ONU e 16 bancos elaboram primeiro guia sobre mudanças climáticas para o setor financeiro

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Dezesseis bancos dos quatro continentes, entre eles os brasileiros Itaú Unibanco e Bradesco, uniram-se à Iniciativa Financeira da ONU Meio Ambiente na elaboração de uma metodologia desenvolvida para aumentar o entendimento das instituições financeiras sobre o impacto das mudanças climáticas e da ação pelo clima em seus negócios.

“Muitos desafios ambientais que o mundo enfrenta hoje, especialmente as mudanças climáticas, podem ser atribuídos a uma causa fundamental: o pensamento de curto prazo. Os mercados financeiros podem se tornar um catalisador da ação para a sustentabilidade, mas, para isso, precisam se orientar mais para o longo prazo”, disse Erik Solheim, chefe da ONU Meio Ambiente.

Edifícios nos arredores de Wall Street. Foto: Michael Aston/Flickr (CC)

Edifícios nos arredores de Wall Street. Foto: Michael Aston/Flickr (CC)

Dezesseis bancos dos quatro continentes, entre eles os brasileiros Itaú Unibanco e Bradesco, uniram-se à Iniciativa Financeira da ONU Meio Ambiente na elaboração de uma metodologia desenvolvida para aumentar o entendimento das instituições financeiras sobre o impacto das mudanças climáticas e da ação pelo clima em seus negócios.

Esse entendimento é fundamental para permitir que os bancos sejam mais transparentes sobre sua exposição aos riscos e oportunidades relacionados ao clima, em linha com a Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês).

Também ajudará nas estratégias dos bancos para se beneficiar da transição para uma economia de baixo carbono e em seu engajamento com clientes nesse sentido. Segundo a ONU Meio Ambiente, esse ponto é essencial uma vez que os riscos e oportunidades relacionados ao clima surgem no setor financeiro principalmente nos serviços para clientes.

A metodologia e os materiais de apoio são o primeiro produto de um processo de colaboração promovido nos últimos dez meses. A iniciativa reuniu diversas áreas das instituições financeiras, incluindo risco de crédito, testes de estresse, sustentabilidade e desenvolvimento de negócios, com cientistas e especialistas em risco e gestão de investimentos.

Além de Itaú Unibanco e Bradesco, os bancos que estão liderando o trabalho e adotando a metodologia são ANZ, Barclays, BBVA, BNP Paribas, Citi, DNB, National Australia Bank, Rabobank, Royal Bank of Canada, Santander, Société Générale, Standard Chartered, TD Bank Group e UBS.

Eles são orientados pelas consultorias Oliver Wyman, Mercer e Acclimatise, e apoiados por cientistas do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) e do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (PIK).

“Muitos desafios ambientais que o mundo enfrenta hoje, especialmente as mudanças climáticas, podem ser atribuídos a uma causa fundamental: o pensamento de curto prazo. Os mercados financeiros podem se tornar um catalisador da ação para a sustentabilidade, mas, para isso, precisam se orientar mais para o longo prazo”, disse Erik Solheim, chefe da ONU Meio Ambiente.

“A beleza das diretrizes é encorajar organizações a considerar e divulgar os impactos de longo prazo. Precisamos dessa mudança de perspectiva para atingir o desenvolvimento sustentável. É por isso que, como ONU Meio Ambiente, estamos contentes de estar trabalhando com líderes tão comprometidos da indústria financeira.”

A metodologia fornece a primeira orientação publicamente disponível projetada especificamente para os bancos realizarem avaliações prospectivas de riscos e oportunidades relacionadas ao clima, conforme previsto pela TCFD. Mais especificamente, a metodologia ajuda os bancos a aplicarem os mais avançados cenários globais de mudanças climáticas disponíveis hoje — como aqueles desenvolvidos por PIK, IIASA e Agência Internacional de Energia (AIE) — para avaliar riscos e oportunidades que a transição econômica de baixo carbono pode apresentar às suas carteiras de empréstimos.

“Quando publicamos as nossas recomendações menos de um ano atrás, fomos deliberados em ver os bancos e outras instituições financeiras não apenas como consumidores de informações relacionadas ao clima, mas como preparadores e emissores de tais informações”, declarou Christian Thimann, copresidente da Iniciativa Financeira da ONU Meio Ambiente, vice-presidente da TCFD e executivo-sênior da seguradora AXA.

“Fizemos isso para enfatizar o papel fundamental que as instituições financeiras terão que desempenhar tanto na salvaguarda da estabilidade financeira quanto no financiamento da descarbonização econômica”, completou.

“Isso é fácil de entender. A parte difícil é encontrar formas eficazes, mas práticas, de as instituições financeiras tomarem tais medidas, realizarem as avaliações necessárias e as divulgarem de forma significativa. Sou grato pela contribuição que este grupo está fazendo hoje para esse fim.”

A metodologia foi elaborada a partir dos conhecimentos, procedimentos e modelos de avaliação de risco já utilizados pelos bancos; e tem como objetivo permitir
avaliações informadas de como as exposições ao risco — e a novas oportunidades potenciais — podem se desenvolver no futuro, sob vários cenários de mitigação climática.

A iniciativa também permite às instituições examinar os riscos e oportunidades em uma série de lugares e setores, e fornece visões de longo prazo que vão além do horizonte de testes de estresse de dois ou três anos.

Segundo a ONU Meio Ambiente, o progresso feito por meio da publicação dessas diretrizes é fundamental. “Através deste esforço altamente colaborativo de cientistas, profissionais de risco e especialistas em sustentabilidade, estabelecemos uma metodologia inovadora que servirá para sustentar a tomada de decisões e a alocação de recursos mais conscientes dos riscos climáticos”, disse John Colas, sócio e vice-presidente da consultoria Oliver Wyman.

“Esperamos que esta metodologia seja ainda mais fortalecida, à medida que as práticas evoluírem e surgirem dados novos e mais granulares de profissionais da indústria, corporações, formuladores de políticas e cientistas do clima.”

Trabalho adicional ainda é necessário entre os setores e áreas de especialização para desenvolver melhores práticas. A maioria dos cenários publicamente disponíveis não se destina à avaliação de riscos financeiros. Juntas, a comunidade científica e as instituições financeiras poderiam melhorar a granularidade dos modelos e avançar nas variáveis ​​de risco financeiro geradas.

Também é importante o engajamento dos bancos e dos mutuários, de modo que as informações aprimoradas no nível do mutuário se tornem disponíveis. Assim como o desenvolvimento de testes de estresse macroeconômico em instituições financeiras, as avaliações e projeções do clima continuarão melhorando ao longo do tempo.

A metodologia estará disponível no site www.unepfi.org/tcfd-for-banks.

Seminários online serão realizados às 5h e 11h (horário de Brasília) em 15 de maio para os interessados em saber mais sobre a nova metodologia.

Entre os palestrantes, estão especialistas em gestão de risco e investimentos da consultoria Oliver Wyman, cientistas especializados em mudanças climáticas do PIK e do IIASA, que forneceram os cenários-base para as metodologias, e representantes dos bancos participantes.

Para se registrar no webminar, é necessário enviar e-mail para Peter Cripps no endereço [email protected].


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