ONU discute impacto da revolução digital na indústria brasileira

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Em São Paulo, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) defendeu o papel do Estado na facilitação e coordenação de políticas industriais voltadas para a chamada quarta Revolução Industrial, alavancada por inovações das tecnologias digitais de informação e comunicação.

Embaixador da Argentina, Carlos Magariños, destacou que as novas tecnologias permitem aplicações inéditas nas ciências da vida e educação. Foto: UNIDO

Embaixador da Argentina, Carlos Magariños, destacou que as novas tecnologias permitem aplicações inéditas nas ciências da vida e educação. Foto: UNIDO

A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) promoveu nesta semana (11), em São Paulo, uma cúpula global sobre as recentes transformações tecnológicas no setor produtivo. Evento debateu as oportunidades e desafios que a chamada quarta Revolução Industrial trará para o Brasil.

“Não devemos acreditar que a quarta Revolução Industrial afetará apenas algumas poucas empresas. Estamos certos de que será um movimento universal e de que todas as empresas, independentemente de seu tamanho ou setor, precisarão se adaptar para permanecer competitivas”, afirmou durante o encontro de especialistas o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil, Carlos Eduardo Abijaodi.

A instituição sediou o evento em São Paulo, ligado à cúpula da agência da ONU conhecida pelo nome em inglês Global Manufacturing and Industrialization Summit (GMIS). A iniciativa na capital estadual foi uma das etapas do projeto itinerante GMIS Connect, que promoverá debates sobre a revolução tecnológica na indústria em diferentes partes do mundo.

“Estamos num ponto de inflexão. Perder as oportunidades criadas pela Indústria 4.0 será imperdoável”, completou Abijaodi.

Para o representante da UNIDO no Brasil, Alessandro Amadio, “não se trata de discutir se as políticas industriais devem existir ou não, mas de pensar em novas abordagens para o desenvolvimento produtivo que, ao mesmo tempo, minimizem os riscos associados a políticas seletivas e garantam o papel do Estado na facilitação e coordenação”.

A GMIS é uma iniciativa dos Emirados Árabes Unidos com a agência da ONU. O projeto reúne fabricantes, governos, ONGs, empreendedores, investidores e consultores em tecnologia para direcionar as inovações da quarta Revolução Industrial rumo à indústria do futuro.

Também presente no encontro em São Paulo, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, afirmou que “tecnologias disruptivas e novos modelos de negócios estão mudando os padrões de comércio e produção em todo o mundo”.

“Desenvolvimentos com o big data, a digitalização e a inteligência artificial tornam possível todo um novo conjunto de aplicações nas ciências da vida e educação. Portanto, temos de entender que estamos entrando em uma nova era para a humanidade”, completou o representante do Estado argentino.

O diretor-geral do Comitê Organizador da GMIS, Namir Hourani, disse que “a oportunidade que a quarta Revolução Industrial apresenta para indústrias e economias em todo o mundo é imensa”.

“Porém, para garantir que capturemos esse potencial, deve haver colaboração entre todas as principais partes interessadas na elaboração de um caminho estratégico para sua implementação”, avaliou o especialista.

“Como uma plataforma para a discussão e o debate que definirá o curso para um futuro próspero, estamos muito satisfeitos de poder visitar o Brasil, a fim de ver essas inovações na prática”, concluiu Hourani.

O GMIS Connect do Brasil contou com três painéis de especialistas da indústria, que abordaram como a revolução digital e a inovação tecnológica estão transformando o mundo — economicamente, ambientalmente e em prol da inclusão social. O encontro também debateu como os setores privado o público podem se preparar para essas mudanças, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS.


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