ONU e governo brasileiro apoiam vítimas de violência sexual na RD Congo

Projeto fornece ajuda financeira para ONGs locais, possibilitando a terapia psicossocial, pagamento de taxas escolares e de treinamento, seguro médico e suprimentos para pequenas empresas das vítimas.

Uma mãe adolescente e sua filha em um abrigo no campo em Kalinga, em Masisi, Kivu do Norte. A menina deu à luz depois de ter sido estuprada por homens armados. Foto: ACNUR/S. Schulman

Uma mãe adolescente e sua filha em um abrigo no campo em Kalinga, em Masisi, Kivu do Norte. A menina deu à luz depois de ter sido estuprada por homens armados. Foto: ACNUR/S. Schulman

Sarah (*) é uma das sobreviventes de um ataque por grupos armados no território de Shabunda, em Kivu do Sul, na República Democrática do Congo (RDC). Ela conta que o trauma a levou a abandonar a escola e parar de trabalhar. Sarah, como muitas das vítimas de violência sexual, foi abandonada pelo marido após o ataque.

De acordo com um relatório da ONU, entre dezembro de 2011 e novembro de 2012 764 pessoas foram vítimas de violência sexual: 242 casos foram notificados na província Orientale, 278 no Kivu do Norte e 244 no Kivu do Sul. A violência sexual contra as mulheres no contexto do conflito armado tem atormentado a RDC desde 1990.

O relatório indica que as atrocidades são de uma brutalidade inimaginável. As vidas que as vítimas tinham antes do ataque são em grande parte destruídas por conta do trauma e do estigma enfrentado em suas famílias e comunidades.

Privadas de redes de apoio social, essas mulheres muitas vezes lutam pela sua mera sobrevivência física e a de seus filhos. Quando perguntadas sobre os remédios e reparações que precisariam, responderam pedindo pelo acesso à assistência médica e a educação para si e para seus filhos, a fim de restaurar a sua dignidade e dar-lhes um sentido de justiça.

Em resposta, o Escritório Conjunto de Direitos Humanos das Nações Unidas, em colaboração com o governo brasileiro, criou um projeto para incentivar programas de reparação integral pelo governo local.

O projeto forneceu ajuda financeira para ONGs locais, possibilitando a terapia psicossocial, pagamento de taxas escolares e de treinamento, seguro médico e suprimentos para pequenas empresas dos sobreviventes. Também apoiou a construção de centros de recepção, que oferecem hospedagem, alimentação e serviços de consultoria para as vítimas que aguardam julgamento nos territórios de Bukavu e Shabunda.

Cinco anos após o ataque, Sarah, agora com 26 anos, vende roupas em Bukavu e é capaz de sustentar a si mesma e a sua família. “Quando recebi meu kit de reintegração econômica, minha vida mudou”, disse ela, que está reiniciando seus estudos na universidade.

“Eu me sinto viva e não fico mais deprimida, deitada na minha cama! Eu tenho projetos de vida que nunca tive antes”. Como Sarah, todas as sobreviventes entrevistadas afirmaram que o projeto foi fundamental para a sua recuperação.

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O nome foi modificado por motivos de segurança. Esta matéria foi publicada para a Campanha Internacional dos 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, realizada todo ano a partir do dia 25 de novembro (Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres) e 10 de Dezembro (Dia dos Direitos Humanos). Saiba mais em www.onu.org.br/unase