ONU detecta uso de armas químicas na Síria

Comissão independente apresenta resultado de investigação ao Conselho de Segurança da ONU, onde conclui que Estado Islâmico utilizou gás mostarda em cidade próxima de Aleppo. Autoridade de assuntos humanitários pede o fim do cerco em cidades sitiadas no país.

Moradores de Darayya recebem ajuda humanitária – Foto: WFP/Hussam Al Saleh

Moradores de Darayya recebem ajuda humanitária – Foto: WFP/Hussam Al Saleh

Mecanismo Conjunto de Investigação concluiu que forças aéreas da Síria e o Estado Islâmico utilizaram armas químicas em pelo menos três ataques no país. A investigação foi apresentada ao Conselho de Segurança da ONU por Virginia Gamba, chefe das investigações apoiadas pela Organização pela Proibição de Armas Químicas.

Virgínia relatou que a comissão de investigação encontrou evidências suficientes sobre três casos. Em Talmenes ( abril de 2014) e Sarmin (março de 2015), as forças aéreas da Síria lançaram substâncias tóxicas; enquanto em Marea (agosto de 2015), cidade ao norte de Aleppo,  o Estado Islâmico utilizou gás mostarda no ataque.

Em outros três casos–Kafr Zita (abril de 2014), Qmenas (março de 2015) e Binnish (março de 2015), as investigações continuam com análise de substâncias em andamento em institutos forenses e laboratórios. As investigações concluíram que, além de utilizar armas químicas, a Síria está diversificando tanto o tipo de produto químico quando os atores envolvidos.

Áreas sitiadas – O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Stephen O´Brien, emitiu um comunicado manifestando extrema preocupação com a situação de áreas sitiadas na Síria e da cidade de Daraya, cercada desde 2012.

O’Brien disse que a decisão de evacuar os civis de Daraya no fim deste mês não contou com a participação das Nações Unidas, avisada do acordo durante a madrugada, poucas horas antes do início da operação.

Daraya ficou à mercê de combatentes rivais e de bombardeios durante os últimos quatro anos, com imposição de restrições ao direito de ir e vir e à entrada de bens comerciais e humanitários. Há relatos de que muitos sírios sitiados comeram grama para sobreviver.

A ONU tem trabalhado na região mas, segundo O’Brien, os acordos para evacuar a população não cumprem as leis humanitárias e o direito internacionais. Ele pediu ainda que o cerco a civis seja suspenso em o país.