ONU e governos estaduais debatem igualdade de gênero nas zonas rurais do Nordeste

O Ceará recebeu em março a 11ª edição do Fórum Regional dos Gestores Responsáveis pelas Políticas de Apoio à Agricultura Familiar do Nordeste e Minas Gerais. O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) levou para o evento debates sobre a igualdade entre homens e mulheres no campo. Projetos de fomento produtivo, implementados pela agência da ONU em cinco estados nordestinos, também entraram na pauta das discussões.

Agricultura familiar é tema de fórum regional com representantes dos estados do Nordeste e Minas Gerais. Foto: MDA

Agricultura familiar é tema de fórum regional com representantes dos estados do Nordeste e Minas Gerais. Foto: MDA

O Ceará recebeu em março a 11ª edição do Fórum Regional dos Gestores Responsáveis pelas Políticas de Apoio à Agricultura Familiar do Nordeste e Minas Gerais. O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) levou para o evento debates sobre a igualdade entre homens e mulheres no campo. Projetos de fomento produtivo, implementados pela agência da ONU em cinco estados nordestinos, também entraram na pauta das discussões.

Realizado entre 21 e 23 de março, em Fortaleza, o fórum teve a participação da consultora do FIDA Rodica Weitzman, que apresentou um diagnóstico das políticas de igualdade de gênero nos programas apoiados pelo organismo das Nações Unidas. A palestra reuniu 46 participantes, incluindo representantes de organizações feministas, como as Quebradeiras de Coco Babaçu e o Centro Feminista 8 de Maio (CF8M).

O FIDA mantém programas de estímulo ao crescimento econômico das zonais rurais de cinco estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe. O fundo internacional também implementa uma inciativa em nível federal — o Projeto Dom Hélder Câmara —, que abrange 11 estados da região.

Ações têm por objetivo combater a miséria em comunidades agrícolas do semiárido. O FIDA concede empréstimos e fornece assistência técnica para as atividades, realizadas pelas secretarias estaduais. Com seus projetos, o organismo da ONU visa capacitar agricultores familiares, que aprendem novas técnicas produtivas e desenvolvem planos de negócios. O FIDA também busca dar acesso para os beneficiários a insumos e mercados.

Projeto do FIDA firma parceria de R$ 450 mil

Uma das iniciativas do FIDA é o Projeto Paulo Freire, implementado em 31 municípios do Ceará. Durante o 11º Fórum, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do estado assinou um convênio com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) para a liberação de 449.076 reais para o programa.

A verba será utilizada em ações para a cadeia de caprinos e ovinos. Cerca de 50% dos projetos produtivos do Paulo Freire são voltados para esse setor da pecuária. O financiamento da EMBRAPA contribuirá, por meio da realização de treinamentos, para melhorar o quadro técnico que auxilia os agricultores.

Também no fórum, foi lançado o livro “Legado das Políticas Públicas de Desenvolvimento Rural para a Inclusão Socioprodutiva no Brasil”. O volume foi publicado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) e pelo Fórum Permanente de Desenvolvimento Rural Sustentável. A Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará apoiou o lançamento por meio do Projeto Paulo Freire.

Gestores discutem

Antes do fórum, assessores de secretarias estaduais do Nordeste participaram do I Encontro de Gestão de Conhecimento e Gênero, organizado também em Fortaleza por outro projeto do FIDA, o Semear Internacional. Implementada em parceria com o IICA, a iniciativa busca facilitar o acesso a saberes, inovações e boas práticas que podem ser adotados e replicados nas comunidades rurais onde o fundo da ONU atua.

Elizabeth Siqueira, assessora do projeto do FIDA na Bahia, o Pró-Semiárido, defendeu estratégias e orçamentos específicos para ações que levem em conta diferenças de gênero, raça, etnia e faixa etária.

Para Fabiana Viterbo, coordenadora do Semear Internacional, o objetivo do encontro era identificar temas para futuros intercâmbios e oficinas, além de reconhecer boas práticas relevantes, que podem ser sistematizadas e publicadas com o apoio do Semear.

“Esta reunião é o primeiro encontro do GT de Gestão do Conhecimento que vem sendo articulado por meio virtual e que possibilita o alinhamento das atividades que vêm sendo discutidas e trabalhadas desde a sua formação. E também do GT em Gênero, recém-formado, que é uma demanda importante e existente em todos os projetos a fim de garantir maior espaço de diálogo e fortalecimento das ações do FIDA voltadas para as mulheres rurais”, explicou.