refugiados. Embora as melhorias nas taxas de Desnutrição Aguda Global (GAM, na sigla em inglês) – um dos principais indicadores nutricionais – tenham ocorrido em vários contextos na comparação com o ano anterior, o ACNUR disse estar preocupado com os altos níveis de anemia e desnutrição entre muitas populações de refugiados.

Enquanto as causas de desnutrição variam, a insegurança alimentar é um fator significativo. Muitas operações do ACNUR sofreram cortes crescentes na assistência alimentar nos últimos anos e há uma tendência crescente no número de países afetados.

Cortes na assistência alimentar são particularmente preocupantes porque refugiados frequentemente têm limitadas opções legais para aumentar sua renda ou seu acesso à comida. Muitos recorrem a estratégias de enfrentamento potencialmente prejudiciais para atender suas necessidades básicas, o que pode aumentar os riscos, como tirar crianças da escola para trabalhar, mendigar e vender o pouco que têm.

A integração da saúde mental na atenção básica continua sendo uma prioridade. As consultas de saúde mental foram responsáveis ​​por menos de 2% (154 mil) do número total de consultas de saúde com refugiados (cerca de 7,5 milhões) nas unidades de saúde do ACNUR e de parceiros em 2018.

Dado os níveis recordes de deslocamento forçado em todo o mundo e com 25,9 milhões de refugiados globalmente, o ACNUR está pedindo apoio para sustentar suas principais atividades, como os programas de saúde para refugiados. Em meados de 2019, apenas 30% do orçamento global do ACNUR, de 8,636 bilhões de dólares — que apoia serviços e programas que salvam vidas de refugiados em 131 países — foi arrecadado.

Clique aqui para acessar o relatório (em inglês).