ONU e lideranças religiosas discutem riscos do HIV e tuberculose para crianças

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O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e instituições parceiras promoveram em Nova Iorque um encontro de líderes religiosos para discutir a relação entre as epidemias de HIV e tuberculose. Evento debateu os riscos vividos por grupos mais vulneráveis, como crianças e adolescentes. Por dia, 660 jovens morrem de tuberculose, e apenas 50% de todos os meninos e meninas com HIV estão em tratamento.

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS, em encontro ecumênico em Nova Iorque. Foto: UNAIDS

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS, em encontro ecumênico em Nova Iorque. Foto: UNAIDS

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e instituições parceiras promoveram na semana passada (27), em Nova Iorque, um encontro de líderes religiosos para discutir a relação entre as epidemias de HIV e tuberculose. Evento debateu os riscos vividos por grupos mais vulneráveis, como crianças e adolescentes. Por dia, 660 jovens morrem de tuberculose, e apenas 50% de todos os meninos e meninas com HIV estão em tratamento.

Na avaliação do chefe do UNAIDS, Michel Sidibé, esse cenário é “inaceitável”. Atualmente, 90% das crianças que morrem de tuberculose não recebem tratamento. “Líderes religiosos, por favor, ajudem-nos a acabar com o estigma e a discriminação”, pediu o dirigente do organismo internacional durante o diálogo ecumênico.

“O mais importante é trabalhar em conjunto com compaixão, amor, generosidade, empatia e gentileza. Com isso, mudaremos juntos o panorama das epidemias de HIV e tuberculose.”

O organismo da ONU lembrou que respostas bem-sucedidas à tuberculose e ao HIV abordam os determinantes biomédicos e sociais dessas infecções, como pobreza, desigualdade, situações de conflito e crise, violações de direitos humanos e criminalização.

Por terem posições de confiança no interior das comunidades, as organizações religiosas podem fornecer serviços e apoio que ultrapassam o alcance de muitos sistemas públicos de saúde.

“Nossa resposta à tuberculose e à AIDS não seria e não será a mesma que é hoje sem as comunidades religiosas. Agora há cinco ações fundamentais que precisamos tomar juntos. Educar, defender e combater o estigma. Continuar lutando pelo atendimento centrado no paciente. Dar voz aos sem voz, especialmente às crianças. Defender recursos para acabar com a tuberculose e o HIV. Pressionar para continuarmos fazendo parte da discussão”, afirmou o enviado especial do secretário-geral da ONU para tuberculose, Eric Goosby.

O evento em Nova Iorque também teve a participação de profissionais de saúde e de sobreviventes que foram infectados com uma variante da tuberculose resistente a diferentes tratamentos.

“Vi no raio-x um grande buraco no meu pulmão e pensei: por que fui exposta à tuberculose multirresistente a medicamentos? Eu dediquei minha vida a cuidar das pessoas. Mais tarde, tive a sorte de testar o primeiro novo medicamento para tuberculose em 40 anos. Salvou a minha vida e agora posso continuar falando e lutando para que muitos mais possam viver”, contou Dalene Von Delft.

As instituições e ativistas presentes no encontro reiteraram seu apelo a governos para que cumpram suas promessas junto à ONU — acabar com o HIV e com a tuberculose até 2030 como um problema de saúde pública.


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