ONU e banco da América Central firmam parceria de quase US$ 1 mi contra mudanças climáticas

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A ONU Meio Ambiente e o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) anunciaram nesta semana (2) uma parceria para injetar quase 1 milhão de dólares em comunidades vulneráveis do Corredor Seco. Com problemas de estiagem severos, essa região da América Central margeia o Oceano Pacífico, indo da costa de Chiapas, no México, até o oeste da Costa Rica e do Panamá. Financiamento vai preparar populações rurais para enfrentar mudanças climáticas.

Estiagem de 2001 arrasou produção agropecuária na Nicarágua. Foto: FAO

Estiagem de 2001 arrasou produção agropecuária na Nicarágua. Foto: FAO

A ONU Meio Ambiente e o Banco Centro-Americano de Integração Econômica (BCIE) anunciaram nesta semana (2) uma parceria para injetar quase 1 milhão de dólares em comunidades vulneráveis do Corredor Seco. Com problemas de estiagem severos, essa região da América Central margeia o Oceano Pacífico, indo da costa de Chiapas, no México, até o oeste da Costa Rica e do Panamá.

Na América Central, metade dos 1,9 milhão de agricultores familiares que produzem grãos básicos vive no Corredor Seco. A faixa territorial é o lar de 45 milhões de pessoas — 40% delas moram e trabalham em comunidades rurais e mais de 50% estão abaixo da linha da pobreza. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 20% da população dessa área vive em situação de pobreza extrema, e 10% dos habitantes estão subnutridos.

O acordo entre a agência das Nações Unidas e o organismo financeiro regional disponibiliza 985.587 dólares em cooperação técnica para um projeto de adaptação às mudanças climáticas baseado em ecossistemas. A ONU Meio Ambiente vai elaborar uma estratégia voltada para o Corredor Seco e também para as zonas áridas da República Dominicana, com foco no uso eficiente de agua.

“Para os habitantes das zonas secas da nossa região, a mudança climática não é algo que está nos jornais. Muitos deles já estão sofrendo a pior parte desse fenômeno: a falta de água e alimentos. Por isso, as medidas de adaptação que contribuem com o bem-estar das comunidades e do meio ambiente são cruciais se quisermos erradicar a pobreza e a fome e alcançar o desenvolvimento sustentável”, afirmou Leo Heilleman, diretor da ONU Meio Ambiente para América Latina e Caribe.

A proposta da instituição internacional será posteriormente apresentada ao Fundo Verde do Clima, o mecanismo de financiamento da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

A adaptação baseada em ecossistemas consiste em aproveitar a biodiversidade e os serviços oferecidos pela própria natureza para reduzir a vulnerabilidade das comunidades e aumentar sua capacidade de lidar com fenômenos climáticos extremos. A abordagem inclui ações como a restauração de paisagens e o reflorestamento, a fim de melhorar a disponibilidade e a qualidade da água, garantir o habitat de animais polinizadores e diminuir a erosão.

Na última década, aumentaram a frequência e a intensidade de fenômenos climáticos na América Central. Nos anos em que ocorreram manifestações do El Niño, houve queda de 30 a 40% no volume de chuvas do Corredor Seco, com períodos amplos de temperaturas elevadas e baixa precipitação. As temporadas de chuvas intensas também trouxeram problemas, provocando danos substanciais.

O termo de cooperação foi assinado por Heilleman e pelo vice-presidente-executivo do BCIE, Alejandro Rodríguez Zamora, durante a 61ª reunião do Conselho de Ministros do Meio Ambiente da América Central. O encontro de autoridades se encerrou na quinta-feira, em Belize.

“Esta iniciativa é uma prova do compromisso que todos temos com a busca de soluções ambientais para os efeitos da mudança climática na região centro-americana”, disse Zamora, que explicou que todo o processo de colaboração institucional será coordenado com os Ministérios do Meio Ambiente do subcontinente.

Segundo a Plataforma Intergovernamental Científico-Normativa sobre Diversidade Biológica e Serviços dos Ecossistemas (IPBES), a mudança climática é o fator de crescimento mais rápido que afetará negativamente a biodiversidade no continente americano.


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