ONU e organismo financeiro planejam mobilizar setor privado pela inclusão de refugiados no Brasil

A International Finance Corporation (IFC), do Grupo Banco Mundial, e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) anunciaram nesta terça-feira (12) uma parceria que vai promover iniciativas do setor privado brasileiro para refugiados. Projeto será o ponto de partida para impulsionar os esforços de empresas latino-americanas na integração econômica e social de quem foi forçado a abandonar seu país.

Planejamento da carreira e empreendedorismo são alguns dos temas abordados no projeto Empoderando Refugiadas. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

Refugiadas participam de atividade de planejamento de carreira e estímulo ao empreendedorismo em projeto do ACNUR, Pacto Global e ONU Mulheres. Foto: Rede Brasil do Pacto Global/Fellipe Abreu

A International Finance Corporation (IFC), do Grupo Banco Mundial, e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) anunciaram nesta terça-feira (12) uma parceria que vai promover iniciativas do setor privado brasileiro para refugiados. Projeto será o ponto de partida para impulsionar os esforços de empresas latino-americanas na integração econômica e social de quem foi forçado a abandonar seu país.

A América Latina enfrenta o maior deslocamento de pessoas da sua história recente, envolvendo a saída de mais de 3 milhões de venezuelanos para países de toda a região, incluindo o Brasil.

A IFC e o ACNUR assinaram um acordo para enfrentar os desafios de médio e longo prazo vividos pelas pessoas refugiadas em território brasileiro. Ambas as instituições vão mobilizar investimentos e expertise do setor privado para desenvolver novas alternativas de financiamento da resposta às necessidades de refugiados. Os organismos também querem promover mais sensibilização sobre o tema e aumentar o impacto dos recursos públicos.

“Além da assistência emergencial, as populações deslocadas de forma forçada enfrentam desafios para sua integração a longo prazo nos países de acolhimento”, explica Hector Gomez Ang, diretor de país da IFC no Brasil.

“Para enfrentar esses desafios de forma eficaz, é essencial que o setor privado lidere o desenvolvimento de soluções inovadoras para fornecer moradia, criar empregos e facilitar a inclusão financeira dos refugiados.”

O representante do ACNUR no Brasil, José Egas, defende que “não podemos resolver a crise migratória fechando portas”. “A magnitude dessa questão nos leva a repensar nosso modelo de negócios e propor novas perspectivas para a integração de refugiados”, avalia o dirigente da agência da ONU.

Para Egas, é preciso oferecer oportunidades aos refugiados, em todos os níveis de atuação do setor privado, para que eles consigam mostrar seu potencial e contribuições para as comunidades de acolhimento.

A IFC e o ACNUR já trabalharam juntas anteriormente para promover o desenvolvimento econômico e social das populações em deslocamento forçado. Em 2018, com o apoio da agência da ONU, a IFC realizou um estudo para avaliar o potencial de investimento de empresas no campo de refugiados de Kakuma, no Quênia.

Também com o suporte do organismo das Nações Unidas, a IFC está trabalhando com a IrisGuard, uma empresa jordaniana especializada em tecnologia de leitura de íris. A colaboração visa aumentar a inclusão financeira de refugiados sírios na Jordânia.

A IFC é a maior instituição de desenvolvimento do mundo voltada para o setor privado em mercados emergentes. No ano fiscal de 2018, os investimentos de longo prazo do organismo atingiram um valor recorde de 19,3 bilhões de dólares. O montante foi usado para fortalecer empresas e ajudar a erradicar a miséria, promovendo a prosperidade compartilhada.