ONU e agências humanitárias alertam sobre situação crítica em Gaza, ‘sem esperança no futuro’

A lentidão da reconstrução, a carência de serviços básicos e alimentos e as restrições de movimento são alguns dos fatores que levam a população de Gaza a expressar pouca esperança no futuro.

Crianças em Gaza que hoje tem seis anos já sofreram, em sua curta vida, por três conflitos. Foto: UNRWA

Crianças em Gaza que hoje tem seis anos já sofreram, em sua curta vida, por três conflitos. Foto: UNRWA

A ONU alertou, nesta quinta-feira (26) para o limitado progresso alcançado seis meses depois do fim do último conflito na Faixa de Gaza. Em um comunicado conjunto, 30 organizações de ajuda internacional expressaram sua preocupação com a continuação do bloqueio israelense, a paralisação da economia e do processo político e a deterioração nas condições de vida.

“A reconstrução e reparo de dezenas de residências, hospitais e escolas danificadas ou destruídas nas disputas têm sido terrivelmente lenta. Disparos de foguetes esporádicos, provenientes  de grupos armados palestinos recomeçaram”, disseram,  enfatizando que a falta de progresso eleva os níveis de frustração e desespero da população.

As condições de vida em Gaza já eram críticas antes do último conflito, devido à falta de alimentos e outros serviços básicos, comprometidos pelo bloqueio de Israel. Porém, alertaram as agências, desde julho a situação se deteriorou, com cerca de 100 mil palestinos deslocados durante o inverno, vivendo em condições precárias.

Cortes de energia, nos salários dos funcionários públicos e a carência de progresso do governo de unidade nacional aumentam as tensões. Com graves restrições de movimento, os quase 1,8 milhão de residentes vivem sitiados no enclave costeiro, “sem esperança no futuro”.

As organizações lembraram que as crianças carecem de educação de qualidade e que mais de 400 mil precisam de apoio psicossocial. Citaram que quase 1 milhão de crianças que hoje têm apenas seis anos de vida já sobreviveram a três conflitos, uma situação que deixou marcas imagináveis em milhares meninos e meninas.

As agências recordaram a comunidade internacional que pouca assistência está sendo proporcionada a Gaza e que apenas uma pequena parte dos 5,4 bilhões de dólares prometidos em um encontro no Cairo foi recebida até o momento, provocando a suspensão de programas de ajuda.

“Um retorno das hostilidades é inevitável se progresso não for feito e as causas originárias do conflito não forem respondidas”, adicionaram. Referindo-se a Israel como “poder ocupador”, elas pediram ao país para honrar suas obrigações segundo o direito internacional e levantar o bloqueio, dentro do quadro da resolução do Conselho de Segurança da ONU 1860 (2009).