ONU e Fundação Banco do Brasil premiam projetos sociais da Bahia, Ceará, Paraíba, São Paulo e DF

Premiação reconheceu tecnologias sociais alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Foto: FAO

Durante cerimônia na noite de quinta-feira (23), em Brasília, foram revelados os vencedores do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologias Sociais 2017, uma iniciativa apoiada pela ONU. Neste ano, as categorias da premiação foram concebidas com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). A competição também foi aberta, pela primeira vez, para projetos da América Latina, que concorreram num segmento internacional. Lista de ganhadores tem programas da Bahia, Ceará, Paraíba, São Paulo e Distrito Federal.

Conheça abaixo todos os projetos vencedores:

Categoria Agroecologia
Rede de Agroecologia Povos da Mata (Bahia), iniciativa criada em Ilhéus para mobilizar agricultores familiares, comunidades indígenas e quilombolas a conservar o meio ambiente apostando em produtos agroecológicos. O projeto foi certificado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para emitir certificados e selos orgânicos de produtos agrícolas e seus derivados.

Categoria Água e/ou Meio Ambiente
Dessalinizadores Solar (Paraíba), projeto que usa a energia do sol para produzir água potável, sem uso de eletricidade, de elementos filtrantes e livre de produtos químicos, oferecendo uma alternativa para as famílias do semiárido paraibano enfrentarem as longas estiagens.

Categoria – Cidades Sustentáveis e/ou Inovação DigitalPoste de Luz Solar – Litro de Luz Brasil (São Paulo), organização não governamental que tem por objetivo combater o problema da falta de iluminação em comunidades das cinco regiões do Brasil. Instituição trabalha com soluções sustentáveis e economicamente viáveis para levar eletricidade à população. Um exemplo é a instalação de postes feitos com canos de PVC, o que facilita a colocação de cimento e fixação no solo e possibilita a passagem de fiação elétrica.

Categoria Economia Solidária
Rede Bodega de Comercialização Solidária (Ceará), espaço de divulgação e comercialização de produtos feitos por associações e cooperativas do Ceará. Projeto está presente na capital, Fortaleza, e em outros quatro municípios do estado.

Categoria Educação
Fast Food da Política (São Paulo), projeto que difunde conhecimentos sobre o funcionamento da política e do Estado brasileiros por meio de jogos e atividades lúdicas.

Categoria Saúde e Bem-Estar
Uma Sinfonia Diferente (Distrito Federal), projeto que leva musicoterapia para crianças com autismo, utilizando som, ritmo, melodia e harmonia para o desenvolvimento de aptidões no campo da música e em outras atividades.

Categoria Internacional
Caminos de la Villa (Argentina),  um portal multimídia que torna visíveis as condições de vida de mais de 20 bairros excluídos de Buenos Aires. Projeto oferece a cerca de 275 mil moradores uma ferramenta de diagnóstico comunitário, permitindo o monitoramento de serviços prestados nas regiões mapeadas, bem como o acompanhamento de obras públicas.

A premiação da Fundação Banco do Brasil foi realizada com a cooperação da UNESCO e com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Banco Mundial, do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Lilian Romera, que representou a FAO na cerimônia, disse que o prêmio é uma oportunidade para a troca de experiências e de boas práticas nacionais e regionais. A especialista acrescentou que a agência da ONU “disponibilizará toda a sua rede para a disseminação das tecnologias sociais vencedoras”.

Escolas Sustentáveis

Um dos finalistas da categoria internacional foram as Escolas Sustentáveis, projeto implementado no município de Atiquizaya, a 83 quilômetros ao norte de San Salvador, capital de El Salvador.

Desde 20013, esta iniciativa tem sido adotada como referência para programas sustentáveis de alimentação escolar. A prefeita de Atiquizaya, Ana Luisa Rodríguez, participou da cerimônia em Brasília e explicou que as Escolas Sustentáveis permitiram melhorar o nível nutricional de todas as crianças nos colégios e, além disso, diminuir o abandono escolar.

O programa — que foi certificado pela Fundação Banco do Brasil mesmo não tendo sido vencedor da categoria internacional — garante o fornecimento de refeições, todos os dias, para estudantes em 22 escolas do município. Alimentos usados no preparo vêm da agricultura familiar local. Cento e quarenta e sete associações de produtores entregam frutas, vegetais e ovos nas escolas.

Na área de educação alimentar e nutricional, as escolas promovem hábitos saudáveis por meio de hortas escolares pedagógicas e com a adoção de cardápios adequados. “Com as hortas, as crianças começaram a produzir vegetais e hortaliças e a comer o que produziam. As hortas contribuíram para a mudança da cultura alimentar”, explicou Ana Luisa.

As mães que preparam a alimentação escolar receberam treinamento adequado em temas de segurança alimentar e manuseio adequado para promover hábitos de higiene na cozinha de cada escola.

Além disso, foram melhoradas a infraestrutura de cozinhas, refeitórios e despensas dos estabelecimentos de ensino. “Tivemos a oportunidade de melhorar a infraestrutura, com o apoio da cooperação do Brasil, através do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação e da FAO que nos assessorou tecnicamente”, explicou a prefeita Ana Luisa Rodríguez, da Atiquizaya.

Além de El Salvador, outros 12 países da América Latina e do Caribe estão implementando o modelo das Escolas Sustentáveis, com o apoio de um projeto regional de fortalecimento da alimentação escolar liderado pelo Brasil e pela FAO.