ONU: Desastres causaram danos de 1 trilhão de dólares e afetaram 4 bilhões de pessoas em 25 anos

Próximo à Conferência do Clima em Paris, que busca um acordo entre países para mitigar as mudanças climáticas, encontro ressaltou a importância da gestão da água e do saneamento. Para o secretário-geral da ONU, o tema deve ser prioridade para reduzir risco de desastres.

Chuvas fortes no Iraque inundaram ruas de Bagdá. Foto: UNICEF/Wathiq Khuzaie

Chuvas fortes no Iraque inundaram ruas de Bagdá. Foto: UNICEF/Wathiq Khuzaie

Destacando a relação entre gestão de água e redução dos riscos de desastres, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou nesta quarta-feira (18) que inundações, secas e ciclones causaram danos de mais de 1 trilhão de dólares e afetaram mais de 4 bilhões de pessoas de 1990 até 2015.

“Os pobres e mais vulneráveis têm sofrido primeiro e pior”, declarou Ban, em reunião realizada como parte do Encontro de Alto Nível da ONU sobre Água e Saneamento 2015, que promoveu uma série de eventos entre os dias 18 e 20 de novembro na sede da ONU em Nova York, já a menos de duas semanas da Conferência do Clima em Paris (COP21).

“Questões de água e resiliência de desastres estão tão intimamente ligadas que é impossível pensar em uma sem pensar na outra. No entanto, fazemos isso com muita frequência, pensando em silos e respondendo de forma fragmentada. É hora de fechar esses buracos operacionais e conceituais”, explicou.

Para a ocasião, o conselho consultivo do secretário-geral publicou um relatório em que ressalta a má gestão de água global. No prefácio, Ban alerta que os problemas relacionados com a água estão colocando países, ecossistemas, economias e cidadãos, especialmente mulheres e crianças, em risco.

“Não demos suficiente atenção para as regras do jogo de compartilhamento da água – em todos os setores e fronteiras regionais e nacionais. A falta de acesso adequado à água potável ainda atormenta bilhões de pessoas, especialmente os mais pobres”, sublinha o relatório.

O documento destaca que as agências da ONU precisam alocar mais fundos para atender a esta questão e revisar suas políticas, citando, como exemplo, a necessidade de a Organização Mundial da Saúde (OMS) endossar a água, o saneamento e a higiene como principais formas de prevenção de doenças.

Além disso, cita a necessidade do estabelecimento de um comitê intergovernamental da ONU, um painel científico sobre água e saneamento e um marco de monitoramento global abrangente e independente.