ONU e BNP Paribas fecham acordo para financiamento de projetos sustentáveis em países emergentes

A ONU Meio Ambiente e o banco BNP Paribas assinaram na terça-feira (12) em Paris um memorando de entendimento para desenvolver projetos sustentáveis que abordem desafios ambientais e sociais nos países emergentes.

O BNP Paribas atuará como assessor de mercados de capitais e de estruturação dos Fundos de Finanças Sustentáveis, e levará ao programa capital de investidores institucionais, como fundos de pensão e de investimento. Já a ONU Meio Ambiente garantirá que os impactos ambientais e sociais dos projetos financiados sejam positivos.

Parceria da ONU Meio Ambiente com o BNP Paribas tem como um dos focos o financiamento à agricultura familiar em países emergentes. Na foto, agricultores familiares de Minas Gerais. Foto: Imprensa MG/Carlos Alberto

Parceria da ONU Meio Ambiente com o BNP Paribas tem como um dos focos o financiamento à agricultura familiar em países emergentes. Na foto, agricultores familiares de Minas Gerais. Foto: Imprensa MG/Carlos Alberto

A ONU Meio Ambiente e o banco BNP Paribas assinaram na terça-feira (12) um memorando de entendimento para desenvolver projetos sustentáveis que abordem desafios ambientais e sociais nos países emergentes.

O documento foi firmado pelo diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim, e pelo diretor-executivo do BNP Paribas, Jean-Laurent Bonnafé, na presença do presidente francês, Emmanuel Macron, na cúpula “One Planet”, realizada em Paris.

A associação se inspira no Fundo de Financiamento de Paisagens Tropicais, uma aliança estabelecida na Indonésia entre ONU Meio Ambiente, BNP Paribas, Centro Mundial Agroflorestal e a gestora de investimentos ADM Capital.

A ONU Meio Ambiente e o BNP Paribas criarão agora os Fundos de Finanças Sustentáveis em outros países em desenvolvimento, com a meta de alcançar um montante de financiamento de 10 bilhões de dólares até 2025.

Com mais investidores globais e a organização e emissão de crédito verde, os Fundos de Finanças Sustentáveis ajudarão a canalizar recursos do setor privado para o desenvolvimento econômico sustentável nos países emergentes.

Os projetos centrados na melhora da produtividade rural, na eletrificação rural a partir de fontes renováveis e na restauração e proteção da paisagem florestal apoiarão os compromissos climáticos e de desenvolvimento sustentável dos países, criarão resiliência climática e ajudarão nações e comunidades a alcançar os objetivos de segurança alimentar, hídrica e energética.

A intenção é de que as iniciativas reconheçam a função vital dos atores relevantes em todas as esferas do crescimento sustentável, em particular das mulheres, dos povos indígenas e das comunidades locais, e a necessidade de sua participação plena e efetiva.

As ações poderão incluir a restauração de paisagens agrícolas degradadas por meio da agrossilvicultura, o impulso à agricultura de pequena escala ou os investimentos em energia renovável nas zonas rurais, sobretudo para substituir o carvão vegetal. Agricultura climaticamente inteligente, combate ao desflorestamento e restauração de florestas e paisagens em grande escala poderiam contribuir com 30% dos esforços necessários para cumprir o Acordo de Paris.

O BNP Paribas continuará atuando como assessor de mercados de capitais e assessor de estruturação dos Fundos de Finanças Sustentáveis, na medida em que estes se estabeleçam, e levará capital de investidores institucionais ao programa.

A ONU Meio Ambiente garantirá que os impactos ambientais e sociais dos projetos sejam positivos e significativos, dentro da missão dos Fundos de Finanças Sustentáveis.

Com este acordo, firmado na cúpula “One Planet”, o BNP Paribas reforça seu compromisso de oferecer soluções financeiras pioneiras em escala e ajudar a ONU a alcançar os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.

Jean-Laurent Bonnafé, diretor-executivo do BNP Paribas, disse: “como banco internacional, consideramos que seja nosso dever contribuir para um futuro melhor”.

“Temos um papel a desempenhar para potencializar nosso lugar no centro da economia, onde não apenas tomemos medidas sozinhos, mas também tragamos diversos atores que dirijam o capital financeiro para projetos que abordem a questão da mudança climática e, em termos mais gerais, o desenvolvimento econômico sustentável”, declarou.

“Temos uma responsabilidade particular de orientar este financiamento aos países em desenvolvimento e às populações vulneráveis. Apesar de alguns projetos parecerem de pequena escala, não devemos esquecer que, coletivamente, essas iniciativas podem fazer diferença considerável para melhorar o meio ambiente, a biodiversidade ou o desenvolvimento social. Este acordo marca uma nova forma para que governos, empresas e instituições trabalhem unidos no desenvolvimento de soluções”.

Para Solheim, da ONU Meio Ambiente, o maior setor inexplorado no campo da ação climática é a gestão de terras e solos. “A parceria com o BNP Paribas estabelece um sinal para a indústria financeira de que a forma com a qual fazemos as coisas atualmente já não é uma opção. Mais do que apoiar, precisamos desenhar uma agricultura e uma silvicultura sustentáveis para resolver a crise climática”.

“Neste momento, menos de 3% das finanças climáticas, públicas ou privadas, são destinadas ao uso sustentável da terra e, no entanto, este setor pode representar mais de 30% da solução. Precisamos multiplicar por dez o financiamento climático destinado ao uso sustentável da terra”, afirmou.

Sobre o Fundo de Financiamento de Paisagens Tropicais

O Fundo de Financiamento de Paisagens Tropicais pretende alavancar o financiamento privado para o bem público, ao ampliar o investimento para melhorar o Produto Interno Bruto (PIB) dos países pobres. O foco da iniciativa é a produção agrícola sustentável e a melhora da produtividade dos agricultores familiares, combatendo o desflorestamento.

O veículo de investimento foi lançado pelo ministro coordenador de Assuntos Econômicos da Indonésia em outubro do ano passado, com base em uma associação entre ONU Meio Ambiente, BNP Paribas, ADM Capital e Centro Mundial Agroflorestal, com um forte apoio do governo indonésio para criar um mecanismo para acessar capital do setor privado para cumprir objetivos climáticos e de desenvolvimento.

A meta é atender uma demanda de financiamento de 20 bilhões de dólares destinados a projetos com impacto ambiental e social significativo, cruciais para assegurar a prosperidade econômica na Indonésia no longo prazo.